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Rio de Janeiro, 25 de julho de 2024


Esporte

Pai abre o jogo sobre o novo paredão do Brasil das areias

Igor Novello - Do Portal

24/01/2013

 Nicolau Galvão

Campeão da Copa América de beach soccer pela nona vez, ao bater o México por 4 a 2, no domingo passado, o Brasil ganhou também um novo paredão. Parte da conquista invicta, na praia do Gonzaga, litoral paulista, deve-se a duas mudanças de percurso, ambas protagonizadas por Leandro Fanta, ou simplesmente Fanta, eleito o melhor goleiro da competição. A primeira caiu no colo: a oportunidade de substituir o titular Mão, que fraturou o dedo mínimo da mão direita logo no jogo de estreia, contra os Estados Unidos. Fanta, claro, agarrou a chance, e tornou-se decisivo. O outro desvio, bem anterior, reforça o time de voltas por cima que habitam o esporte: barrado no futebol de campo do Flamengo, por ironia a paixão do pai Paulo César ("a segunda coisa mais importante, depois da família), o jovem de 1,80m refugiou-se na areia. Melhor para a seleção brasileira hoje comandada por Junior Negão.

– Ele passou pelo futsal da AABB e do América, até chegar ao Flamengo, em 2004. Lá, revezava-se entre o futebol de salão e o de campo. Isso me deixou muito feliz, pois gostaria que ele jogasse no campo, especialmente no Flamengo. Mas logo me decepcionei. Como os treinadores preferem goleiro de 2 metros, ele perdeu espaço nos gramados porque "só" tem 1,80m. Acabou aceitando convite para agarrar na areia e nunca mais largou o beach soccer – lembra PC, com a habilidade verbal das ligeiras mesas-redondas travadas com estudantes da PUC-Rio.

O clichê do futebol no sangue aplica-se a Leandro Fanta. O gosto e a propriedade com que PC comenta o mundo da bola enquanto pilota o elevador do prédio Kennedy o transformaram quase num pop star entre alunos, professores e funcionários. Quem se habituou à sua fé incondicional no Flamengo, até nos dias sombrios, sabe que o ascensorista de 62 anos deve ter escalado doses generosas de amor paterno para acostumar-se com as cores de Vasco e Botafogo, o antigo e o atual clube do filho. Ele não hesita, porém, em admitir que sonha em vê-lo na Gávea:

– Isso não foi possível. Ainda – ressalva – Se houvesse uma partida entre Botafogo e Flamengo, com certeza torceria para o sucesso do meu filho. Assim como, se tivesse um jogo importante do Flamengo no mesmo horário de um jogo importante do meu filho, assistiria ao Leandro jogar. Não adianta, é coisa de sangue.

Contador de histórias, embrulhadas com carisma nas subidas e descidas cotidianas, PC revela a origem do apelido que passou acompanhar, há quase uma década, o camisa 12 da seleção de beach soccer:

– Em uma de suas primeiras partidas, pela AABB, Leandro recebeu o apelido de Fanta, pois estava agarrando de camisa, short e meião de cor lilás.

O desejo de o filho vestir preto e vermelho só perde para a vontade de vê-lo jogar, não importam as coras do uniforme. Maior do que o coração rubro-negro, bate o orgulho de dividir a casa, as experiências e alguns atalhos da vida com o novo campeão da areia. "Quando ele viaja para jogar, falamos por telefone ou por redes sociais", conforma-se. Antes de tudo, PC é o mais fiel torcedor de Leandro, um espectador religioso dos jogos do Botafogo (quem diria...) e da seleção de pés descalços, na qual já brilharam Zico, Junior, Edinho, o goleiro Paulo Sérgio e outros bambas.

 Reprodução PC acompanha a maioria das partidas pela tevê, mas prefere, como autêntico amante do futebol, a arquibancada. E assim faz, "para passar as melhores vibrações", quando os jogos são no Rio. "Nos dessa Copa América, em São Paulo, o jeito foi assistir na telinha, ao vivo ou por gravação.

– O jogo de estreia, contra os americanos, foi no horário de uma homenagem que recebi dos alunos da Comunicação. Não pude ver a transmissão ao vivo. Mas, ao chegar em casa, botei imediatamente a gravação e me surpreendi com o fato de o meu filho ter agarrado praticamente a partida inteira. Fiquei muito feliz, porque sei o quanto ele ralou. Os caras do beach soccer têm um treinamento puxado, dizem até que o jogador de futebol de areia é mais exigido do que o de futebol de campo – compara, com um pingo de provocação – Não queria que o Mão se machucasse para o meu filho assumir a condição de titular, mas, infelizmente, aconteceu. E, graças a Deus, o Leandro estava muito bem preparado para aproveitar a oportunidade – completa.

Fanta terá novas chances de corresponder ao reconhecimento do pai, do treinador, dos torcedores. Como Mão só estará recuperado em quatro semanas, o camisa 12 seguirá titular na Copa das Nações, marcada para o próximo fim de semana, naquele mesmo local (veja a programação do torneio no quadro abaixo do texto). A sequência favorável coincide, observa PC, com o auge do filho: "Ele está pegando tudo", afirma, sem o risco de um compreensível exagero.

A responsabilidade de fechar o gol do Brasil não intimidou o suplente. Com belas defesas, foi decisivo não só na vitória por 7 a 4 sobre os Estados Unidos, mas também nas duas partidas seguintes: contra a Argentina (3 a 1) e na final contra o México (4 a 2). 

"Esses meninos do Flamengo ganham muita moral antes da hora", alerta

Já em relação ao Flamengo do técnico Dorival Jr., PC mostra-se menos entusiasmo. Prefere a sobriedade ao projetar, não raramente a pedido dos estudantes, as perspectivas do Mengão para este ano e as recentes contratações:

– Só poderemos falar do Flamengo daqui a três meses, porque a nova diretoria ainda está arrumando a casa. Depois que acertarem tudo, começarão a investir num time forte. A partir disso, as expectativas são boas, mesmo sabendo sem que resultados imediatos não apareçam. Em relação às contratações, eu não me lembro desse Carlos Eduardo (contratado para ser o novo camisa-10). Dizem que ele começou arrebentando no Grêmio e foi logo embora do país. Vamos ver no que vai dar. O Elias é muito bom jogador. O Gabriel, que veio do Bahia, também.

Já sobre a nova safra de talentos rubro-negros, PC marca pressão. Considera-a supervalorizada. A exemplo de incontáveis cronistas esportivos e torcedores, do Flamengo e de outros grandes do país, Paulo César cobra melhor gestão das categorias de base. Revela-se severo ao avaliar algumas supostas joias da geração recém-formada no Ninho do Urubu, centro de treinamento do clube, na Zona Oeste:

– Sinceramente, não considero esses moleques bons jogadores. O exemplo disso foi o fiasco no Sul-Americano Sub-20. O Adryan não dava sequência a nenhuma jogada e o Mattheus não fazia nada além do arroz-com-feijão. Acho que esses meninos ganham muita moral antes da hora.

Copa das Nações 2013

Jogos de sexta (25/1):

15h30 – Holanda x Suíça – jogo 1

16h30 – BRASIL x México – jogo 2

Jogos de sábado (26/1):

10h – Vencedor do jogo 1 x Perdedor do jogo 2

11h30 – Vencedor do jogo 2 x Perdedor do jogo 1

Jogos de domingo (27/1):

8h – Perdedor do jogo 1 x Perdedor do jogo 2

10h – Vencedor do jogo 1 x Vencedor do jogo 2