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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Cidade

Jovens cobram de políticos soluções para a educação

Carina Bacelar - Do Portal

27/09/2010

A proposta da palestra dos deputados estaduais Alessandro Moulon (PT), Compte Bittencourt (PPS) e Marcelo Freixo (PSOL), nesta sexta-feira, 26, na PUC-Rio, era explicar a atuação da Assembléia Legislativa do estado nas políticas públicas para a educação. No entanto, o que se viu foi um grande debate entre os candidatos (Freixo e Bittencourt concorrem à reeleição e Moulon, a deputado federal) e os cerca de 300 jovens – alunos de escolas públicas, na maioria. Os estudantes expuseram problemas, como o déficit de cartões do passe-livre e a "excessiva burocracia" para disputar vagas nas universidades pelo sistema de cotas. Os palestrantes criticaram a "falta de interesse político da maioria dos parlamentares pela educação", prometeram levar tais questões à Assembléia ao fim das eleições e incentivaram a mobilização política dos jovens.

A maior parte dos estudantes reunidos no encontro cursa o 3º ano do ensino médio no colégio estadual Professor Antônio Maria Teixeira Filho, no Leblon. A diretora da escola, Silvia Cristina Silva, levou aos deputados obstáculos não só da instituição à qual pertence, mas as enfrentados por alunos da rede pública de uma forma geral. Ela observou que, no último ano do ensino médio, "muitas escolas oferecem, aos sábados, aulas de reforço para os vestibulares, mas muitos alunos não comparecem porque o passe-livre só vale para os dias de semana". Cerca de 300 estudantes, segundo ela, não teriam nem mesmo recebido o cartão Riocard, que assegura a gratuidade durante os dias úteis:

– Alguns não vão às aulas [de reforço] porque não têm como pagar o transporte. Outros chegam atrasados, esperando os irmãos que estudam no turno da manhã e conseguiram o cartão.

As críticas partiram não só de alunos e funcionários da rede pública, mas também dos próprios deputados. As de Marcelo Freixo, por exemplo, centraram na "improdutividade dos projetos recentes da Secretaria de Educação". Segundo ele, de um total de 70, apenas três referem-se ao processo de aprendizagem propriamente dito. Um deles destina R$ 2 milhões à implantação de métodos de “meditação transcendental”, e só foi aplicado em duas escolas. Outro problema apontado por Freixo foi a evasão escolar. Ele afirmou que apenas 15% dos alunos da rede pública no estado que ingressaram no ensino fundamental completam o 9º ano. Para “resgatar” o significado das escolas, Freixo defende a importância do uso pedagógico de manifestações culturais com grande apelo junto às novas gerações, como o funk.

 – Ele [o funk] é um elemento de identificação da maioria dos jovens que infelizmente é criminalizado por boa parte da sociedade. Contudo, pode ser um instrumento de estímulo aos alunos – propôs.

O candidato à reeleição lamentou a “despolitização da sociedade”. Pois, a maioria da população “não sabe o que acontece lá [nas esferas do poder], se é algo bom ou ruim”:

– Quanto mais desinteresse, melhor para políticos oportunistas.

Já o deputado Alessandro Moulon definiu a campanha eleitoral como “um momento não só de escolher representantes, mas de construir consciência e formar educação”. Ele também lembrou de problemas que a educação  fluminense enfrenta, como o déficit de 15 mil na rede pública, e reforçou a importância do transporte público acessível e eficiente para os setores cultural e educacional:

– Muita gente deixa de participar de eventos públicos culturais e gratuitos por conta da ineficiência dos transportes da cidade – argumentou.

Já Compte Bittencourt atacou "as incongruências entre o crescimento econômico dos últimos anos e a estagnação no nível de qualificação da sua população". Uma “massa desescolarizada”, lembrou ele, favorece a negligência do Estado com relação cidadãos. O deputado atribuiu o mau resultado do Rio de Janeiro no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – penúltimo, entre os 27 estados, atrás só do Piauí – à descontinuidade das políticas a cada mudança de gestão à frente da Secretaria de Educação.

– Dar um laptop para cada aluno não resolve o fracasso da escola pública. É importante que o governo assuma o protagonismo do professor – sugeriu. 

Alunos também opinaram sobre aperfeiçoamentos necessários à educação, e apresentaram dificuldades enfrentadas nas escolas. Uma estudante queixou-se da burocracia para concorrer a uma vaga na Uerj pela política de cotas. Outra aluna, Juliana Costa, de 15 anos, reclamou da falta do passe-livre para alguns de colegas.

Juliana admitiu que é uma exceção entre os jovens de sua geração, aos quais atribui uma falta de interesse pela  política. Apesar de ainda não poder votar, ela contou que se interessa pelo assunto desde o 9º ano, quando disciplinas de ciências humanas abordam política de forma mais profunda e ajudam os alunos a “abrir mais seus horizontes e adquirir senso crítico”. Na opinião de Juliana, o Legislativo e o Executivo colaboram para a suposta inércia dos jovens:

– As estruturas do poder não incentivam um participação maior dos jovens, aumentando o desinteresse. 

Marlon Santos, colega de Juliana, vai votar pela primeira vez no próximo domingo. Ele não gosta “completamente” de política, mas preocupou-se em obter informações sobre os candidatos e suas principais propostas. Para o jovem, a corrupção no país deixa os cidadãos inseguros para se mobilizarem em torno de um candidato, pois teriam “medo” de decepções no futuro.

A corrupção também preocupa a estudante Chena Lopes, de 16 anos. Não a ponto de impedi-la de votar, mesmo quando ainda é facultativo: 

 – Tirei meu título mais cedo porque eu quis – orgulha-se a estudante.