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Rio de Janeiro, 24 de julho de 2024


Campus

Prounir pode ser replicado em outras universidades

Carolina Bastos e Daniel Cavalcanti - Do Portal

28/03/2011

Mauro Pimentel

Implantado na PUC-Rio em 2009, o Prounir (Protagonismo Universitário e Empoderamento Profissional) poderá ser estendido a outras universidades, em articulação com o Programa Universidade para Todos (Prouni). A proposta foi discutida sexta-feira passada, na PUC-Rio, por representantes desses programas, das instituições de ensino superior (IES) e do poder público, que participaram do seminário da Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Prouni (Conap).

Ao apoiar a proposta de articulação entre o Prouni e o Prounir, o professor Wanderley Quêdo, da Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE), argumentou que o Prouni é um “projeto emergencial que não deve estar sozinho” e ressaltou a importância do Prounir para as instituições privadas de ensino superior:

– Não creio que todas as instituições possam ter a estrutura da PUC-Rio para realizar esse tipo de ação, mas temos muito que aprender com o que a PUC tem feito aqui na questão de garantir a permanência do aluno na universidade – afirmou.

 Luisa Nolasco Segundo o vice-reitor Comunitário da PUC-Rio, Augusto Sampaio, que abriu o seminário na universidade, "o Prounir é um projeto de acompanhamento não só material, mas também psicológico, social e cultural".

– Ele vê o estudante de forma mais holística, como um ser humano que tem necessidades e carências. O Prounir merece ser copiado e, quem sabe, implementá-lo nas outras universidades, ao lado do Prouni. Eles devem caminhar juntos – sugeriu o professor.

Ao lado do presidente da Conap, peofessor Alencar Mello Proença, a diretora do Prouni Paula Branco de Melo destacou a evolução do programa e as "conquistas ao longo desses cinco anos":

– Das instituições privadas brasileiras, 75% já aderiram ao Prouni. Isso representa 850 mil estudantes beneficiados, 340 mil já formados, e 70% com bolsa integral atualmente.

Ainda segundo Paula, 80% dos primeiros formandos do Prouni estavam empregados, 60% deles na área de atuação escolhida, “o que é raro hoje em dia”, afirmou. Ela lembrou que a maioria desses estudantes representava a primeira geração na família a possuir diploma e "isso pode ser um incentivo aos parentes". Paula ressalvou, no entanto, que “eles têm dificuldade de permanência na instituição”, devido ao valor de transporte e alimentação, o que levou à criação, em 2006, da “bolsa permanência”, de R$ 300 mensais, para os alunos de tempo integral.

Na PUC-Rio, o programa de auxílio à permanência do estudante remete ao Fundo Emergencial de Solidariedade (Fesp). Destina-se a alunos com bolsa integral que se encontram em situação de pobreza. O Fesp ajuda no transporte, alimentação, moradia, material didático e no atendimento psicoterapêutico. Há pouco mais de um ano, o suporte ao estudante recebeu o reforço de uma iniciativa pioneira no país: o Prounir, criado para cuidar mais do desenvolvimento acadêmico e psicológico do estudante.

Todo bolsista da PUC, ao entrar na universidade, é encaminhado ao Prounir. Ele tem direito a tutorias com veteranos, oficinas, material didático e ingressos culturais. A coordenadora geral Norma Franco esclareceu, no seminário, a importância do projeto para a permanência do aluno na universidade:

– O aluno recebe a bolsa e consegue ingressar na faculdade, mas poucos permanecem. Criamos o Prounir porque foi visto – através de um grupo de professores – que mesmo com o Fesp, os estudantes ainda desistiam. Vimos que deveríamos focar na parte acadêmica e pedagógica, aumentar a autoestima do jovem carente. Tenho estudantes bolsistas que só começaram a andar pelo pilotis após o apoio do Prounir. Eles não podem se sentir diferentes, pois têm potencial assim como todos os outros alunos não bolsistas – explica Norma.

 Stephanie Saramago Proença também acredita que o modelo implantado na PUC-Rio possa ser replicado em outras universidades. Tal pioreirismo foi, segundo ela, um dos motivos da escolha da universidade para acolher o seminário:

– A PUC-Rio foi escolhida por ter uma relevância incontestável entre as universidades privadas do Rio de Janeiro. Além disso, reúne um número muito expressivo de "Prounistas" e ainda realiza um excelente trabalho paralelo, o Prounir. É importante que os outros representantes conheçam esse programa exclusivo da PUC-Rio e possam articulá-lo ao Prouni nas suas universidades.

O coordenador do Prouni nas Faculdades Integradas Helio Alonso, professor Ivan Nideck, qualificou o seminário como uma  “importante troca de informações”, essencial ao esforço conjunto de melhorar o suporte ao estudante. O coordenador do Prouni na Uniabeu, Rodrigo Rodrigues, avaliou o encontro como positivo para identicicar o que vem sendo feito nas outras universidades.

O professor Augusto Sampaio, vice-reitor comunitário da PUC-Rio, explicou como a imagem da universidade mudou com o programa de bolsas de ação social:

– A PUC sempre foi vista como a faculdade dos riquinhos, das patricinhas e mauricinhos. Há 16 anos, criamos a bolsa de ação social, e agora temos o Prouni, o Fesp e o Prounir. Todos esses programas provam que a PUC não é mais uma universidade para poucos. Não é mais exclusiva. Nós temos 13.529 alunos, e 5291 deles possuem algum tipo de bolsa – destacou.

Sampaio lembrou ainda que a gratuidade do ensino não garante a permanência do aluno na universidade, e enfatizou o papel do Prounir nesse processo:

 – O jovem carente precisa de auxílio. Ele precisa de programas paralelos, e não só a bolsa de ingresso na instituição. As outras universidades têm muito a aprender com o desenvolvimento do Prounir na PUC e com a experiência da nossa instituição nessa área de apoio ao estudante.

 Luisa Nolasco Outra discussão levantada durante a conferência foi a importância do papel da Comissão Local de Acompanhamento e Controle Social do Prouni (as Colaps), que regula internamente as instituições de ensino superior, no intuito de coibir as fraudes, tanto por parte da instituição, quanto por parte dos alunos que participam do programa, muitas vezes declarando uma renda menor para obter isenção.

– Não pode haver um sistema com verba pública onde não haja regulação, fiscalização e penalização. Dinheiro público é um bem de todos, não pode ser tratado como uma coisa qualquer – reiterou Wanderley Quêdo, da CNTE.

Edcler Tadeu dos Santos Pereira, da Educafro, enumerou os tipos de denúncia mais ouvidos por sua equipe em São Paulo. Segundo ele, existem golpes por parte de instituições de ensino superior, que aderem ao programa e não cumprem com a promessa de bolsa integral, oferecendo apenas bolsas parciais. “Não consigo distinguir a diferença entre essa prática e um crime de estelionato”, desabafou.

– As instituições privadas de ensino têm, sim, a responsabilidade social de aderir ao programa e de instituir as Colaps. Há instituições que não querem instituir esses conselhos. Mas como? Se não querem instituir Colaps, não deveriam aderir ao programa – revoltou-se Edcler Pereira – Esses conselhos são o intermediário entre os Centros Acadêmicos e o Conap, são eles que vão receber as denúncias e orientar os alunos.