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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

"Na PUC, aprende-se a escolher entre o certo e o errado"

Daniel Cavalcanti - Do Portal

10/12/2010

 Isabela Sued

Em uma cerimônia que, em 1956, reuniu engenharia, direito e filosofia, formaram-se os primeiros alunos que estudaram no Campus da Gávea, atualmente utilizado por todos os cursos de graduação. Entre os alunos de direito formados naquele ano estava Raphael de Almeida Magalhães, que foi vice-governador do extinto Estado da Guanabara, deputado federal, ministro da República no governo José Sarney e é, atualmente, consultor dos diversos negócios do empresário Eike Batista. Sua cerimônia de formatura foi, segundo ele, “absolutamente interminável, com uma quantidade enorme de oradores e paraninfos”.

Aos 80 anos, o advogado relembra o carinho por seu professor favorito: Jerzy Sbrozek, um polonês formado na Universidade Católica de Louvain. O professor foi contratado pelo Pe. Leonel Franca para lecionar a matéria “Introdução às ciências do direito” na PUC.

 Isabela Sued – Ele era odiado por muitos alunos, pois era muito rigoroso e reprovava fantasticamente – contou Magalhães, que sempre foi muito amigo de Sbrozek – Mas era um professor diferenciado. Tirava dúvidas pelo telefone, em sua casa, estava sempre à disposição para esclarecer qualquer assunto das aulas. Ainda acabava dando aula em bar, era muito engraçado – gracejou com nostalgia.

Além do professor Sbrozek, suas lembranças recaem sobre muitas inusitadas tradições do curso de direito na época. O professor Haroldo Valadão, do final do curso, também era rigoroso na cobrança, “virava paraninfo de todas as turmas em que dava aula, para ver se ele afrouxava um pouco na hora da correção”, brincou Magalhães. "Na época existiam dois 'funis' para se formar, um era o professor Sbrozek, logo no início do curso e, no final, Valadão".

Entre suas memórias mais ternas está seu tempo no time de futebol da PUC, pelo qual disputou duas partidas no Maracanã. “Era uma prazer imenso jogar lá, um acontecimento inesquecível”, relembrou. “Como eu comecei a trabalhar em escritório de advocacia muito cedo, acho que no segundo ano, fui me afastando um pouco do esporte no final da faculdade”.

 Isabela Sued A vida política de Magalhães, que ocuparia cargos de destaque e foi um dos fundadores do PMDB, junto com José Serra, Fernando Henrique Cardoso e Jarbas Vasconcelos, entre outros, começou na PUC como candidato ao Diretório Central dos Estudantes (DCE), embora sem tanto sucesso.

– Uma das propostas que eu defendia era a extinção da apostila. O próprio Sbrozek não usava e ficava furioso quando davam a ideia para ele. De qualquer forma, acabei perdendo as eleições – contou o advogado.

Magalhães manteve uma relação próxima com a União Nacional dos Estudantes (UNE), participando das muitas reivindicações da época. Ele lembrou da greve de estudantes durante a Era JK para reduzir o preço dos bondes, que haviam aumentado no ano em que o presidente foi eleito.

– Depois desse dia, Jucelino não queria mais saber de universidade em Brasília. Ele tinha medo desse tipo de manifestação, que era mais rigorosa aqui no Rio de Janeiro – recordou com alegria – Acabou somente permitindo a construção de universidades por lá no fim do seu mandato, daí já não era mais com ele.

Sobre o que o ensino da PUC contribuiu na sua formação política, Raphael de Almeida Magalhães não hesitou em listar:

– Na PUC você aprende a escolher entre o certo e o errado, respeitar e lutar pelos direitos da pessoa humana, essas são as bases do pensamento católico. Essas coisas ficam – concluiu.