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PUC-Rio

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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

“A PUC teve um grande impacto na minha vida”

Bianca Baptista - Do Portal

10/12/2010

Arquivo pessoal

Currículo invejável, carreira seguida de oportunidades em empresas reconhecidas como a Editora Abril, o Jornal do Brasil e a Rede Globo. Ninguém adivinharia que o jornalista formado pela PUC-Rio e atual editor do Jornal da Globo, Ricardo Villela, chegou a cursar dois anos de engenharia na mesma faculdade que viria a formá-lo em jornalismo. Segundo Villela, que se graduou em 1996, a tentativa no curso do Centro Técnico-Científico (CTC) se deu por uma ilusão: ele acreditava que seu pai, o engenheiro Eduardo Villela, gostaria que o filho seguisse a mesma carreira.

 – Eu responsabilizava meu pai pela minha escolha, porque ele era engenheiro e já tinha uma firma. Percebi que engenharia não era para mim. Quando decidi trocar de curso e prestar vestibular de novo achei que ele ficaria decepcionado comigo. Mas o que ele falou foi simplesmente: “Filho, faz o que é melhor para você” – contou o jornalista.

Entediado pelo estudo de física e química, o universitário, então com 20 anos, fechou o livro e decidiu “na hora” que aquilo tudo era muito chato. A ideia de ser jornalista veio por causa da paixão pelo futebol, e uma certa esperança de ser um bom profissional na área esportiva.

Ao conseguir o primeiro lugar no vestibular para jornalismo acreditou que, em vez de ser um aluno “medíocre” em engenharia, no próximo curso poderia ter um futuro promissor.

– Foi engraçado porque achei que era um sinal, mas na verdade só fui favorecido por ter acertado muitas questões de física, química e matemática e ter feito mais pontos por causa do desvio padrão – explicou.

De acordo com Villela, a escolha pela PUC aconteceu devido aos resultados do vestibular da universidade terem saído antes do concurso da UFRJ. Além disso, ele foi influenciado pelos colegas de turma da escola que escolheram estudar na Gávea. Ao deixar a engenharia, acabou se afastando dos amigos do CTC e do colégio, mas, na nova graduação, redescobriu um novo círculo de amizades, que incluía discussões e festas.

– Nós tínhamos muito carinho um pelo outro. Acredito que tenha feito amigos para a vida inteira em ambas as graduações, mas infelizmente sou um amigo relapso. Em comunicação, só mantive o contato com o Arthur Ituassu [atualmente, professor da PUC-Rio] e com a Ana Paula Albé, que foi minha namorada dos primeiros períodos até a formatura, e hoje sou padrinho da filha dela.

No entanto, o que mais marcou o jornalista na troca de cursos durante sua passagem pela PUC foi a mudança de ares e a diferença de metodologia das aulas.

 Arquivo pessoal/Arte Isabela Sued

 – Foi um choque nas minhas primeiras aulas de jornalismo. As aulas eram puro debate de sociologia, história, política. Em engenharia as aulas só tinham um sentido, do professor para o aluno – lembrou.

Como defensor das aulas teóricas, Villela lembra muito bem dos professores Roberto de Magalhães, de Sociologia, e Maria Claúdia, de Teoria da Comunicação.

– Eu adorava ter aula com a Maria Claudia, ela que me fez ler Umberto Eco. Por causa dela, li Apocalípticos Integrados, um dos livros que mais gostei de ler na faculdade. Aliás, adorei fazer comunicação. Mesmo não defendendo o diploma, acredito que a formação que tive foi ótima, e de grande importância profissional e pessoal – elogiou.

Além disso, o campus e o ambiente da PUC-Rio são outros aspectos que motivaram a saudade do carioca radicado em São Paulo há oito anos.

– Sinto saudade das festas da vila, de descer para o pilotis e ficar conversando por lá. Talvez eu devesse não ter me preocupado tanto com a minha carreira e ter aproveitado mais meus dias na PUC – confessou Vilella.  

E para aqueles que querem desfrutar o máximo da universidade, o jornalista aconselha aproveitar as matérias com boas bibliografias e ler muito porque, segundo ele, “na faculdade temos que abrir a cabeça para as teorias”.