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Rio de Janeiro, 17 de junho de 2024


Cultura

Teatro volta às origens com Shakespeare a céu aberto

Evandro Lima Rodrigues - Do Portal

17/02/2011

Isabela Sued

“Teatro é uma arte pública, não é privada, particular. Eu acho maravilho que se faça isso de graça”, defende o dramaturgo Amir Haddad, com a autoridade de quem há mais de meio século dedica-se à arte de representar. Como os ingressos são pouco acessíveis às classes de menor poder aquisitivo, o teatro tornou-se um lazer restrito. Apreciá-lo gratuitamente no Rio é uma novidade idealizada pelo ator e diretor Paulo Reis. O espetáculo, que encena Shakespeare no Parque Lage, rememora as atuações nas ruas e nos palcos a céu aberto.

Por iniciativa de Paulo Reis, o projeto "ShakesParque" apresenta trechos das mais famosas obras do dramaturgo inglês, como Ricardo III, Hamlet e o clássico Romeu e Julieta.

– Gostaria de ter três Parques Laje para acomodar todas as pessoas que querem assistir – comenta o ator, para quem o caráter educativo do projeto e o oferecimento gratuito são o mais gratificante. – É uma iniciativa pedagógica, não tem nenhum sentido comercial. É apresentar Shakespeare para plateias jovens que não têm contato com a obra tão facilmente porque no teatro comercial o ingresso é caro. 

Isabela SuedA novidade agradou a advogada Simone Tusi. Contente com a possibilidade de ver trechos das peças de Shakespeare numa mesma apresentação, ela ressalta a “iniciativa nobre” de propiciar acesso à cultura a pessoas de todas as classes.

É por acreditar nesta possibilidade que a atriz Samara Felippo abraçou o projeto. Ela interpreta Ofélia, na montagem de Hamlet. Para a atriz, a chance de o público conhecer o texto e os personagens marcantes do dramaturgo é uma motivação que se completa com a “grandiosidade” do palco em que encena.

– É incrível poder realizar este trabalho e ter como cenário as construções do Parque Laje. E para o público que já aprecia teatro este lugar permite uma nova experiência – acredita Samara.

Isabela SuedA impressão diferenciada foi reconhecida pela atriz Paula Pardon. Do lado de cá do palco, a atriz fazia parte da plateia. Ela destacou o cuidado com as características originais da época. Mesmo o respeito ao texto original de Shakespeare, do século XIV, não tirou o encantamento e emoção do público, ao que a atriz atribui a uma característica peculiar do dramaturgo: “Ele é popular”, afirmou.

É esse resgate da arte que trás emoção ao público e a um personagem, em especial, o mago da peça A Tempestade que no final da apresentação é definido como mago do teatro, Amir Haddad. E mais uma vez a magia da encenação se renova e com a possibilidade de ser para todos.

– Teatro é uma arte pública. Teatro não é uma arte privada, particular. É uma arte que se faz na rua e se vive em contato direto com a população. É o lugar de reflexão sobre os caminhos do ser humano feito coletivamente. Você não tem que pagar para ver isso. O fato de ser gratuito restaura o sentido de festa e de encontro que o teatro tem – resume o dramaturgo.

 Isabela SuedA inspiração para o "ShakesParque" surgiu de uma iniciativa americana o "Shakespeare in the Park", apresentado anualmente no Central Park, em Nova York. O grupo Pessoal do Despertar, que começou no fim da década de 1970 e é liderado por Paulo Reis, também serviu de inspiração.

O espetáculo vai até 27 de fevereiro, as sextas e sábados, às 21h, e domingo às 20h. O Parque Lage fica na rua Jardim Botânico, n. 414.

Clique aqui para acessar a galeria de fotos do espetáculo.