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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Mundo

Fala de Obama sobre fronteira palestina mira eleição nos EUA

Gustavo Rocha - Do Portal

13/06/2011

 Getty Images

O discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, proferido no fim de maio, e que causou polêmica ao defender a criação do Estado Palestino com as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, de 1967, foi, segundo especialistas, uma tentativa do democrata de conquistar capital político para as eleições presidenciais americanas de 2012. Pela primeira vez, um presidente americano apoiou a reivindicação palestina sobre as fronteiras pré-1967.

Professor de história da PUC-Rio, Murilo Sebe afirma que esta é uma estratégia eleitoreira antiga, aproveitada por Bill Clinton na campanha de reeleição de 1996. Segundo Sebe, “Obama não quer resolver o problema Israel-Palestina, mas, sim, usá-lo como capital político”.  

 Stephanie Saramago – Mais importante que analisar o que foi falado é analisar o que não foi falado. Deve-se notar que, em um discurso cujo pano de fundo são os recentes conflitos políticos na África e Oriente Médio, o Iraque não foi citado. Afinal, os Estados Unidos ainda não sabem qual será o próximo passo após a retirada de suas tropas – afirmou Sebe. – O Iraque não é facilmente convertido em votos. A Palestina, sim.

Para o professor, o discurso-resposta do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no Congresso americano, também está restrito à retórica. Na ocasião, o líder do partido conservador Likud se mostrou disposto a fazer “dolorosas concessões”, que implicariam na entrega de “partes da terra natal ancestral do povo judeu”. Porém, vetou qualquer possibilidade de devolução de territórios ocupados na Cisjordânia e nas Colinas de Golã, “regiões que para Israel são estratégicas e, por isso, inegociáveis”, segundo Sebe.

– É difícil conceber o retorno às fronteiras pré-Guerra dos Seis Dias, já que Israel as justifica como “ganhos de guerra” por tê-las ocupado após vencer o conflito – disse Maurício Parada, professor de História da PUC-Rio. – Mais impensável ainda, para Netanyahu, é devolver ou dividir Jerusalém com os palestinos.  Stephanie Saramago

Murilo Sebe acrescenta que a concessão ou divisão da cidade sagrada, por tudo o que representa religiosa e historicamente aos judeus, acarretaria em grande prejuízo político a qualquer líder israelense.

– Aquele que ceder Jerusalém em uma negociação ficará marcado para sempre, seria uma grande derrota. Isso por que a cidade é como uma metonímia: uma pequena parte que representa todo o Estado de Israel – analisou.

Para o professor de Direito Internacional da PUC-Rio Gustavo Sénéchal, a questão não se resolverá somente com discursos. Sénéchal criticou o histórico de Israel de não cumprimento de normas internacionais e desrespeito a outros Estados e povos.

– A expansão de Israel é colonialista e viola o direito do povo palestino à autodeterminação – acusou. – Para enquadrá-lo no ordenamento jurídico internacional, o Conselho de Segurança da ONU poderia adotar medidas baseadas no Capítulo VII da “Carta da ONU”, de 1945, que aborda a manutenção da paz e segurança internacionais. Mas isso é impossível, tendo em vista o veto dos Estados Unidos a qualquer iniciativa nesse sentido.