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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Cidade

Arquitetos propõem espaço urbano mais integrado

Gabriel Picanço - Do Portal

04/11/2010

Mauro Pimentel

Qual é o agente decisório na formação da cidade? O poder público, o privado, a arquitetura? No debate “Quem faz a cidade”, quarta feira passada, como parte da Semana de Arquitetura da PUC-Rio, especialistas analisaram a atuação desses agentes no espaço urbano do Rio de Janeiro – em especial, os envolvidos nos preparativos para a Copa do Mundo 2014 e a Olimpíada 2016.  Mesmo que a maioria dos projetos de obras já esteja aprovada pelos respectivos comitês internacionais (Fifa e COI), é preciso "discutir melhor a cidade", ressaltou Sergio Magalhães, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ):

– Esses grandes eventos que o Rio de Janeiro vai receber põe a cidade em discussão. O debate deve ir além das vantagens e desvantagens das mudanças, para a construção de soluções que melhorem a qualidade de vida da população.

Os arquitetos reunidos no debate da PUC-Rio criticaram o rumo da organização urbana. Segundo eles, projetos como o da (necessária) revitalização da Zona Portuária priorizam interesses econômicos e separam áreas pobres e ricas. Para Carlos Vainer, professor de arquitetura da UFRJ, o Rio transformou-se em uma cidade “onde os mais ricos cercam a si mesmo, e cercam também aos pobres”.

– A cidade não é obra dos arquitetos e urbanistas, mas está fundada nos interesses de grupos sociais. A arquitetura e o urbanismo dominantes são os das classes dominantes.

Na opinião de Vainer, o poder público trata os grandes eventos como oportunidades de negócios em detrimento da população carente; e, assim, contribuem para aquela separação:

– A gente não participou da decisão sobre o projeto referente a Porto do Rio. Os cidadãos devem ser consultados nos processos que definem o futuro da cidade.

O historiador Pedro Bocayuva propôs que os projetos contemplem a mobilidade social e a "integração de todas áreas", em vez de processos que “excluem das zonas de interesse a mobilidade social”: 

– Esse tipo de contenção cria uma cidade desastrosa, desconectada. É preciso pensar em uma agenda de centralidade da periferia, em espaços de livre circulação.

O secretário especial para Copa 2014 e Rio 2016, Ruy César, comentou os desafios no preparativo dos Jogos, principalmente nas áreas de segurança, energia, transporte e acessibilidade. Para ele, este item será o mais importante “legado olímpico” para a cidade:

– Não adianta fazer a acessibilidade somente nos equipamentos esportivos, mas em toda cidade.