Bruna Santamarina e Tatiana Carvalho - Do Portal
17/03/2009Em 18 de fevereiro deste ano, a Representação Brasileira no Parlamento do Mercado Comum do Sul (Mercosul) aprovou, por nove votos a quatro, o ingresso da Venezuela no bloco. Para a controvertida novidade se concretizar, é necessária a aprovação da Comissão de Relações Exteriores do Senado e do plenário da Casa. O protocolo também está sob avaliação no Paraguai. Argentina e Uruguai já o aprovaram. Abastecido pelos riscos do chavismo crescente, o impasse sobre a inclusão da Venezuela é o novo capítulo de uma novela que se arrasta desde a década de 90: a consolidação do Mercosul. O desafio ganha contornos estratégicos nesses tempos de crise, avalia Sonia Camargo.
- Para superar a crise econômica mundial, é preciso fortalecer a Améria Latina - prescreve a especialista.
Há 18 anos, o Mercosul, zona de livre comércio e política comercial comum entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, encontra dificuldades para crescer no sentido que pretendia, o de construir um mercado que alcançasse todo o continente sul-americano. A ameaça de recessão mundial dificulta a ampliação.
– Não é fácil criar blocos grandes em tempos de crise. A União Europeia, que se ampliou aos poucos. O lado Leste sempre sofreu mais e pediu ajuda. O Brasil é o país mais avançado do Mercosul, o líder. Por isso, acumula grande responsabilidade, obrigações e deveres. É um momento difícil para fazer comércio com a Argentina, devido à sua crise interna – avalia Sonia Camargo, doutora em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (USP) e professora do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da PUC-Rio.
A possível entrada da Venezuela de Hugo Chávez no Mercosul levantou nova polêmica entre os países do grupo. Alguns acreditam que a inclusão seria oportuna em tempos de crise econômica, por, supostamente, aumentar o protagonismo do bloco, o número das exportações brasileiras e a gereção de empregos. Outros creem que o histórico de controvérsias, de contratos descumpridos e de discursos contra os Estados Unidos dificultará as negociações internacionais. Argumentam também que Chávez desrespeita o sistema democrático (domingo passado, 15 de março, ele ordenou a tomada, pelo Exército e pela Marinha, de portos e aeroportos controlados por governos de oposição).
– A entrada da venezuelana será inevitável – prevê Sonia – Não sabemos se vai ajudar na crise, mas é importante aumentar a integração entre os países, pois todos somos importadores, exportadores e fazemos trocas com a Venezuela. Chávez é controvertido e autoritário, mas pode trazer avanço com a inclusão social.
Para a professora, projetos paralelos ao bloco, como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), prejudicam o fortalecimento da América Latina. A Unasul é uma zona de livre comércio que ligaria os países integrantes do Mercosul aos da Comunidade Andina de Nações (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru), além de Chile, Guiana e Suriname.
– Essa sobreposição enfraquece o bloco. Isso deixa a população confusa – observa Sônia.
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