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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Cultura

Fascínio por tecnologias é matéria para o cinema

Carina Bacelar - Do Portal

01/06/2011

Se a intelectualidade hoje menospreza o gênero terror no cinema, nem sempre foi assim. Durante os anos 1930, o expressionismo alemão aliava a temática do fantástico a uma aura de “obra de arte”. Convidado para presidir debate na PUC-Rio sobre O testamento do Dr. Mabuse, clássico de Fritz Lang, o especialista em cinema e cybercultura EricK Felinto afirmou que "é preciso vencer o preconceito contra o gênero horror no cinema". Para o professor da Uerj, essa categoria de filmes exprime – sensorialmente mais que narrativamente – a perplexidade do homem diante das novidades. Eric observou que o desenvolvimento tecnológico, sobretudo da mídia, é um dos principais assuntos explorados por tais filmes, ainda que o espectador não perceba.

– O cinema reproduz a vida psíquica do espectador. Por isso, esses medos vão parar na tela – argumentou Felinto.

Quando o cinema surgiu, o espanto de ver a imagem diante das telas provocava na plateia uma espécie de hipnose coletiva. Por isso, em seus primórdios, um dos temas mais recorrentes do gênero horror era o exercício de poderes sobrenaturais.

– Mabuse exerce um poder hipnótico, como se tivesse olhando para a audiência. O cinema é uma arte da hipnose, tem o poder de hipnotizar o espectador – afirmou o especialista.

Quando outras mídias surgiram, como a TV e o rádio, também foram exploradas pela sétima arte –inclusive por Fritz Lang, lembrou Felinto:

 – Em Os mil olhos de Dr. Mabuse, uma continuação de O testamento...”, o momento era a emergência da TV. Não por coincidência, a trama era a história de um homem que controlava as pessoas em suas próprias casas por meio de câmeras escondidas e via todas as imagens em algo semelhante ao circuito interno de TV.

As produções atuais do gênero, apesar de muitas vezes reconhecidas por narrativas estereotipadas, não abandonaram, segundo o professor, a tematização das tecnologias de comunicação:

– Ainda existem exemplos interessantes. O chamado, por exemplo, traz muitas questões relacionadas ás tecnologias de imagem. A história é de uma jornalista, uma profissional de mídia, que tenta, a todo momento, achar pistas. E ela as encontra em um filme surrealista que vê na tela de TV.

A influência das tecnologias digitais não deve, na visão do especialista, deixar de “ir para as telas” também sob forma de conteúdo – e não só como forma.

– As tecnologias afetaram todos os níveis de criação do cinema. O digital provocou uma transformação tão radical que afetou todas as mídias anteriores – ressaltou.