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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


País

Democracia brasileira ainda depende de reforma política

Gabriela Ferreira - Do Portal

27/02/2008

Os problemas políticos brasileiros são muitos e de toda ordem. As propostas de solução apontam numa só direção: o país precisa de uma reforma política que comece com a conscientização dos eleitores e vá até os partidos e o financiamento das campanhas. O diagnóstico foi feito pelos professores do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj) Luiz Werneck Vianna e Jairo Nicolau, e pelo professor da PUC-Rio Ricardo Ismael, que discutiram os rumos da política nacional durante a semana Caminhos do Brasil.

Os maiores problemas da política nacional, segundo Nicolau, envolvem questões dos partidos, que visam interesses individuais, e da falta de regulamentação das campanhas políticas. Para o professor, esses dois problemas são os mais urgentes do país:

– A redemocratização não foi bem compreendida. A Câmara tem políticos que representam interesses pessoais de toda a ordem – criticou. Além disso, os partidos políticos não se constitucionalizam. Assim, como vamos financiar as campanhas?

Nicolau argumentou que uma possível saída para o problema dos partidos poderia acabar em mais escândalos de corrupção.

– O Brasil não é só o caixa dois. É a dependência pesada do caixa um. Fazer uma lei não é simples. Como a gente não tem rede de análise de campanha boa, se o financiamento de campanha for público, é capaz de nascer um novo foco de corrupção e desvio de dinheiro – afirmou.

Já na avaliação do professor Ricardo Ismael, um dos maiores problemas da política nacional é a constante perda de seus valores, a começar pela força dos partidos. - É preciso fortalecer os partidos políticos. Não dá para imaginar a democracia com partidos fracos. Temos que tentar financiar a campanha com dinheiro público. É ridículo, em uma democracia, um partido ter R$ 1 milhão para fazer a campanha e o outro não ter nada – disse.

Vianna concorda que os partidos devem se fortalecer, já que o mandato é deles, e não dos parlamentares. Segundo ele, o individualismo do governo se deve a uma “reverência” que a grande maioria faz às políticas da minoria.

– Os momentos mais fortes de mudanças sociais sempre encontram a sociedade imobilizada politicamente. Foram várias décadas de regime ditatorial que nos marcaram fortemente. É impossível entender como Collor foi eleito, o homem da reforma neoliberal. Como fazer com que a sociedade ocupe espaços de representação? O horizonte é deserto, mas sem política não se move nada nesse mundo – afirmou.

Ismael defende que a política deva ser cooperativa e aponta caminhos para uma reforma, que julga ser necessária.

– É fundamental que investimentos federais tenham o intuito de ampliar as oportunidades para o setor privado nas regiões menos desenvolvidas. Temos que estimular a formação de arenas políticas de cooperação. Devemos ter equilíbrio entre as ações do poder público voltadas para a inserção competitiva do país na economia internacional. O Brasil deve optar por um federalismo cooperativo e menos competitivo e sempre observar as atitudes da União Européia – concluiu.