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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Cidade

Urbanistas sugerem menos carros nas ruas

Gabriel Picanço - Do Portal

04/11/2010

Mauro Pimentel

Nos preparativos para a Copa 2014 e a Olimpíada 2016, transporte e acessibilidade têm recebido atenção crescente. Tema do debate de quinta-feira passada da Semana de Arquitetura, na PUC-Rio, o trânsito à beira do colapso exige uma série de soluções – parte delas a curto prazo. A esperança para desafogá-lo, dizem os especialistas, não está na abertura de mais vias, e sim no investimento no transporte alternativo e na adoção de modelo menos baseado no uso do carro particular.

Três corredores expressos de BRT (Bus Rapid Transit) que integrarão a cidade também carregam a expectativa de escoamento do trânsito. Os especialistas reunidos no debate da PUC-Rio ressalvaram, no entanto, que o êxito de iniciativas como BRT exige a mudança do planejamento urbano, sustentado no incentivo ao carro. O uso intensivo do espaço público por carros particulares dificulta a vida de pedestres e ciclistas, argumentaram os arquitetos e urbanistas. Essa apropriação resulta em menos espaço para circulação, mais acidentes e poluição. Para o arquiteto Ricardo Esteves, é preciso um avanço na política de mobilidade:

– São necessárias soluções coletivas para o espaço coletivo, e não gestões públicas irresponsáveis que incentivam o uso do carro – criticou.

Esteves ressaltou também a importância da ampliação dos investimentos em transporte e acessibilidade. Para ele, o adiamento de soluções representa uma fatura ainda maior:

– A falta de investimento gera prejuízos para todos. Toda vez nós pagamos um pouco: atrasos, poluição, negócios atravancados.

 Mauro Pimentel O arquiteto Jonas Hagen apresentou experiências adotadas em países que incentivaram os transportes alternativos. Cidades como Bogotá, Nova York e Londres, nas quais ruas (e calçadas) eram tomadas por carros, ganharam ciclovias e faixas para o BRT. Calçadas mais largas e canteiros no lugar das vagas para estacionamentos diminuíram a quantidade de automóveis nas ruas, mas não a circulação de pessoas.

– A disponibilidade de vagas para estacionamento é um dos fatores essenciais para a decisão de usar o carro. Com menos vagas, as pessoas não deixam de circular, mas circulam de outro modo – observa Hagen.