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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


Meio Ambiente

Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação abre debate da Rio+20

Ana Luiza Cardoso, Caio Lima e Caio Fiusa

11/06/2012

 Carlos Serra

“O Rio de Janeiro é o estado que mais recebe investimentos e é o que menos desmata”, declarou o secretário de Ambiente do governo do estado, Carlos Minc, na abertura do Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para Desenvolvimento Sustentável, realizado nesta segunda-feira, 11 de junho, no ginásio da PUC-Rio. O fórum reuniu líderes políticos e cientistas para discutir o envolvimento da ciência e da tecnologia nas propostas para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Para Minc, a diminuição no desmatamento da Mata Atlântica registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é um exemplo de desenvolvimento sustentável no Brasil e deve servir de parâmetro para outros países:

– Entre agosto de 2010 e julho de 2011 o Rio de Janeiro desmatou menos de 1 km² e chegou quase ao desmatamento zero proposto pelo Greenpeace. Essa constatação é motivo de orgulho e reflexão para todos nós, pois fica comprovado que é possível desenvolver sem desmatar – disse.

Para o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, a maior preocupação do Brasil deve ser a irradicação da pobreza. Ele destacou também a importância dos debates sobre os novos conceitos de conservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento econômico:

– A importância desse fórum em paralelo à Rio+20 é levantar a discussão sobre os novos conceitos de sustentabilidade e chegar a um consenso sobre a economia verde, que é um assunto que ainda deve ser melhor elaborado – disse o ministro. – O Brasil tem que pensar na solução dos problemas ambientais sem deixar de lado a resolução de problemas ambientais e o desenvolvimento econômico.

Também estiveram presentes na abertura do fórum o reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira, presidente da ICSU, Yvan T. Lee, a assistente de direção do Nature Sciences Sector da Unesco, Gretchen Kalonji, a diretora executiva da ISSC, Heide Hickmann, e Jorge Spitalnik, da World Federation of Engineering Organizations (WFEO).

À tarde, o ciclo de palestras contou com a presença da vice-presidente executiva da Path Fundação Filipinas (PFPI) Joan Regina Castro, da diretora executiva do Centro de Apoio ao Socioambiental (Casa), Maria Amalia Souza, e do consultor técnico sobre população e desenvolvimento econômico do Fundo das Nações Unidas Michael Hermann.

Os palestrantes discursaram sobre o crescimento demográfico desenfreado, o alto consumo de recursos naturais e suas consequências. Hermann falou sobre a estrutura do desenvolvimento sustentável e suas implicações políticas.

– É necessário mudar as políticas demográficas e controlar o crescimento demográfico. Tudo o que usamos tem um impacto ambiental, nada veio do nada. 

Sobre crescimento demográfico, Hermann foi direto ao afirmar que não se trata de uma causa específica:

– Crescimento demográfico é uma responsabilidade global.

Sobre a iminente escassez de recursos naturais no mundo, a vice-presidente executiva da Fundação Path Filipinas relatou o que ocorre em seu país. De acordo com Joan Regina Castro, 62% dos filipinos residem na costa e dependem da pesca, o que não impede que passem fome. No ano de 2009, o número de pescadores pobres subiu de 26,5% para 41,4%. Segundo ela, o crescimento demográfico pode agravar esta situação:

– Se a população continuar crescendo na costa das Filipinas e, consequentemente, a dependência da pesca, a proteína crucial do país vai ser perdida.

A Fundação Path Filipinas é uma organização privada de caridade com presença nas Filipinas e no Havaí, com a missão de melhorar a saúde, conservar a biodiversidade e promover o desenvolvimento sustentável no região Ásia-Pacífico.

No fim da tarde, uma mesa debateu a questão da produção e do consumo sustentável para os próximos anos.

A mesa foi formada pelo pesquisador do Institute for Global Environmental Strategies (Iges-Japão) Lewis Akenji, pela pesquisadora do Sustainable Europe Research Institute Sylvia Lorek, pelo representante da ONG Green Liberty Janis Brizga, pelo professor do Department of Building e da National University of Singapore Harn Wei Kua e pela professora da University of Wageningen (Holanda) Sylvia Karlsson-Vinkhuyzen.

Na opinião de Akenji, é um equívoco apenas pensar no crescimento de uma economia.

– Deveríamos imaginar a economia formal de modo sério, entendendo os dispositivos de consumo para manter o bem-estar. Assim, talvez possamos encontrar indicadores mais realistas para uma vida melhor no futuro. Ser responsável não é olhar por parâmetros econômicos – afirmou o pesquisador do Iges.

Relator da mesa, o professor Marcos Cohen, do Departamento de Administração da PUC-Rio e que fez parte da delegação de professores da universidade que esteve no Planet under Pressure, outro evento pré-Rio+20 realizado em março, em Londres, seguiu a mesma linha crítica e afirmou ser difícil exigir a participação da população e ao mesmo tempo adotar políticas de estímulo ao consumo.

– Uma política manda produzir sustentavelmente e outra pede para que todos consumam cada vez mais. Essa situação é paradoxal. Desse jeito será muito difícil ter recursos daqui poucos anos – opinou Cohen, em referência ao pacote de incentivos do governo brasileiro à redução de impostos para venda de veículos.

A pesquisadora alemã Sylvia Lorek defendeu que os governos devem distribuir as tarefas sustentáveis para a sociedade, e ter a responsabilidade de cobrar as ações:

– O governo deve determinar o que é sustentável e exigir sua aplicação.

Confira outras informações sobre o fórum e a programação aqui. E, nesta terça, dia 12, assista ao vivo, pelo Portal, aos projetos da Exposição Resto, realizados por alunos de Publicidade do Departamento de Comunicação da PUC-Rio, às 7h, 9h e 11h.