Projeto Comunicar
PUC-Rio

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Mundo

Ruanda é marco para mudança na ONU

Igor de Carvalho - Do Portal

12/04/2011

Considerada por alguns analistas uma omissão histórica, a falta de envolvimento da comunidade internacional e da Organização das Nações Unidas nos conflitos que culminaram no genocídio ocorrido em Ruanda, no ano de 1994, tornou-se um marco na mudança de comportamento da ONU frente à iminência de casos de violência contra civis. O diretor do Centro de Informação da ONU no Rio de Janeiro, Giancarlo Summ, afirmou, em seminário na PUC-Rio, segunda-feira passada, que, caso houvesse a necessidade de se impedir o início de um genocídio em qualquer país, a organização não hesitaria em mandar tropas militares para conter ataques contra civis.

– No genocídio em Ruanda, o Conselho de Segurança da ONU não aprovou o envio de forças militares por motivos internos. Ninguém teve vontade ou estômago para liberar as tropas – justificou.

Após o genocídio em Ruanda, a ONU começou a discutir o princípio da "responsabilidade de proteger". De acordo com esse princípio, o conselho internacional tem o dever de intervir quando governos não garantirem a segurança, a fim de evitar tragédias e proteger civis. 

– Observamos esse princípio na prática durante as últimas semanas, com as resoluções sobre os acontecimentos na Líbia e na Costa do Marfim.  Mesmo com o princípio de Westfalia, que garante a soberania dos países, devemos intervir quando há violência contra civis – argumentou Summ.

A carência de informações e imagens precisas sobre o caldeirão étnico em Ruanda contribuiu para o distanciamento da comunidade internacional. Segundo o professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio (IRI) Alexandre dos Santos, "as pessoas não perceberam a profundidade do caso":

– Faltou uma maior disseminação de imagens que mostrassem o momento de alta pressão em Ruanda. Ninguém sabia o contexto das poucas informações que chegavam. A própria liderança hutu (etnia que realizou o massacre contra a etnia tutsi) fez bom uso dos meios de comunicação existentes no local, como o rádio e jornais, para fazer propaganda do sentimento de ódio existente – avaliou.

Para a professora Simone Rocha, também do IRI,  a política poderia ter sido uma alternativa para evitar a tragédiua em Ruanda: 

– Poderiam ter feito uma intervenção política mais presente. Uma pressão maior junto à França para evitar o genocídio.

Na avaliação de Simone, a decisão do Conselho de Segurança da ONU não ter liberado as forças militares remete, entre outros fatores, aos problemas internos dos Estados Unidos, que tinham "acabado de sair de uma intervenção na Somália". 

– A política interna americana estava em jogo em 1994. Eles tinham passado por maus momentos durante o período em que estavam na Somália, onde perderam muitos soldados – contextualizou.