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Rio de Janeiro, 25 de julho de 2024


Cultura

Arquivo digital ilumina a criação na Globo

Fernanda Ralile - Do Portal

25/02/2008

 Estética – encontro entre TV e cinema nas minisséries da Rede Globo *

Quem veio?

Edna Palatnik, gerente de pesquisa de dramaturgia da TV Globo, e Cecília de Castro, gerente do projeto Memória da Produção.

Por que veio?

Foram convidadas pelo Departamento de Comunicação da PUC para palestrar no seminário “Estética – encontro entre TV e cinema nas minisséries da Rede Globo”. Explicaram como a produção e criação nos trabalhos da TV Globo recebem o suporte de um catálogo digital e contaram detalhes do projeto Memória da Produção, gerenciado por Cecília. Esclareceram também de que forma a classificação de obras literárias e cinematográficas contribui para a criação televisiva.

Onde e quando foi?

Na sala 102K, dia 14 de junho, das 11h às 13h.

Melhores Momentos

(E) “A gente está tratando aqui de uma coisa que é muito importante, que é o desejo da Globo que se torna realidade de organizar, catalogar e acumular seus conhecimentos. A partir dos anos 70, já líder de audiência, a TV Globo percebe que podia fazer a manutenção do cotidiano dos seus jornais e das suas informações e, depois, esse cotidiano se tornaria uma memória do Brasil, quiçá do mundo.”

(C) “Criação de ambiente é aquela área que cuida do background. Na imagem, quando não é ator ou apresentador, é ambiente. Inclusive música, cenografia, figurino, caracterização, produção de arte, tudo é ambiente.”

(C) “Alguém já falou que ‘uma imagem vale mais do que mil palavras’, e, realmente, uma imagem contém tanto conhecimento que a gente também teve que desenvolver uma habilidade para descrevê-la. Retira-se muita informação de uma fotografia.”

(E) “A gente desenvolveu uma ferramenta para ajudar atores e diretores. É um tipo de catálogo que organiza os personagens, ficcionais ou não. Podem ser históricos, retirados de quadrinhos, mangás, tudo que estiver na imaginação do autor pode virar um personagem que conduza uma narrativa. Esses catálogos estão em permanente construção, não só na quantidade de obras, como na sua própria estrutura.”

(C) “O nosso acervo digital de arte preserva, divulga e controla toda utilização dos projetos e pesquisas que dão suporte ao background da imagem.”

(E) “A TV Globo significa inovação. Por mais que a gente vá beber na fonte arquetípica e nos clássicos da literatura, a gente têm de funcionar como uma antena das tendências do que está rolando por aí. Então a gente não pode temer em ousar.”

(C) “Quando se faz uma novela nova, são necessários 90 dias ou até mais para realizar toda a pesquisa de produção, desenvolver cenário, figurino e tal. Depois que estreamos, os capítulos continuam a chegar, semanalmente, com cenários novos, eventos, necessidades de objetos e outras questões. Como há pouquíssimos dias para produzir, toda ajuda é de grande valia. Por isso, preservar o conhecimento é fundamental para o processo.”

(C) “À medida que o acervo digital amadurece, são estabelecidas políticas e procedimentos. O volume é tão grande, que não se pode arquivar tudo. Deve-se selecionar o que é mais estratégico, para ser recuperado depois.”

(C) “No Memória da Produção há o que chamamos de “referências originais”, temáticas variadas do mundo, sobre medula, medicina, direito, por exemplo. A gente tem neste acervo o que a Globo já precisou alavancar como conhecimento. Você imagina o que é classificar esse material: uma coisa é ter um acervo jurídico, médico, mas um acervo de qualquer coisa é complicado!”

(E) “No mundo ‘nada se cria, tudo se copia’. A verdadeira arte de narrar uma história é combinar um enredo às vezes batido mas com personagens e com tramas que passam a contá-la de uma forma diferente.”

(C) “Por mais que às vezes você possa se basear numa referência real de objeto, você tem que adaptar para o tamanho do seu cenário e o enquadramento da lente da câmera. Por isso, são necessários vários anos para formar esse pessoal da criação. Os estudantes que começam nas oficinas da Globo vêm com muita paixão, mas leva tempo até criar segurança de como fazer, de propor, de ver como que o enquadramento imprime na lente da câmera.”

(E) “A televisão tem a missão de fazer inclusões. Quando se pensava que o negro fosse protagonista? Talvez há dez anos atrás não fosse possível. A Globo trouxe isso em 'Da Cor do Pecado', que foi um grande sucesso. Há uma preocupação nossa de ler coisas que estão à frente do nosso tempo.”

(C) “Tivemos de entrar em acordo com a Polícia Federal, porque reproduzimos dinheiro do mundo inteiro, visto, passaporte... Então temos que pensar numa maneira de produzir um material seja cenográfico: pareça real, mas, se por acaso circular em outro lugar, não possa ser caracterizado como falsificação.”

(C) “É tudo feito com muita velocidade, mas com muito detalhamento. O pessoal que faz arquitetura e vai fazer cenografia leva um susto porque o timing da arquitetura é outro, mas o detalhamento é igual.”

(C) “A reutilização de materiais não afeta a qualidade da produção. A gente trabalha com o conceito de que isso incrementa a qualidade. Até porque quando se tem uma questão para pesquisar, não se começa do zero. Não há muito tempo. Às vezes, só temos uma semana de produção entre um bloco de capítulos e outro. É preciso continuar a pesquisa, aprofundar mais certas questões. Eu penso que a reutilização permite inovação, por não ter que retrabalhar o que um dia o colega já fez.”

(E) “A reutilização não limita de modo algum. Quando o autor tem uma história, ele não chega e fala: ‘Olha eu vou ter que usar aquela cidade cenográfica!’. Ele tem total liberdade criativa. Se na novela, por exemplo, há uma cidade cenográfica, a Globo verifica se alguma das que estão lá erguidas pode ser remaquiada ou refeita em grande parte. Caso contrário, reconstrói uma nova cidade. ”

(C) “Esperamos dos próximos profissionais paixão e trabalho (risos)! É sempre um desafio criar o tempo todo, em alta velocidade. É muito estimulante.Você olha e imediatamente sabe harmonizar se a composição está boa ou não, se aquilo vai imprimir bem, a proporção que aquilo tem que ter, como vai ser o comportamento da cor no vídeo. É como o pintor que começa com o Classicismo, dominando o claro e o escuro, e, depois que domina a técnica, fica livre para fazer o borrão que quiser. É preciso ter preparo e técnica, para poder botar a criatividade para fora. Lá, a oportunidade existe o tempo todo.”

(E) “Que eles [os próximos profissionais] venham com muito talento, imaginação e com vontade de renovar o formato!.”

* Acompanhe a seqüência do seminário “Estética: encontro entre TV e cinema nas minisséries da TV Globo”:


1 – Luís Erlanger.
2 – Luiz Fernando Carvalho.
3 – Luiz Gleiser.
4 – Geraldo Carneiro.
5 – Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira.
6 – Antônio Calmon.
7 – Daniel Filho.
8 – Guel Arraes.
9 – José Lavigne.
10 – Walcyr Carrasco.
11 – Sílvio de Abreu.
12 – Sérgio Marques.
13 – Glória Perez.
14 – Edson Pimentel.
15 – Maristela Veloso e Alexandre Ishikawa.
16 – Eduardo Figueira e Maurício Farias.
17 – José Tadeu e Celso Araújo.
18 – José Cláudio Ferreira e Keller da Veiga.
19 – Ariano Suassuna.
20 – Luiz Fernando Carvalho (e equipe).
21 – Betty Filipecki e Emília Duncan.
22 – Denise Garrido e Vavá Torres.
23 – Cláudio Sampaio e Alexandre Romano.
24 – Edna Palatinik e Cecília Castro.
25 – Roberto Barreira e Marcinho.
26 – Cadu Rodrigues.