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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Cultura

Diretores debatem função da fotografia no cinema

Stéphanie Saramago - Do Portal

10/05/2011

 Isabela Sued

Diretores e plateia debateram a função da direção fotográfica no cinema, na semana passada, no campus da PUC-Rio. Convidados para a mesa “A Fotografia Cinematográfica pelo Olhar dos Diretores de Cena”, promovida pela Semana ABC de Cinema, Felipe Joffly, Vicente Amorin e Walter Lima Junior enfatizaram que a fotografia não deve ofuscar a história central de um filme. O debate foi coordenado por Maritza Caneca.

Os diretores ressaltaram que o espaço da fotografia num filme não deve sobrepor o lugar da narrativa. Felipe Joffly notou que a fotografia "é quase uma armadilha". Segundo ele, deve-se tomar cuidado para que a beleza de uma cena não atrapalhe o desenvolvimento da história. Ele citou o exemplo de um de seus filmes:

– Em certa cena que estavámos gravando, um determinado objeto foi posto em um dos ambientes. E a composição, luz, fotografia estavam lindos. Mas parei e percebi que aquela cena nada tinha a ver com a narrativa. Tive que desmontar, não podia deixar que a harmonia da cena atrapalhasse o foco – explicou Joffly.

Vicente Amorin ressaltou que "o importante é a história". Por isso, para o diretor, as conversas de pré-produção são importantes, “tudo tem que estar a serviço da narrativa”.

Walter Lima Junior concordou. Para ele, a conversa sobre a construção da estética em um filme é constante, ela começa na pré-produção e continua na música, edição de som até o filme acabar:

– Cinema é a soma de várias expressões – completou o diretor.

Lima Junior falou da parceria com Pedro Farkas, responsável pela direção fotográfica de seus filmes. Segundo o palestrante, o importante é que a imagem transcreva a cena, deve passar o que o diretor está sentindo. Por isso, explicou, "sempre discuto a cena antes com o diretor de fotografia, quem cuida da imagem". O diretor de fotografia Felipe Joffly concordou, “é importante buscar sempre uma parceria com o diretor”.

A filmagem em película e no digital foi outro tópico levantado e de muita dúvida entre os estudantes presentes. A escolha, segundo os diretores, é feita pela produção do filme, que vai se basear nos custos de produção. Apesar de ter diminuído bastante a quantidade de filmes rodados em película, o modo é ainda o que apresenta melhor resultado para eles. Mesmo assim, Maritza Caneca lembrou que a fotografia do filme não muda, afinal, “o olhar é o mesmo”. Vicente Amorin apontou para a "falta de intenção" ao se filmar com o digital. O diretor explicou que como o custo é menor comparado a película, um dos perigos é a falta de rigor nas filmagens.

Walter Lima Junior ressaltou a “competência e afinidade” durante a escolha de um diretor de fotografia. Segundo o diretor, a escolha tem que fazer valer o filme sem esquecer da convivência que terão:

– Durante a construção do filme a gente forma uma família, um corpo, tem que existir afinidade e sintonia – justificou.