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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


Esporte

Mariana Brochado aposta em César Cielo na Olimpíada

Gabriel Torres - Do Portal

06/08/2008

Mariana Brochado, 23 anos, estudante de Direito da PUC-Rio, pode ser considerada um fenômeno da natação. Aos 4 anos, começou a nadar no Flamengo. Aos 13 já disputava uma etapa de Copa do Mundo de natação e aos 15 era atleta profissional. Mariana tem uma coleção de 271 medalhas, 120 delas de ouro. A nadadora integrou a equipe que conquistou o sétimo lugar no revezamento 4x200m nas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Apesar do currículo dourado, não conseguiu o índice para os Jogos de Pequim. “Sabia que seria difícil”, reconhece. Em entrevista ao Portal PUC-Rio Digital, Mariana revela seu prognóstico sobre o desempenho dos brasileiros em águas chinesas (aposta, especialmente, em César Cielo) e conta como superou a frustração de ficar fora do Pan 2007, no Rio, e das Olimpíadas de Pequim.

- Quais os brasileiros com mais chance de medalha na natação? Você acredita que o desempenho será superior ao de Atenas? 

- Em Atenas a gente fez três finais no feminino e duas no masculino. Foi a primeira vez em que as meninas conseguiram ultrapassar os homens em número de finais. Em Pequim, a gente tem grandes chances de medalhas com o César Cielo nas provas de 50m e 100m livre. Para Thiago Pereira, fica um pouco mais difícil, porque ele nada as provas do Michael Phelps, que é o cara! E tem o Ryan Lochte, outro americano, que é um adversário direto. Na prova dos 200m borboleta o Kayo Márcio também pode ganhar medalha. Mas o Cielo vem baixando seus tempos a cada competição e se aproximando dos estrangeiros no recorde mundial nessas provas. Eu aposto no César Cielo.

- Como você lidou com a perda da vaga para Pequim?

- Eu sabia que ia ser bem difícil. Já estava conformada. Seria uma surpresa se eu fosse para Pequim. Não ir para o Pan, no ano passado, foi muito difícil, porque desde 2001 eu estava na seleção principal. Pela primeira vez, fiquei de fora de um campeonato grande. E tinha o gostinho especial de ser em nosso país, na minha cidade, perto da família e dos amigos. A gente não pode viver só de vitórias. Meus pais foram essenciais neste período difícil. Pensei até em parar de nadar, em desistir. Mas a primeira derrota não pode acabar com anos de dedicação. Já é página virada, já comecei a escrever outras páginas. Se Deus quiser, com mais vitórias.

- Como concilia os treinos diários com a rotina de estudante de Direito da PUC-Rio?

- Faço isso desde a época do colégio, mas na faculdade é mais fácil: posso montar a grade [de disciplinas]. Fica mais flexível. Treino de manhã e à tarde e estudo à noite. Meu dia começa às 6h30 e termina às 23h30, é bem puxado. O mais difícil é começar. Depois que eu me acostumo, entro no automático. Eu sinto mais no fim de semana: treino sábado de manhã e ainda tenho aula. Sou bem caseira, não gosto de sair à noite, prefiro ficar em casa ou ir ao cinema. Preciso recuperar as forças para na segunda-feira estar no batente de novo.

- Você pretende seguir a carreira no Direito?

- Sim, gosto da área criminal. Mas aqui no Brasil eu tenho medo, é meio barra-pesada. Gosto muito também da área trabalhista. Não pretendo fazer concurso público.