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Rio de Janeiro, 15 de junho de 2024


Ciência e Tecnologia

O futuro na tela da TV

José Augusto Martini e Glaucia Marinho - Do Portal

16/10/2008

 Paula Giolito

A TV digital é uma realidade no Brasil desde o dia 2 de dezembro de 2007 - a data marca a primeira transmissão em território nacional, realizada em São Paulo. O período de transição é lento e o governo espera conclui-lo em dez anos, com a abolição do modelo analógico em 2017. A magnitude do projeto é também sua dificuldade. De acordo com o diretor do Instituto de Mídias Digitais da PUC-Rio, Luiz da Silva Mello, o Brasil tem 57 milhões de televisores em 41 milhões de domicílios - 93% destes dispõem de TV analógica. “No Brasil as pessoas dão prioridade para comprar o fogão, em seguida a televisão e só depois pensam na geladeira”, afirmou, em seminário realizado durante a XII Mostra PUC-Rio.

Além da melhora na qualidade da imagem e do som, a TV digital tem uma série de vantagens como a mobilidade – recepção do sinal em movimento –, a portabilidade – recepção em diversos tipos de equipamentos –, a flexibilidade – possibilidade de oferecer vários serviços –, múltiplas transmissões no mesmo canal, e o principal deles, a interatividade – responder uma pesquisa ou fazer compras. “O processo é semelhante ao da mudança da TV em preto e branco para a colorida. No primeiro ano o crescimento é pequeno, depois aumenta com a introdução de novas tecnologias e com o incremento das vendas”, previu o diretor do IMD. Luiz da Silva aproveitou para falar da escolha do padrão japonês e da inclusão, no sistema final, de um software desenvolvido no Brasil, o Ginga.

Resultado de anos de pesquisa da PUC-Rio e da Universidade Federal da Paraíba, o Ginga é um software brasileiro que permite o desenvolvimento de aplicações interativas para a TV Digital. “Apenas o Ginga permite uma maior interação do usuário com a TV, e todas as novidades no projeto são criações nacionais”, revelou o pesquisador do Laboratório de Telemídia da PUC-Rio, Carlos Eduardo Batista. O programa reúne um conjunto de tecnologias e inovações que o tornam o middleware - ligação entre o equipamento e o sistema - mais avançado e adequado à realidade do país.

- Além da interatividade, o Ginga individualizará a experiência. Uma pessoa poderá assistir a um jogo de futebol e escolher o melhor ângulo da camêra e também poderá ver uma reprise  ou acompanhar diversas informações sobre os jogadores e as equipes – destacou o pesquisador Carlos Eduardo.

Projetos sociais em foco

A XII Mostra PUC não foi apenas uma grande feira de estágios, mas também um espaço de oportunidades. A Pastoral Anchieta recebeu 14 crianças do Instituto Reação para uma apresentação de judô do projeto social fundado em 2003 pelo atleta Flávio Canto e pelo professor Pedro Gama Filho. O instituto atende cerca de mil crianças nas comunidades da Rocinha, Cidade de Deus, Tubiaganga, na Ilha do Governador, e na escola Pequena Cruzada, na Lagoa. Hoje, o Instituto Reação é o primeiro no ranking de judô do Rio de Janeiro.

O professor do Departamento de Design da PUC-Rio, Antônio Joaquim de Macedo Soares, participa da ONG desde sua fundação. Para ele, a inclusão social por meio do judô, dá certo. “O judô tem características especificas: disciplina e respeito. É um processo educacional e isso é base de um país que quer se desenvolver”, argumenta.

Além do judô, o instituto oferece tratamento psicológico, odontológico, fisioterápico, acompanhamento escolar, aulas de inglês e espanhol e 40 bolsas em escolas particulares de ensino fundamental e médio no Rio e dez em universidades. Quatro jovens assistidos pelo projeto já são formados.

 Tudo começou na Rocinha. Segundo o professor, a escolha pelo morro não foi por acaso. “Se o projeto desse certo lá daria certo em qualquer lugar”, diz ele. Em 2000, Flávio e Pedro criaram o “EducaAção”. Eles contavam com o apoio da prefeitura do Rio, mas com a mudança de governo, em 2002, o contrato não foi renovado e o projeto perdeu sua maior financiadora. O “EducaAção”, que tinha cinco pólos, manteve apenas o da Rocinha. Para dar continuidade, Flávio percebeu que uma nova organização teria que ser montada. Em 2003, criou o Instituto Reação. Hoje, além do judô, os voluntários gostariam de poder contar com novas atividades como teatro, música e dança. “Mas falta de dinheiro e tempo”, conclui o professor.