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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Conceito de fronteira é discutido em palestra

Fernanda Miranda - Do Portal

11/11/2010

 Isabela Sued

As divisões territoriais e sociais, o espaço, a etnia e a nação foram os temas debatidos no segundo dia da Semana Interdisciplinar da PUC-Rio, promovida pelos centros acadêmicos de Relações Internacionais, Geografia, Sociologia e pelo Diretório Central dos Estudantes, com apoio do Centro Acadêmico de Artes e Arquitetura.

Estiveram presentes a professora do Departamento de Relações Internacionais Carolina Moulin, o professor do Departamento de Geografia João Rua e o antropólogo do Museu Nacional João Pacheco de Oliveira. A convidada Mirian Nobre, representante da Marcha Mundial das Mulheres, não pôde comparecer.

Segundo a professora Carolina Moulin, a ideia de fronteira funciona mais como uma categoria analítica, portanto, uma criação artificial e social, do que um processo natural. A professora explicou que o significado de fronteira é polissêmico, podendo ser divido em três categorias: a fronteira como limite, a fronteira como exceção e a fronteira como transgressão e excesso.

− A fronteira é mais um algo de “vir a ser” do que algo previamente constituído – explicou.

Carolina afirmou que é preciso deixar claro que a fronteira existe para garantir nossos direitos como cidadão, mas quando estamos do lado oposto, vistos como imigrante isso soa como preconceito e, por vezes, falta de respeito. Para ela, as fronteiras se legitimam por atrelar a certeza da relação entre individuo, comunidade e território à prerrogativa da segurança pessoal e coletiva.

− A fronteira é um limite, mas também é uma ponte – afirmou. Isabela Sued

Complementando o discurso da professora, José Rua falou sobre as fronteiras implantadas pela sociedade e pelo governo. Como exemplo o professor citou os muros divisores colocados nas vias expressas, como linha amarela e linha vermelha, para esconder as favelas. Citou também o que ele denominou de “muro ecológico”, instalado no morro Santa Marta para evitar o acesso dos “favelados” ao restante de Mata Atlântica presente na área.

− É muito importante termos a noção de que os muros são transcalados. Eles são planetários, são regionais e são locais – afirmou.

Indo além do tema de fronteira, o antropólogo João Pacheco de Oliveira explicou que a noção de antropologia mudou muito nos últimos tempos. Segundo ele, o assunto mais pesado, hoje em dia, é a exotização dos índios.

− Imaginem que uma vez jovens me perguntaram qual estava sendo meu objeto de estudo, no programa de pós-graduação, e quando respondi que se tratava da vida dos Índios na Amazônia eles me olharam dizendo que era estranho, pois era um assunto muito velho – ressaltou.

 Isabela Sued  Oliveira afirmou que os índios vêm sendo construídos ficcionalmente da maneira que convém a quem está falando sobre o assunto. Para ele, para que realmente se entenda a realidade dos índios, é necessário que se distancie dessas noções criadas por alguns autores e começar a estudar os processos históricos.

− O que eu digo para os jovens é: fujam das essências! Imaginem que sempre atrás das essências tem alguém manipulando como marionete alguma realidade que vai servir a ele – afirmou.