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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Eficiência para superar limitações externas

Paula Pizzi - Da sala de aula

23/11/2010

Paula Pizzi

Assinada há dezoito anos, a lei número 8.213 obriga empresas a reservarem cargos para portadores de necessidades especiais. De acordo com a regra, toda entidade com mais de 100 funcionários deve oferecer vagas a pessoas especiais. O percentual de postos de trabalho destinados a esse fim varia entre 2% e 5%, conforme o número total de empregados.

Dados do último Censo do IBGE revelam que, no Brasil, mais de 24 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência, o que corresponde a 14,5% da população. Desses 24 milhões, 10,4% têm carteira assinada, aponta um estudo sobre empregabilidade e sociabilidade de portadores de deficiências da Federação Brasileira de Bancos.  

Apesar de a competitividade impulsionar a busca das empresas pela excelência de resultados, muitas delas seguem a lei por responsabilidade social. Em uma rede de supermercados do Rio de Janeiro, dos 6 mil funcionários, 300 têm algum tipo de deficiência. O programa de inclusão social desta empresa começou em 2002, com o objetivo de igualar as capacidades dos deficientes a dos outros funcionários e dar a eles condições para aperfeiçoar o aproveitamento profissional.

– A filosofia aqui é integrar esses funcionários e fazer com que se sintam parte indispensável da equipe – conta Laura de la Pisa, coordenadora  dos  projetos  sociais da empresa.

Inicialmente, foi feito um projeto piloto com a contratação de dez portadores de necessidades especiais, em uma loja na Tijuca. Durante um ano esse projeto se desenvolveu com muita qualidade, e em 2004 todas as lojas da rede passaram a contar com pessoas especiais no quadro de funcionários.

 – Essas  pessoas,  por  aprenderem  a  lidar  com  as  suas  limitações e buscarem  sempre  a  realização  pessoal,  trazem  qualidades  vitais  para  a  empresa, tornando-a  mais  humana,  mais  socialmente  responsável,  mais  ética – observa Laura.

O advogado Alexandre Ferreira Braga é deficiente visual e há três anos trabalha no departamento jurídico da rede de supermercados. Ele também foi presidente da Associação dos Deficientes Visuais no Rio de Janeiro, e até hoje atua na instituição, como consultor.

– Para a função que exerço, a falta de visão não atrapalha em nada. Mesmo as pessoas que acham que sua deficiência pode representar algum obstáculo conseguem superar essa barreira – afirma Alexandre.

Laura conta que os funcionários portadores de necessidades especiais são tratados com igualdade, tanto pelos colegas de trabalho quanto por clientes. Ela se alegra em negar que haja casos de preconceito ou mau tratamento destes funcionários por parte dos clientes.

– Como  os funcionários com deficiência não  são  identificados  entre  os  demais,  alguns  clientes  reclamam  de  não  serem  ouvidos  pelos  deficientes auditivos  que  temos. Mas, assim que reconhecem  o  equívoco  pedem  desculpas  e  se  envergonham  da  reclamação  feita – diz Laura.

Na PUC-Rio, a causa também é nobre. Valéria Medeiros, 38 anos, há três é secretária do Escritório Modelo de Arquitetura da Universidade, e se sente totalmente incluída ao ambiente de trabalho. Desde os 2 anos, quando teve uma poliomelite, ela é cadeirante.

Para Valéria, a maior limitação das pessoas com deficiência não é o preconceito, e sim a acessibilidade:

– O deficiente precisa de ajuda para ir a qualquer lugar, esse é o grande empecilho. Precisamos de rampas, elevadores, meios de transporte adaptados.

Marcela Cavalcanti, Coordenadora de RH da PUC-Rio, é responsável pelo processo de seleção e treinamento dos funcionários da universidade. Ela acredita que a contratação de pessoas especiais deve crescer cada vez mais:

– São profissionais tão ou mais qualificados do que os sem deficiência. Pois, por terem que enfrentar suas próprias dificuldades, são muito determinados.