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Rio de Janeiro, 24 de julho de 2024


Cultura

Da "tela em branco" à "pedra do reino"

Fernanda Ralile - Do Portal

25/01/2008

Estética: encontro entre TV e cinema nas minisséries da TV Globo *

Convidado

Luiz Fernando Carvalho e sua equipe na minissérie 'A pedra do reino', de Ariano Suassuna

Onde e quando?

Na Puc-Rio, dia 17 de maio de 2007.

 

Melhores momentos

(LFC): “O mundo moderno exige de você respostas imediatas e objetivas para tudo, está sempre cobrando de você um produto acabado, pronto. Que não reste mais nenhuma dúvida sobre aquilo. Mas o artista sempre lida muito com a dúvida, isso é uma grande contradição.”

(LFC): “Um romance entre aspas, inacabado, em aberto, assim é ‘A pedra do reino’. Quando nós fomos para Taperoá, nos retiramos na fazenda de Ariano pra trabalhar a adaptação. E quando Ariano chegou pra trabalhar com a gente, ele talvez tenha começado a se sentir estimulado para voltar a mexer no livro. O que foi emocionante, porque era um escritor que estava voltando à sua obra 40 anos depois de tê-la ‘terminado’.”

(Bráulio Tavares, roteirista): “Uma coisa engraçada sobre ‘A pedra do reino’ é que todo mundo que pega o romance olha pra ele e diz: ‘Ave Maria! É isso tudo?’ E eu respondo: ‘Você não está vendo nada, isso aí é só a ponta do iceberg!”

(LFC): “O ator é um criador, e não um repetidor. É o primeiro elemento vivo, animado, na frente da lente. Há outros elementos, mas ele é o mais potencializado, rico. Então não tem como eu entrar numa situação de set e não enfatizar isso. A atuação é um acontecimento diante da câmera, de ordem espiritual, é um oficio sagrado. O meu set de filmagem é um centro de macumba danado.”

(LFC): “Na verdade existem vários sertões, e cada autor o representa de uma forma. O sertão de Ariano é ligado à fantasia e ao imaginário, diferente do de Graciliano Ramos, por exemplo. Basta comparar a linguagem e a forma como cada um escreve suas narrativas. Na verdade, o que a gente está querendo dizer aqui é o seguinte: é um homem, um criador chamado Ariano Suassuna, que não pára de imaginar nunca e está completando 80 anos de imaginação, por isso suas obras nunca se fecham. Quando ele chega no fim, ele questiona ‘mas... e se...’, e aí já vem uma outra idéia para um outro livro.”

(LFC): “Eu trabalho sempre a partir da tela em branco. Eu vou tentar provocar acontecimentos diante da câmera, pra que eu possa ter uma razão de filmar. Eu estou ali me oferendando. E quero que meu grupo também esteja nesse processo de oferenda. E se eu estou contando também com a busca deles, eu não posso trazer um retrato pronto do que eu vejo. Até porque eu não acredito muito nos meus retratos prontos.”

(LFC): “Eu trabalho muito com a dúvida, acho a dúvida uma coisa fundamental. Eu improviso muito, o tempo inteiro. O processo de preparação de atores é a partir do improviso, o processo nos ateliês é a partir do improviso, é muito improviso para que a gente se desconstrua um pouco dessa meia dúzia de regrinhas que regem o mercado – o que é bonito, o que é feio, o que é bom. Então eu peço que todos errem, que não tenham medo de errar, para que a partir daí a gente encontre alguma coisa.”

 

* Acompanhe a seqüência do seminário “Estética: encontro entre TV e cinema nas minisséries da TV Globo”:


1 – Luís Erlanger.
2 – Luiz Fernando Carvalho.
3 – Luiz Gleiser.
4 – Geraldo Carneiro.
5 – Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira.
6 – Antônio Calmon.
7 – Daniel Filho.
8 – Guel Arraes.
9 – José Lavigne.
10 – Walcyr Carrasco.
11 – Sílvio de Abreu.
12 – Sérgio Marques.
13 – Glória Perez.
14 – Edson Pimentel.
15 – Maristela Veloso e Alexandre Ishikawa.
16 – Eduardo Figueira e Maurício Farias.
17 – José Tadeu e Celso Araújo.
18 – José Cláudio Ferreira e Keller da Veiga.
19 – Ariano Suassuna.
20 – Luiz Fernando Carvalho (e equipe).
21 – Betty Filipecki e Emília Duncan.
22 – Denise Garrido e Vavá Torres.
23 – Cláudio Sampaio e Alexandre Romano.
24 – Edna Palatinik e Cecília Castro.
25 – Roberto Barreira e Marcinho.
26 – Cadu Rodrigues.