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Rio de Janeiro, 17 de junho de 2024


Cultura

Livro avalia interferências da tecnologia na sociedade

Igor de Carvalho - Do Portal

30/11/2010

Mauro Pimentel


Tecnologias e modos de ser no contemporâneo, Solange Jobim e Souza e Marcia Moraes

Mapear as interferências tecnologógicas na vida atual. Sob essa perspectiva, o recém-lançado “Tecnologias e Modos de Ser no Contemporâneo”, parceria entre as editoras 7 Letras e PUC-Rio, reúne dez textos de 17 autores e pesquisadores na área da psicologia. Organizada pelas professoras Solange Jobim e Souza, da PUC-Rio, e Márcia Moraes, da Universidade Federal Fluminense, a obra estimula a reflexão sobre as implicações e o espaço da tecnologia na sociedade. 

Para Solange, as pesquisas se renovem à luz dos avanços tecnológicos. Cada época, diz ela, lança novos desafios, que "precisam ser enfrentados na sua especificidade e complexidade":

– A partir da formulação dos novos problemas e da busca por resultados, desenvolvem-se soluções para desafios cotidianos. 

Alinhados a uma psicologia social "engajada" no desenvolvimento de soluções para "enfrentamentos do cotidiano", pesquisadores de diferentes linhas e universidades se debruçaram, ao longo de dois anos, na relação entre tecnologia e sociedade contemporânea. Em 2008, durante o XII Simpósio de Pesquisa e Intercâmbio da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Psicologia, integrantes do grupo de trabalho Cotidiano e Práticas Sociais decidiram reunir essa produção acadêmica em um livro. Márcia explica que os textos foram elaborados a partir da premissa de que "há uma relação de co-produção entre as tecnologias e os modos de ser e viver":

– No livro, as tecnologias são abordadas de diversas formas. Não apenas como tecnologias de comunicação, mas num sentido mais amplo, associados às nossas relações com variadas formas de materialidade, com diversos tipos de dispositivos técnicos.

A pluralidade de visões, importantes para a melhor compreensão das "interferências tecnológicas", apresentam um fio condutor: a ideia central de que tecnologias não só só produtos, mas agentes produdores de comportamentos. As análises convergem, assim, para o diálogo da psicologia com questões políticas, sociais e culturais da realidade brasileira. Associados a programas de pós-graduação de diferentes regiões do país, os temas abordados revelam a diversidade de pontos "que precisam ser seriamente enfrentadas, com base em um pensamento teórico sólido":

– Os textos desta coletânea surgiram do nosso desejo em apresentar o modo como os estudos do campo da psicologia social se inserem nesse debate e participam da busca de soluções para os inúmeros desafios cotidianos – conta Márcia.

Solange reforça:

– A pesquisa em ciências humanas tem a obrigação e a responsabilidade de buscar fortalecer as bases conceituais para o pensamento crítico sobre as práticas cotidianas – destacou.

Márcia esclarece o entendimento, comum nos textos, de que as tecnologias não são meramente materiais, objetos, disponíveis em nosso dia a dia:

– As tecnologias são compreendidas como uma materialidade que produz socialidades, modos de viver e de conhecer. Há, portanto, uma relação de produção recíproca entre as tecnologias e os modos de ser e de produzir conhecimento. Este tipo de abordagem permite uma integração entre os diferentes textos.

Já Solange destaca o diálogo dos textos com pensadores como Foucault, Latour, Vattimo. 

– Nossa preocupação era deixar claro para o leitor que exite uma determinada abordagem no campo da psicologia social que nos permite enxergar as tecnologias a partir de seus efeitos subjetivos e políticos na transformação das materialidades e das socialidades – acrescenta.

Márcia acredita que a iniciativa contribuirá para o trabalho que desenvolve em grupo dirigido a pessoas que ficaram cegas na vida adulta. Segundo ela, o texto abre um caminho para se lidar com a deficiência visual de uma forma menos reducionista:

– Há que se investigar o que é o cegar na prática, em ação, seguindo as alianças, as conexões feitas com os mais diversos dispositivos técnicos. Essas alianças produzem maneiras diversas de viver sem a visão e nos permitem desfazer uma concepção, que por vezes parece ser hegemônica, de que a cegueira é só uma falta.

Escrito em parceria com André Barrouin, o texto de Solange contempla resultados de uma pesquisa sobre o sistema de cotas em universidades brasileiras e as perspectivas para a juventude antes e depois da entrada no ensino superior:

– Nosso objetivo foi mostrar como acontece a fabricação de fatos no contexto do discurso jornalístico, tornando evidentes as disputas no campo social, no que diz respeito às políticas públicas para o ensino superior.