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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

“Ainda voltarei à PUC como estudante”

Igor de Carvalho - Do Portal

10/12/2010

Mauro Pimentel

Em dezembro de 2008, Mariana Nery Brochado, 25 anos, deixou a correria de conciliar a profissão de nadadora com a vida acadêmica para se dedicar exclusivamente ao curso de direito noturno na PUC-Rio. Entre braçadas e livros, Mariana conseguiu fazer "grandes amizades" e desenvolver um bom relacionamento com os professores. Para a ex-atleta, a universidade foi um local de “momentos maravilhosos”. Nos pilotis, nas brincadeiras com os colegas, ela renovava a energia gasta nas piscinas. 

A atual produtora de Esportes Aquáticos de um canal de televisão por assinatura conta que, na época do vestibular, ficou em dúvida entre os cursos de jornalismo e direito:

– A escolha pelo direito foi influência do meu pai. Eu também gostaria de fazer jornalismo. Talvez eu ainda faça uma pós-graduação em comunicação ou em jornalismo, para não ficar a impressão de que caí de pára-quedas no que eu estou fazendo.

 Mauro Pimentel Grande parte do aprendizado profissional vem da prática diária, diz ela. Sem a orientação dos colegas mais experientes, as primeiras braçadas na comunicação ficariam mais difíceis:

– No convívio com profissionais, eu aprendo bastante. Tem sido um desafio muito grande – ressalta – Eu ainda vou fazer a prova da Ordem [dos Advogados do Brasil], não vou deixar o direito de lado. Mas, por enquanto, estou muito mais para o jornalismo do que para o direito.

Durante boa parte do curso, Mariana precisou dividir seu tempo entre os treinos de natação no Flamengo e as aulas na PUC-Rio. A proximidade do clube com a universidade facilitou a rotina do “esquema americano”: morar, estudar e treinar na mesma região. O dia começava às seis e meia da manhã, na piscina. Os treinos, em dois períodos, seguiam à tarde. Das 19h às 23h, ela mergulhava nos livros. Os intervalos eram dedicados a um lanche rápido e a “colocar o papo em dia com os amigos, falar do seu Flamengo” nos pilotis. 

– O bom era que a PUC fica do lado da minha casa. Eu treinava, morava e estudava ali pertinho, fazia tudo de bicicleta. Conseguia ganhar um pouco de tempo, principalmente para poder descansar entre um treino e outro. Hoje, dois anos depois de ter parado de competir, me pergunto como conseguia fazer tudo aquilo – recorda.

 Arquivo pessoal

Na temporada de provas, o revezamento ficava mais duro. "Se o treino demorasse mais um pouquinho, eu já tinha de sair correndo. Tomava um banho, ia de bicicleta e chegava suando, e ainda com aquele cheirinho de cloro”, conta. Quando ela tinha de viajar, para competir, e acabava perdendo matérias, os colegas de turma ajudavam a ex-atleta a ficar em dia com as disciplinas.

O ouro na solidariedade nem sempre era acompanhado pela programação social. Quando os amigos de curso a chamavam para "fazer alguma coisa sexta-feira à noite, depois da aula", ela tinha de recusar. A noitada era incompatível com o treinamento às sete e meia da manhã de sábado.

– Meus amigos brincavam comigo. Diziam que, quando eu "quisesse" sair com eles, "tivesse um tempinho para eles", era mais fácil eu avisá-los. A vida de atleta é realmente muito complicada de conciliar com a vida social de pessoas da sua idade. Você acaba abdicando disso em prol do esporte, a partir do momento que se torna profissional – justifica.

 Mauro Pimentel Para Mariana Brochado, o tempo de faculdade é "muito legal" para todo mundo. “Não à toa nossos pais falam que é a melhor época da vida”, reconhece. Ela espera manter contato com os amigos de PUC, com quem “se divertiu muito e se ferrou muito em algumas provas”, brinca

No pódio das notas, Mariana considerava-se uma aluna "na média". Conseguia resultados melhores do que na época do colégio. O desempenho acadêmico, lembra ela, era motivado pelo fato de "estar fazendo um curso que você gosta, assim é mais fácil estudar”. Dentre as disciplinas cursadas, a nadadora considerada "a mais complicada" Direito Tributário. Adorava Direito Penal, Direito do Trabalho e a eletiva Direito do Consumidor.

A relação com os professores era “muito engraçada“, diz Mariana. Muitos já a conheciam devido à certa fama decorrente das conquistas esportivas. 

– Alguns professores acabavam fazendo várias perguntas sobre a vida de nadadora. Eles também me ajudaram muito.

Colegas de classe brincavam com a fama da colega. Nas primeiras aulas, perguntavam se os professores a  conheciam:

– Esses momentos eram bem divertidos. Eu ficava roxa de vergonha, mas era bem legal.

 Mauro Pimentel

Mariana guarda lembranças de alguns professores em especial. Salvador Bemerguy, professor de Direito Penal, “era flamenguista doente, como eu, e estava sempre acompanhando meus resultados”. Job Eloísio Vieira Gomes, de Direito do Trabalho, ajudou-a a atravessar a monografia sem contratempos.

Um dos grandes amigos dos tempos de faculdade, Pedro Augusto destaca o "jeito tranquilo" de Mariana, da sua vida regrada, o que a limitava de sair com os amigos. Ele lembra das brincadeiras que os colegas de curso faziam quando ela chegava direto dos treinos:

– Às vezes, ela chegava com os olhos vermelhos por causa do cloro da piscina e as pessoas diziam que ela devia estar vindo da night e não dos treinos.

Mariana acredita que a natação teve grande influencia na sua vida acadêmica, principalmente por fazê-la mais responsável, dedicada, organizada desde cedo.

– Se eu tivesse sido, digamos, uma pessoa mais normal, eu teria tido mais tempo para me dedicar à faculdade. Poderia ter sido aluna de notas dez, mas como atleta acho que foi bom ter sido aluna de nota oito.

Dentre os momentos mais marcantes, ela destaca a formatura, “um momento pelo qual todo aluno espera”, e as festas juninas. Mariana acredita que podia ter aproveitado mais se não fosse a natação, mas se diz feliz por ter feitos grandes amigos, ter sentido o clima de estudar em um campus.

Para Mariana, a PUC-Rio também foi importante para ela descansar dos treinos, “ você acaba vendo outras coisas”.

– Fora ser essa questão de ser um curso que vou levar para o resto da minha vida, a PUC era um refúgio, me distraía e não deixava eu ficar muito neurótica, pensando só em natação, resultados e performances.

Mesmo com todo o esforço necessário para ter concluído o curso de direito noturno, Mariana afirma ter sido satisfatório:

– Apesar de ter atrasado para o segundo semestre de 2004 o início do curso para poder me focar na Olímpiadas de Atenas, consegui fazer certinho a grade de um aluno noturno, nos cinco anos e meio necessários. Não foi fácil, tive que ralar muito, mas foi bom, uma sensação de dever cumprido, de conseguir completar mais uma etapa da minha vida.