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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Professores indicam caminhos para a paz

Carolina Bastos - Do Portal

02/06/2011

 Luisa Nolasco

“As Unidades de Polícia Pacificadora não estão agindo de maneira correta”, afirmou a professora do Departamento de Direito da PUC-Rio Victoria Sulocki, na palestra Violência: ato violento ou ato de violentar, ontem, na universidade. Na avaliação de Victoria, as UPPs são insuficientes para solucionar a violência nas favelas e para dirimir diferenças sociais. Contra o que considera a banalização da vida – “hoje facilmente exterminável” –, ela aponta a preservação dos direitos do cidadão.

– Muitas vezes tentam acabar com a violência usando a violência – lamentou.

Para a professora, aquela estratégia reúne referências similares às de uma guerra. “Primeiro tem a ocupação militar, depois, a delimitação do espaço físico e análise do que vai ser instalado no local. Mas as diferenças sociais continuam lá”, opinou.

 Luisa Nolasco 

O professor de filosofia da PUC-Rio Eduardo Jardim discorda. Para ele, a dominação política está cada vez menos violenta, pois "não estamos mais condenados aos parâmetros instrumentais de antigamente":

– A sociedade hoje se importa com o sistema, e não com a produção. Depende mais do funcionamento do que da violência, do controle.  

Já na opinião do professor de filosofia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), André Duarte, autor do livro Vidas em Risco, a violência surge a partir da "vontade de poder do indivíduo, que nunca é saciada":

– Ele (o indivíduo) quer sempre estar querendo. Então, a vontade é referencial: vontade de vontade – explica.

Duarte considera as UPPs uma "estratégia de normalização comum em nossa sociedade de controle". Para o professor, o “fantasma disciplinar” tenta manter uma sociedade regular por meio de práticas violentas.

 Luisa Nolasco

A solução exige, segundo Vctoria, a consciência de que os direitos são soberanos. “Precisamos compreender antes de julgar. Todos têm direitos penais”, lembra.

– O juiz, por exemplo, precisa entender o porquê daquele ato violento antes de aplicar uma lei. Mas ninguém consegue enxergar o criminoso como uma pessoa normal. Ele é visto como um marginal – pondera.