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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Prefeitura do campus intensifica o combate à dengue

Carolina Bastos - Do Portal

12/04/2011

 Luisa Nolasco

Diante das estatísticas assustadoras da dengue, a Pontifícia Universidade Católica intensificou as medidas de prevenção e combate ao mosquito causador da doença, Aëdes Aegypt. Só em 2011, já somam-se 16 mil casos confirmados na cidade do Rio. Na semana passada, o número de contaminados foi dez vezes maior do que o da primeira semana do ano. Por conta da característica bucólica do campus, com bambus e bromélias – cuja retenção de água pode favorecer a proliferação de larvas de mosquito –, a universidade estuda, por exemplo, a aplicação de fumacê por agentes da Comlurb.

Como a PUC-Rio é "rodeada de floresta", o coordenador do Serviço de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho na PUC-Rio (SESMT), Álvaro Martins Rodrigues, considera indispensável o combate à proliferação do mosquito uma tarefa árdua. Assim, avalia no uso do fumacê como “mal necessário”, pois outros métodos mostram-se insuficientes. Mas ressalva:

– A utilização desse recurso (fumacê) deve ser feita com rigor, cuidado, para evitar desequilíbrio ambiental. Para que não afete outros animais, como os micos e os pássaros. É uma decisão difícil a se tomar. Nossa preocupação em relação ao uso fumacê é causar um desequilíbrio ecológico.

A retirada de alguns criadouros de mosquitos e a limpeza diária do campus são mecanismo diários na luta contra a dengue. Dois a três agentes comunitários da Comlurb verificam as áreas que possam acolher foco de dengue. As remoções mais fáceis são feitas imediatamente, seguidas de aplicação de larvicida. As remoções mais difíceis são feitas com o reforço de profissionais da prefeitura do campus.

A supervisora de serviços gerais da PUC-Rio, Silvia Murtinha, acredita que o uso do fumacê ainda não é imprescindível. Segundo Silvia, a decisão depende também de avaliação técnica da Comlurb, que o aplica semanalmente na Rua Marquês de São Vicente (atrás da universidade) e, até agora, não decidiu se vai utilizá-lo também no campus. A supervisora conta que, na semana passada, a prefeitura da PUC foi alertada por um funcionário sobre bromélias com água próximas à Igreja Sagrado Coração de Jesus, mas não havia indícios de larvas.

– Os casos são mínimos diante de tantos alunos e funcionários. Além disso, não podemos comprovar que alguém foi picado dentro do campus. Se forem quatro casos de apenas um departamento, aí entra a maior preocupação, porque o mosquito pode estar ali – explica Silvia.

A prefeitura do campus aplica creolina nos locais onde há risco de existência de larvas e esvazia os locais com água. A aplicação de creolina é feita a cada sete dias (tempo que a larva do mosquito demora a eclodir). Em dias alternados, os jardineiros da PUC revisam todos os jardins e canteiros, recolhendo recipientes que possam acumular água. Em cada departamento, coloca-se areia nos pratos das plantas. Rodrigues lembra que, ano passado, a maior preocupação era com os bambus cortados, que causavam acúmulo de água. Hoje, eles são vedados com uma mistura de cimento e areia. As bromélias, um dos principais locais de retenção de água parada, recebem jatos de água limpa e larvicida.

 Luisa Nolasco 

A estudante de Publicidade da PUC-Rio Daniella Fleury, de 19 anos, perdeu uma amiga recentemente vítima da dengue. Ela reitera: “Prevenção é indispensável, a prefeitura do campus não pode parar de combater o mosquito”.

Até agora, foi confirmado apenas um caso de dengue dentro da PUC-Rio: um professor, já recuperado da doença. Mas na semana passada foram recebidos na Escola Médica de Pós-Graduação sete casos suspeitos. Os médicos lembram que pessoas com sintomas da doença (febre, dor no corpo, náusea) devem procurar imediatamente um hospital ou posto de saúde.

Rodrigues lembra que o combate à dengue exige uma conjugação de esforços. E manda um mensagem à "comunidade PUC:

– Joguem copos no lixo e comuniquem à prefeitura do campus sobre os locais com água parada. Difundam esses cuidados não só na universidade, mas também em casa. As pessoas podem fazer inspeções periódicas no ambiente domiciliar à procura de possíveis focos das larvas e mosquitos.

Como é a doença

A dengue é uma doença infecciosa, sistêmica, causada por um arbovírus. Existem quatro tipos diferentes de vírus do dengue: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4, que são encontrados principalmente em áreas tropicais e subtropicais. As epidemias geralmente ocorrem no verão, durante ou após períodos chuvosos.

A dengue pode ser transmitida por duas espécies de mosquitos (Aëdes aegypti e Aëdes albopictus), que picam tanto de dia quanto de noite. Os transmissores de dengue, principalmente o Aëdes aegypti, proliferam-se em recipientes onde se acumula água limpa (como vasos de plantas, pneus velhos, cisternas).

As manifestações da dengue são complexas e algumas simulam os sintomas de doenças virais. Ela se inicia de maneira inesperada e pode ocorrer febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos e dores nas costas. Às vezes aparecem manchas vermelhas no corpo. Em alguns poucos pacientes podem ocorrer hemorragias discretas na boca, na urina ou no nariz.

Ela pode evoluir de forma grave e fatal. O que determina a gravidade da doença é a resposta imune que altera a função dos vasos sanguíneos podendo levar a quadros de colapso vascular (choque hipovolêmico). A alteração quantitativa das plaquetas é um sinal de alerta, bem como o desaparecimento da febre, pois nesta situação é possível identificar os primeiros sinais de agravamento da doença. A importância de atenção nesta fase é a indicação precoce de reposição de volume intravascular, feito através de hidratação venosa, se necessária. É uma medida simples capaz de mudar o desfecho da doença, tanto em gravidade quanto em mortalidade.

 

O Serviço de Medicina Ocupacional da PUC-Rio informa aos professores, funcionários e alunos os detalhes sobre a evolução da dengue:

Casos suspeitos da dengue: Paciente com febre há menos de sete dias que vive, trabalha ou esteve em área de transmissão de Dengue e com pelo menos dois dos seguintes sinais ou sintomas: dores de cabeça, dores musculares e/ou das articulações, prostração, dor atrás dos olhos, náuseas com ou sem vômitos e erupção cutânea. Em mulheres que estão amamentando: sonolência, irritabilidade e choro persistente.

Caso confirmado de dengue: São casos suspeitos (sintomas e sinais sugestivos) com resultados confirmados pelos exames de sangue.

Fases clínicas: O paciente que apresenta os sintomas suspeitos passa por essas fases, cuja duração em sua totalidade é de 12 dias, na seguinte ordem:

1ª - Fase Febril: Essa fase tem duração de dois a sete dias. Nela, é difícil distinguir entre os sintomas de outras doenças (dor de cabeça, dores musculares e das articulações, mal estar geral, falta de apetite e náuseas). Além disso, há alteração progressiva na contagem de plaquetas e de glóbulos brancos.

2ª - Fase Crítica: Essa fase tem como duração de um a dois dias. Nela, há uma queda abrupta de temperatura axilar, com diminuição de glóbulos brancos e plaquetas, podendo possibilitar choques e hemorragias. Além disso, pode haver comprometimento de órgãos como o fígado, encéfalo e miocárdio. Muitas vezes os fenômenos hemorrágicos são desencadeados pelo uso prévio de Ácido Acetilsalicílico (AAS), corticóides, antiinflamatório, etc.

3ª - Fase de Recuperação: Essa fase tem como duração de dois a três dias, mais precisamente após 24 a 48 horas sucedendo a fase critica. Há uma melhora progressiva do estado geral. Podem ocorrer erupções e coceira nesta fase. Geralmente o numero de glóbulos brancos normaliza, mas as plaquetas só se normalizarão posteriormente.