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Rio de Janeiro, 20 de maio de 2024


Ciência e Tecnologia

Robôs campeões

Gabriela Ferreira - Do Portal

23/10/2007

A equipe RioBotz, formada no Departamento de Engenharia da PUC-Rio, conquistou duas medalhas de ouro na Robogames 2007, competição de robôs gladiadores realizada anualmente nos Estados Unidos, uma espécie de campeonato mundial da categoria – este ano, realizada na cidade de São Francisco, em junho. O robô Touro venceu na categoria peso médio e o Touro Light, na peso leve. Formada por 15 pessoas, entre alunos da graduação, da pós-graduação, ex-alunos e professores, a equipe RioBotz está no terceiro ano de competições internacionais e se dedica em tempo integral à confecção dos robôs – alguns chegam a pesar 55 quilos e podem custar R$ 15 mil.

O combate das máquinas na arena é esporte indicado para quem se interessa por tecnologia. Há disputas no mundo todo. A Robocore é a única liga brasileira, e organiza dois campeonatos por ano. Um deles é o Robocore Winter Challenge, no qual a Riobotz foi campeã pela quarta vez consecutiva, em julho deste ano. A equipe desenvolveu um tutorial que ensina a construir robôs para competições. Já houve mais de 5.000 downloads, sem contar os inúmeros pedidos de tradução para o inglês.

Segundo o coordenador do projeto, professor Marco Meggiolaro, o objetivo do tutorial é estimular a criação de novas equipes e o interesse dos alunos, além de divulgar o nome da universidade. Estudante do 5º período de Engenharia, Eduardo Ristow, de 27 anos, é o capitão da equipe. Ele falou com o Portal PUC-Rio Digital sobre os robôs da universidade. Em seguida, a entrevista.

Existe algum processo de seleção para fazer parte da RioBotz?

Temos um processo bastante informal de escolha dos participantes. Muitas vezes há alunos que se interessam e passam a participar dos processos de montagem, interagindo. Quando percebemos que eles são muito interessados, aí entram para a equipe. Muitos alunos que já estão formados vêm ajudar, inclusive aqueles que fazem mestrado, que, mesmo sem muito tempo disponível, ainda se dedicam a isso.

Como é o processo de construção dos robôs? Como se escolhem os nomes deles?

A equipe inteira pensa nos robôs. Há uma reunião na qual se faz o primeiro esboço e passamos alguns meses só com a idéia. Quando vemos que já chegamos no melhor que podemos fazer, só aí começamos a construir. A universidade patrocina todo o processo de construção e paga até peças importadas. Antes mesmo de existirem, nós já damos um nome para eles. Os nomes surgem de acordo com aquilo que cada um pode fazer. O Touro, por exemplo, consegue jogar os adversários de cabeça para baixo com os seus chifres. Os robôs são mesmo como se fossem nossos filhos. E é muito bom vê-los ganhar campeonatos.

Vocês estudam os adversários antes das competições?

Estudamos muito os robôs que existem no Brasil e no exterior. Vemos quais os principais projetos e pontos fracos. Se pudermos fazer os robôs sem os erros dos outros projetos, faremos. Um exemplo disso são os robôs que andam de cabeça para baixo. Reparamos que os robôs não sabiam andar de cabeça para baixo. Quando eram virados, ficavam paralisados. E fizemos um robô que conseguia. Hoje, muitas equipes já conseguem desenvolver robôs com essa técnica. Antes das competições fazemos reuniões estratégicas para discutir como driblar os adversários.

Os poderes dos robôs são criados em função da análise dos pontos fracos dos que já existem. Quais são as regras dessas competições?

Os rounds duram três minutos e pode-se ganhar do adversário de duas formas: ou inabilitando-o ou por decisão dos juízes. No segundo caso, o que conta é a agressividade, a estratégia, o ataque e a defesa. O adversário também pode desistir.

Em que casos a melhor opção é desistir da competição?

Quando o robô apanha muito e fica aberto, é melhor que o competidor desista da briga para não continuar a ter maiores prejuízos. Dentro do robô é que ficam as peças mais caras, o motor.

Quais os maiores problemas durante as competições? Já aconteceu de algum robô quebrar?

Já houve robôs que quebraram na véspera e até minutos antes de começar a competição. Existem muitos problemas nas competições, por causa do stress. Na última competição do mundial, um calouro, que tinha acabado de entrar na equipe, foi cortar o eixo do motor, tirar um pouquinho do eixo traseiro. Ele cortou o outro lado, que era o que íamos usar. Ficamos com um motor com dois lados muito pequenos. Tive que sair correndo, ligar para o fabricante, levar outro motor para a competição. Por sorte ele também ia, levou o motor e tudo se resolveu. Na hora bateu aquele desespero, foi engraçado, mas acabou dando tudo certo. Se o robô quebrar, tem que consertar de qualquer jeito. Se não tiver como, tentamos sair de uma forma criativa. Temos sempre que ter soluções na cabeça.

E quando vocês decidem que é a hora de montar um novo robô?

Eles vão ficando obsoletos. Mas, na verdade, o que é danificado no robô são as partes mais visíveis, as mais baratas. Alguns componentes dos robôs velhos podem ser usados nos novos. Dependendo do dano ocasionado durante um combate, as máquinas são reconstruídas.