Projeto Comunicar
PUC-Rio

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2018


Cidade

Jornalistas contam como renovam função social

Gabriela Caesar - Do Portal

24/05/2011

Luisa Nolasco  A função social no jornalismo é plenamente exercida? Para discutir o tema, os jornalistas Eduardo Auler e Vinicius Neder vieram à PUC-Rio na quinta-feira passada (19) participar de debate mediado pelo professor Leonel Aguiar, também coordenador do curso de jornalismo (assista à íntegra). Eduardo (foto), chefe de reportagem do jornal Extra, lembrou as dificuldades enfrentadas na produção de reportagens de "cunho social".

– Não é fácil a matéria sobre o ensaio sensual de um ator, à qual só foi preciso copiar e colar uma foto, ser 10 vezes mais lida que a sua, na qual você demorou um mês; para a qual você entrevistou várias pessoas; e com a qual você acha que está colaborando para a sociedade – afirmou.

O especialista em coberturas sobre educação confia, entretanto, na sobrevivência da função social do ofício. Ele a considera até estratégica para a imagem de responsabilidade das empresas jornalísticas e dos profissionais de comunicação:   

– O jornal é uma marca que se fortalece com as grifes que existem dentro dele. São os repórteres que dão credibilidade a essa marca – acredita.

Luisa Nolasco  Autor do livro Jornalismo e a exclusão social: análise comparativa nas coberturas sobre crianças e adolescentes (Editora Multifoco, R$ 45), Vinicius (foto) identifica um crescimento da temática social entre meados dos anos 1990 e da primeira década do século XXI, relacionado ao processo histórico brasileiro. Vinicius, porém, ressalva:

– Esse ganho de espaço não significa necessariamente uma qualificação, uma melhoria na qualidade.

Em busca do avanço da qualidade do conteúdo jornalístico, Vinicius pesquisou, na dissertação de mestrado que deu origem ao livro, se “princípios básicos, como ouvir os dois lados e não usar termos pejorativos, eram menos atendidos no dia a dia que em coberturas especiais”. Ele verificou que reportagens premiadas tinham uma média de quatro fontes, contra entre 1,1 e 1,3 em matérias comuns, segundo relatórios da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi).

Ex-orientando de Vinicius, o professor Leonel Aguiar destacou a importância de iniciativas como o Prêmio Esso para a valorização das melhores práticas jornalísticas – boa parte delas convertidas em contribuições sociais:

– Servem para mostrar o que há de mais relevante no trabalho dos jornalistas. São as melhores práticas jornalísticas apontadas pela própria comunidade jornalística.

Vencedor do Prêmio Esso de Reportagem em 2006, pela série de reportagem intitulada Adeus, Futuro, sobre a evasão escolar no Rio, Eduardo lembrou que a pauta veio do estranhamento em relação a um dado no release da Secretaria estadual de Educação: 20% dos alunos deixavam a escola. Para apurar a história, ele abriu mão das férias e superou, com a ajuda da sorte, a dificuldade em visitar colégios de cidades mais distantes, como Macaé e Friburgo:

– Soube de um concurso de banda em uma escola pública em Niterói do qual participariam estudantes de diferentes regiões. Fui até lá e peguei o contato de cada um deles – explicou o jornalista, que entrevistou 150 estudantes.

Espirituoso, Eduardo divertiu a plateia ao recordar os bastidores de sua primeira série de reportagens premiada, pela Sociedade Americana de Imprensa (SIP):

– Fiquei dois meses copiando a mão, mais de cem relatórios do abandono dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) do governo Garotinho (1999-2002). Todo dia. No fim, depois de ter copiado praticamente tudo, eu conquistei a confiança de uma das coordenadoras e ela me deu os relatórios.