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Rio de Janeiro, 22 de abril de 2024


Esporte

Empresas mostram tecnologias que virão em breve no futebol

Rodrigo Serpellone - Do Portal

30/11/2012

 Rodrigo Serpellone

Se ainda é grande a resistência ao uso da tecnologia no futebol, o debate sobre o tema só fez crescer nos últimos anos. Especialistas discutiram o assunto na SoccerEx, exposição sobre futebol que ocorreu no Forte de Copacabana até esta quarta-feira, 28. O secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke; Ronaldo, do Comitê Organizador Local da Copa (COL); o ministro Aldo Rebelo; o presidente da CBF, José Maria Marin; o coordenador técnico da Seleção, Carlos Alberto Parreira; e o ex-técnico Zagallo estavam entre as personalidades que participaram do evento, que reuniu 3.500 pessoas nos três dias de evento.

A Fifa já aprovou o uso de recurso eletrônico para detectar gols. Duas empresas mostraram seus dispositivos, em fase de testes, na feira.

O GoalRef é um chip instalado na bola que emite um sinal ao árbitro. O relógio do sistema, que ficará no pulso de juízes e assistentes, avisa se foi gol em menos de um segundo. No pequeno campo de futebol do estande da Fifa, o representante de gerenciamento operacional da GoalRef, Thomas Pelkofer, fez uma exibição. Assim que a esfera passou da linha, o relógio exibiu na tela: “Goal”.

Questionado pela plateia, Pelkofer garantiu que a bola com chip não faz diferença para os jogadores:

– Testamos a bola com chip com os freestylers na frente do estande da Fifa, e eles não perceberam diferença – afirmou, referindo-se aos freestylers Charly Iacono e Pedro Oliveira (Pedrinho), respectivamente campeões argentino e brasileiro da modalidade de futebol de estilo livre, que consiste em fazer malabarismos com a bola sem deixá-la cair. Eles foram à exposição a convite da Federação Brasileira de Freestyle, para divulgar a prática.

Do outro lado da moeda, a tecnologia HawkEye também está na disputa. Apresentado na feira pelo criador do projeto, Paul Hawkins, o sistema é formado por sete câmeras direcionadas para cada gol, que geram uma imagem instantânea. O árbitro acompanha por um monitor, a exemplo do que já é usado no tênis e no críquete.

De acordo com o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, ambas as tecnologias serão testadas no Mundial de Clubes que começa no dia 12 de dezembro, em Tóquio, tendo o Corinthians como representante sul-americano e o Chelsea, europeu. Somente uma será aprovada para testes finais no Brasil:

– Usaremos um dos sistemas testados em Tóquio para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. O dispositivo ficará nos estádios brasileiros como legado – afirmou o secretário-geral.

O ex-goleiro português Vitor Baía, que jogou no Barcelona, está de acordo com a tecnologia da linha do gol: “Já deveria ter sido aplicada anteriormente”. Baía acredita que isso evitará desgastes desnecessários que atrapalham a partida:

– Os conflitos entre os jogadores são uma imagem ruim, principalmente para os jovens. Agora, a justiça será feita, e sem atrapalhar o ritmo de jogo.

Carlos Eugênio Simon, ex-árbitro de três Copas do Mundo e hoje comentarista de arbitragem no canal Fox Sports, estava na primeira fila do debate Será que a tecnologia na linha do gol irá melhorar o futebol?. Ele concorda com a decisão tecnológica da Fifa sobre a linha do gol, mas discorda que seja usada em ocasiões como o impedimento e faltas:

– Quando a bola passa, tem que ser marcado gol. Em certos momentos, é humanamente impossível perceber se a bola entrou ou não. Já no caso do impedimento, demoraria muito tempo para ser analisado, e não creio que seja possível, já que a torcida pode ficar impaciente. Saber se a falta foi dentro ou fora da linha da grande área é uma questão interpretativa. Mesmo nos programas de televisão, os comentaristas divergem em suas opiniões após ver um replay em câmera lenta.

Já o técnico de futebol Antônio Lopes, atualmente sem clube, afirma que a nova tecnologia será de grande utilidade, pois evitará problemas. Mas, ao contrário de Simon, ele quer que a Fifa aprove recursos eletrônicos para outras ocasiões:

– A tecnologia do impedimento deveria ser a próxima, porque dá origem a mais discussões do que a linha do gol propriamente dita. Importante também ter recursos para a questão da linha da área, para ver se a falta foi dentro ou fora, pois ela coloca os árbitros em perigo. Infelizmente há um grande medo por parte da Fifa.

Também participaram do debate o consultor de mídia da SoccerEx, Matt Lorenzo; o ex-goleiro da Holanda Edwin Van der Sar; e o chefe do Gabinete da Secretaria Geral da Fifa, Cristoph Schmidt, quem avisou aos representantes de ambas as tecnologias para a linha do gol que, “se as duas derem conta do recado em um tempo razoável, que não atrapalhe o ritmo de jogo, o critério para escolher uma ou outra será o preço”.

O criador do HawkEye, Paul Hawkins, reconhece que o processo de implantação da tecnologia é caro e, por isso, não deve alcançar divisões inferiores, que não tenham tantos recursos financeiros:

– No futuro, o custo dos equipamentos vai cair. Mas, por enquanto, creio que somente competições de alto nível terão capacidade financeira de usufruir de qualquer tecnologia deste tipo – admitiu Hawkins.

Tecnologia também serve para a diversão

A SoccerEx reuniu quase cem estandes de clubes, investidores, cidades-sede da Copa do Mundo e criadoras de tecnologia esportiva, espalhados por uma área de 9 mil m². Enquanto alguns divulgavam novos aparatos de energia para estádios, cuidados para a grama das arenas e materiais mais leves para uniformes e bolas, uma sala escura chamava a atenção de quem andava pela feira.

Empresários e torcedores brasileiros e estrangeiros pararam durante um minuto para bater um pênalti virtual. O estande do Virtual Penalty permitia aos visitantes chutar uma bola real contra uma parede na qual está projetado um goleiro defendendo um gol. Assim que a bola real acerta a parede, a bola virtual entra em cena e o goleiro pula para tentar a defesa.

Segundo o representante da empresa na SoccerEx, Paulo Dalton,  o simulador tem outras modalidades:

– O aplicativo tem futebol, basquete, hóquei no gelo, futebol americano e beisebol. O problema é que os “caras de terno” não sabem jogar bola. Três já escorregaram aqui hoje.

Após tumulto, ex-jogadores comentam o momento da Seleção

Três dias após o anúncio da saída de Mano Menezes da seleção, o presidente da CBF, José Maria Marin, em sua primeira aparição pública depois do anúncio, foi o mais perseguido pelos jornalistas. Cercado de seguranças e mais de 20 repórteres e câmeras, o pelotão foi do estúdio de debates para o estande da Confederação Brasileira. Durante o trajeto, visitantes foram empurrados e um stand quase foi destruído, já que o fio de uma câmera enroscou e entortou o pilar de sustentação.

Quando Marin deu uma breve entrevista aos jornalistas, que durou alguns minutos, o clima acalmou. Assim, os tricampeões mundiais da copa de 70 Paulo Cézar Caju e Carlos Alberto Torres puderam falar tranquilamente. Mas Caju não estava tranquilo. Ele criticou o atual momento do futebol brasileiro:

– Hoje qualquer um veste a camisa da seleção. Eles comemoram qualquer campeonato como se fosse a Copa do Mundo (se referindo ao Superclássico das Américas, que o Brasil venceu sobre a Argentina).

Carlos Alberto Torres analisou a decisão da CBF de demitir Mano Menezes, antes de contratar Luís Felipe Scolari para o cargo de técnico da Seleção Brasileira:

 Rodrigo Serpellone – Todos fomos pegos de surpresa com esta decisão. Mas acho que o momento foi errado. Se fosse para demiti-lo, que o fizessem antes. Ou depois da Copa de 2014.

Antes de ser contratado para a função de Coordenador de Seleções na CBF, Carlos Alberto Parreira comentou o legado da Era Mano e se colocou disposto para o cargo de técnico:

– O Mano Menezes deixou uma base boa para quem assumir. Se precisar de mim, estou disponível.

Cerimônia de abertura teve prêmio para Ronaldo Fenômeno

Antes dos discursos de Sérgio Cabral, José Maria Marin e Aldo Rebelo na abertura do SoccerEx, o ex-jogador e ex-técnico da seleção brasileira Zagallo entregou a Ronaldo o Prêmio João Havelange de Excelência e Legado, homenagem destinada a quem mais contribuiu para o futebol brasileiro no ano. Ao entregar o prêmio, Zagallo relembrou os velhos tempos e elogiou o fenômeno:

– Conheci o Ronaldo bem mais magrinho. Foi um dos melhores atacantes que já comandei como técnico. E ainda continua no esporte, com o mesmo sucesso.

Com o troféu em mãos, o ex-camisa 9 da seleção agradeceu:

– Fica difícil falar quando você recebe um prêmio da pessoa que foi o melhor treinador e a melhor relação humana que já tive no futebol. Precisamos de mais conferências como essa para melhorar o futebol em todos os aspectos.

Na mesma cerimônia, o presidente da CBF, José Maria Marin, exaltou as conquistas do Brasil nos últimos anos:

– Antes, nosso país sofria com arenas arcaicas. Agora, teremos 12 estádios de alto padrão que estão sendo construídos para a Copa, além das arenas de Grêmio e Palmeiras.