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Rio de Janeiro, 22 de abril de 2024


Esporte

Atletas brasileiros antecipam presente do Dia dos Pais

Vítor Afonso - Do Portal

10/08/2012

 Arte: Carlos Serra

O domingo será duplamente festejado por alguns pais. No dia em que se encerram os Jogos de Londres, eles já terão colocado no pódio lembranças douradas. Rogério Menezes viu a filha, a judoca Sarah Menezes, conquistar o primeiro ouro do Brasil na Olimpíada. O ex-atleta olímpico Nelson Rocha dos Santos, emocionou-se ao testemunhar Evelyn dos Santos seguir seus passos e brigar por medalha na pista do estádio londrino. Cesar Cielo, o pai, vibrou com o bronze de Cesar Cielo, o filho, nos 50m livre. Os três contaram ao Portal PUC-Rio como receberam estes presentes antecipados de Dia dos Pais.

Rogério revela que não queria que a filha se tornasse uma judoca profissional. "Preferia que a Sarah estudasse. Mas ela era danada, brigava na rua, subia em poste. Acabou treinando escondida. Quando descobri, já era tarde", recorda. Resignado diante da vocação, e da determinação, da filha, Rogério tornou-se um de seus principais incentivadores e hoje acompanha Sarah em todos os torneios. O lugar mais alto do pódio em Londres, claro, teve um sabor intenso para ele:

– Todos da família ficaram muito emocionados com a vitória, que já era esperada – lembra, orgulhoso e sem falsa modéstia – Eu estava assistindo no centro de treinamento aqui do Piauí, onde ela treina. Depois da conquista, o choro foi geral. 

 Arquivo pessoal Embora a vitória olímpica tenha vindo há duas semanas, Rogério conta que a rotina do “pai de ouro” já mudou. Dos tapinhas nas costas aos pedidos de fotos, ele pega carona na fama instantânea da filha:

– Estou parecendo até mulher bonita: por onde eu passo, todos querem tirar fotos comigo. O pessoal não me chama mais de Rogério. Me chamam de "pai da Sarah" ou de "Rogério de Ouro".

Antes de pensar nos novos passos da carreira da judoca de 22 anos – incluindo, claro, a preparação para a Olimpíada do Rio, em 2016 –, Rogério planeja curtir o domingo. Ele prevê "o melhor Dia dos Pais de todos".

"Já passamos muitos Dias dos Pais afastados, mas a busca de um sonho é maior que a distância"

 Arquivo pessoal César Cielo, pai, também acompanha com orgulho e emoção as braçadas vitoriosas do filho homônimo. Ele admite que, depois do ouro e do bronze obtidos pelo nadador nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, a expectativa dele (e do Brasil) era dourada. Mas ressalva que só a participação do filho na principal competição do planeta já se tornava "algo muito especial":

– Participar de uma Olimpíada já é fantástico. Chegar à final e ganhar uma medalha, seja qual for a cor dela, não tem preço. É incrível – comemora.

Pai e filho celebrarão juntos no domingo. Um encontro nem sempre comum nos últimos anos, quando a preparação do nadador nos Estados Unidos forçava a distância até em datas comemorativas. Para Cielo, o sacrifício é compensado pela "busca dos sonhos, maior do que qualquer distância". Ele acredita que, às vezes, é preciso estar longe de casa para alcançar os objetivos desejados:

– Durante três ou quatro anos, ele (Cesar Cielo) não passou o Dia dos Pais com a gente. Sentimos saudades, mas estamos sempre apoiando porque esse é o sonho dele.

Apoio não é necessariamente sinônimo de gritos e aplausos. Cielo se diz torcedor contido. Na opinião dele, os gritos devem ser guardados para a comemoração, na linha de chegada, até porque não podem ser escutados quando o nadador está com a cabeça dentro d’água. Por isso, a solução é roer as unhas e rezar pela vitória:

– Torço mais por dentro durante a prova. Faço as minhas preces e deixo para me manifestar ao fim.

Como pai, faz questão de garantir que torce na mesma medida pela filha Fernanda Cielo, que pretende mergulhar no jornalismo. "Ambos são importantes para mim. Não existe diferença entre os dois", diz ele.

Ex-atleta brasileiro descreve sensação de ver filha no mesmo esporte.

 Arquivo pessoal Nelson Rocha dos Santos, ex-velocista brasileiro, achava que nada superaria a sua emoção de ter disputado os 200m rasos nos Jogos de Moscou, em 1980. Passados 32 anos, ele diz se ver na filha, Evelyn dos Santos, atleta também dos 200m rasos e do revezamento 4x100m em Londres, que alcançou o pódio da comoção:

– A emoção é muito maior, porque eu acompanhei a luta dela, que conseguiu superar várias barreiras. Além disso, Evelyn é o bem mais precioso.

A exemplo de Cielo e de outros tantos familiares de atletas de ponta, Nelson passa longos períodos sem ver a filha, cuja rotina de treinamento é extremamente rigorosa. Ele também considera que a distância é compensada pela emoção de vê-la competindo, e por uma sintonia que supera limites:

– Ao acompanhar pela TV a Olimpíada de Pequim, onde Evelyn competia, eu vi um voluntário usando uma camisa azul e branca linda. Tinha as cores da minha escola, a Portela. Mas não falei nada sobre isso para a minha filha, porque não queria tirar o seu foco. Porém, quando ela voltou ao Brasil, me deu uma camisa igual à que eu tinha visto. Todos se surpreenderam com essa conexão involuntária entre nós dois. Fiquei tão emocionado que guardo essa camisa com muito carinho e me emociono quando me lembro deste caso – lembra.

A sintonia se mantém mesmo à distância. Nelson conta que, nos Dias dos Pais em que Evelyn está competindo, ela não se esquece de fazer contato:

– Ela me liga, manda e-mail e eu fico muito feliz por ter uma filha vencedora no mesmo esporte que eu disputei.

O ex-atleta diz que procura não interferir no treinamento da filha. Segundo ele, "o temperamento forte dos dois poderia causar problemas". Assim, ele dá apenas “pitacos” e o incondicional apoio de pai:

– Antes de tudo ela é minha amiga. A partir do momento em que ela nasceu, minha vida mudou totalmente.