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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Meio Ambiente

Integração de saberes reforça agenda ambiental

Gabriel Picanço - Do Portal

10/11/2010

Mauro Pimentel

“Nós sabemos cada vez mais sobre cada vez menos”. Foi assim que o teólogo e escritor Leonardo Boff sintetizou a sua crítica a "hiperespecialização" das áreas de conhecimento, em palestra da Semana Interdisciplinar da PUC. Na opinião dele, os saberes afastaram-se uns dos outros, tornando-se ilhas, e assim transformaram avanços tecnológicos não só em conforto, mas em riscos ambientais e sociais. Para solucionar esse afastamento nocivo à educação e ao planeta, o reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J., propôs a criação de pontes entre as ilhas, formando uma rede fundamental de conhecimento, da ciência acadêmica ao saber popular: 

– Discutir interdisciplinaridade é essencial em um mundo de conhecimento fragmentado. Diferentes áreas de conhecimento dialogando, cada uma contribuindo com a sua especialidade em um esforço fundamental para a sobrevivência ambiental.

Boff, egresso da teologia, é autor de mais de 60 livros que cobrem assuntos desde a sua área de origem até ecologia, espiritualidade, filosofia, antropologia e mística. Segundo ele, a especialização do conhecimento, surgiu da nova educação universitária do século XIV, que dividiu a antiga ciência universal em áreas específicas, cada uma delas com um ponto de vista fragmentado sobre a natureza:

– Todo saber é uma janela sobre o real. A ilusão do Ocidente é achar que, através de uma janela, pode ver toda a paisagem. Mas não pode, esse é só o seu ponto de vista. É preciso olhar através de todas. A ciência atual olhou a árvore e esqueceu-se da floresta.

Em oposição ao olhar segmentado, o teólogo propõe uma visão universal, pois “todos os saberes e elementos têm origem em comum; tudo tem a ver com tudo, em todos os momentos”. Para ele, esta integração é primordial:

– Nós, a civilização, a Terra, somos praticamente zero em relação ao universo.

 Mauro Pimentel Diante dos abusos ambientais, Boff vê uma mudança no horizonte. Acredita que o suposto sofrimento que enfrentaremos com as mudanças climáticas nos salvará:

– Vamos ao encontro do grande sofrimento e vamos aprender. A crise purifica. Como uma pessoa convalescente, que após quase morrer, passa olhar o mundo de outro jeito. Tudo é mais belo.

Organizada pelos Centros Acadêmicos de Geografia, Ciências Sociais e Relações Internacionais, em parceria com o Diretório Central dos Estudantes, a primeira Semana Interdisciplinar vai até esta quinta-feira. A programação detalhada está no blog da Semana Interdisciplinar PUC-Rio.