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Rio de Janeiro, 25 de julho de 2024


Esporte

E rola a bola para o Quissamã, o calouro do futebol carioca

Igor Novello - Do Portal

15/01/2013

 Arte: Nicolau Galvão

Calouro do Estadual do Rio, o Quissamã pegará de cara o Flamengo, no próximo sábado, às 17h, no Engenhão, na abertura do torneio. Com apenas oito anos de futebol profissional, torcida, jogadores e dirigentes comemoram o acesso à elite da bola depois de uma batalha judicial que se seguiu à conquista da Série B, no segundo semestre do ano passado, e se arrastou por mais de um mês. A vitória nos tribunais sobre o Goytacaz foi um aperitivo das dificuldades que o time do norte fluminense enfrentará em busca do sonho de permanecer entre os melhores. Para consolidá-lo, os comandados do técnico Marcelo Henrique – cujos vencimentos somam R$ 100 mil, um sétimo do salário do artilheiro tricolor Fred – preparam-se desde outubro do ano passado, no CT de Palmeirinha, a 240 quilômetros da capital. Em entrevista ao Portal PUC-Rio Digital, o presidente do Alvianil da Terra do Coco, Diones Silva, aponta os principais desafios da temporada, comenta a peleja extra campo e revela algumas curiosidades deste novato disposto a ampliar seus quinze minutos de fama. 

No bate-bola por telefone, o dirigente destacou o entrosamento como a principal arma da equipe (talvez a única) para manter-se na Primeira Divisão e, com sorte, transformar-se no azarão do campeonato. Antes, porém, Diones reconhece que o Quissamã terá de escalar um campo para chamar de seu. Pelo menos enquanto o estádio Antonio Carneiro da Silva, o Carneirão, seguir sem o laudo dos Bombeiros e o sinal verde da Federação.

Portal PUC-Rio Digital: Depois de conquistar a Série B, o Quissamã suou para vencer a batalha judicial deflagrada pela falta de indicação do campo no qual mandará suas partidas. Como o estádio municipal não está liberado, a equipe será, digamos, um permanente visitante?

Diones Silva: Estamos brigando pelo nosso estádio, porque ele ainda não foi condenado. Ainda não temos o laudo de vistoria dos Bombeiros, mas o grande problema é a capacidade abaixo do exigida pela Federação. Mesmo assim, nesse primeiro momento, vamos jogar em Quissamã. 

Portal: Além do laudo, o que falta para o Quissamã estrear no Carneirão como o mais novo integrante da elite do futebol carioca?

Diones: Devemos cumprir algumas sugestões da Federação, como a a ampliação do posto médico, pois eles acharam o nosso pequeno, e a criação de uma entrada alternativa para a torcida visitante. 

PortalTalvez seja o preço da precocidade. Aliás, por que o clube, fundado em 1919, só há oito anos profissionalizou o futebol?  

Diones: Em 1919, a cidade de Quissamã era um distrito de Macaé. Então, o time disputava, de forma amadora, a Liga Macaense de Desportos, na qual foi campeão duas vezes, em 1949 e 1952. Com a transição para município, em 1989, começou-se a pensar na possibilidade de profissionalização, o que só se concretizou na gestão do presidente Otávio Carneiro, em 2005. 

PortalA profissionalização está relacionada ao dinheiro do petróleo? 

Diones: Não, não... Tem a ver com o apoio financeiro da prefeitura, mas não ligado ao petróleo. A prefeitura sempre apoiou o esporte e, agora, com a profissionalização, nós obtivemos esse suporte financeiro para iniciar as atividades. 

PortalComo é a relação com a prefeitura? Há influência, por exemplo, na indicação de integrantes da comissão técnica ou mesmo na escalação?

Diones: A prefeitura está na condição de patrocinadora. Não é dona do clube. Funciona como o patrocínio master para a gente. Mas temos outras fontes de receitas. 

PortalDesde outubro a equipe vem se preparando para fazer bonito entre os melhores do Rio. Neste aspecto, pode-se dizer que o Quissamã leva certa vantagem, pois, ao contrário de vários clubes grandes, tem um Centro de Treinamento? 

Diones: Os jogadores treinam no CT Palmirinha. Também temos alguns campos alternativos, como o Machadinha, e próprio estádio municipal Antonio Carneiro da Silva. Esses campos alternativos são importantes para nós, porque, com eles, não há um sobrecarga dos gramados no CT Palmirinha.

PortalO time está pronto para corresponder à expectatova da torcida?

Diones: A nossa torcida é bastante exigente e apaixonada. Ela vai para o estádio, leva bandeiras, vibra, cobra, mas, principalmente, incentiva. Atua o tempo todo do lado da equipe. 

PortalQuem é o grande ídolo do Quissamã? 

Diones: Como o Quissamã tem uma história ainda pequena, o maior ídolo da torcida e do clube é o Bruno Cortês, lateral-esquerdo do São Paulo, com passagens pela Seleção Brasileira. Em seguida, vem o volante Amaral, que hoje joga no Flamengo. 

PortalE do time atual, quem é o craque?  

Diones: Podemos destacar o volante Cleiton, muito querido pela torcida. Mas o principal destaque do Quissamã é o conjunto. Não temos propriamente "um melhor jogador". Por isso, a base utilizada durante três anos consecutivos, desde a Terceira Divisão do carioca, conseguiu, com desempenho brilhante, o acesso à elite estadual. 

Portal: O clube investe no desenvolvimento de talentos? 

Diones: De todos os jogadores profissionais do elenco, pelo menos 10 são da cidade e já passaram pelas categorias de base. O jovem mais aproveitado entre os titulares é o goleiro Erick. 

PortalAlgum jogador exerce outra profissão? 

Diones Silva: Todos vivem exclusivamente do futebol. Eles, realmente, são profissionais. Todos dependem disso.

Portal PUC-RioQual é a média salarial do elenco?  

Diones Silva: A gente trabalha com salários entre R$ 2.5 mil e R$ 4 mil. Não há nenhum atleta que se destaca por receber um maior salário.