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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Meio Ambiente

Especialistas debatem fontes de energia renovável

Caio Lima e Igor de Carvalho - Do Portal

28/09/2011

 Arte: Lucas Terra

Vale a pena investir em usinas nucleares hoje? Na opinião do engenheiro especialista em energia nuclear Leonam Guimarães, sim, pois “atenderia a pequena parcela de geração térmica de base com um sistema bem reduzido a mínimo custo, e sem geração de gases do efeito estufa”. Guimarães esteve na PUC-Rio na última terça, 20, para participar do seminário Reflexões da Engenharia: Alternativas Energéticas para o Brasil, no qual também estiveram presentes os engenheiros Jerson Kelman e Roberto Schaeffer. Guimarães, no entanto, não se considera um ferrenho defensor desse tipo de energia.

– Existem inúmeras respostas, dependendo do contexto. A discussão deve ser em torno de como usá-la em benefício da sociedade – ponderou Guimarães.

O acidente ocorrido no Japão no início do ano mostra que a análise de risco de acidentes nucleares e as medidas para sua prevenção, feitas antes da decisão pela implantação de uma usina nuclear, deverão ser mais rigorosas.

O tema também desperta a atenção do governo brasileiro. Em entrevista ao Portal PUC-Rio Digital, a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, afirmou que este comportamento deverá ser adotado no Brasil, tanto para as usinas em funcionamento, quanto para futuras:

– Isso significa que as simulações deverão prever situações extremas de ocorrência de acidentes, com tempo de retorno de longuíssimo prazo.

O engenheiro Washington Braga, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da PUC-Rio, afirma que não há como evitar danos ao meio ambiente, “nem se optarmos por voltar a viver nas cavernas”. Sendo assim, segundo ele, a única possibilidade é minimizá-los.

– Porém, não podemos nos dar ao luxo de ignorar as formas limpas de geração de energia – ressalva o engenheiro. 

No horizonte até 2020, a expansão da oferta nuclear no Brasil se resume à construção da usina Angra 3. Segundo Guimarães, isso não significa um aumento no uso desse tipo de energia a ponto de ser abundante.

– Se olharmos os gráficos da geração hidrotérmica esperada, em longo prazo, o papel percentual nuclear com Angra 3 não sofre significativa alteração – afirma.

A energia eólica foi apontada no seminário como uma boa fonte de energia sustentável. O especialista Roberto Schaeffer afirma que é a que mais cresce no mundo, “graças à sua rápida queda de preços e, também, à melhora significativa em sua tecnologia”. O engenheiro defende maior uso dessa energia no Brasil, pois o potencial eólico brasileiro é “muito bom”.

– O fator de capacidade brasileiro, que é a porcentagem de tempo que o reator fica ligado, excedeu a 40%. Na Alemanha, não chega a 20%. Apesar da variabilidade do vento, certas regiões do Brasil ventam quase 100% do tempo. Então, no Brasil, um dos maiores problemas para a geração eólica não é problema – destaca Schaeffer.

Na opinião da ministra do Meio Ambiente, a confiabilidade no uso da energia eólica depende da formação de uma série de dados que demonstrem a frequência de ocorrência dos ventos nas diferentes regiões do país. Ela também alerta para o impacto ambiental:

– A implantação de parques eólicos gera impactos no ambiente natural e seu uso deve se dar de forma sustentável, contemplando a avaliação de todos os impactos e prevendo formas de mitigá-los e minimizá-los adequadamente.

A ministra afirma que o ideal para exploração de energias renováveis é a diversificação de suas fontes.

– Para tanto, incentivos devem ser criados, e o investimento em pesquisa é fundamental – concluiu.