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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


País

Reforma agrária ainda divide opiniões

Gabriela Ferreira - Do Portal

28/01/2008

A perspectiva de o Brasil promover uma reforma agrária no Brasil ainda está muito distante. No país, que concentra renda e propriedades, não há estratégia por parte do governo para enfrentar os desafios físicos, culturais e econômicos que a reforma exigiria. Esta é a avaliação do professor de Geografia da PUC-Rio João Rua. Segundo ele, existem três mitos que são usados, muitas vezes, como desculpa para não resolver a questão agrária. O primeiro é que o monopólio das terras é resultado da colonização. O segundo diz que a evolução técnica é sinônimo de desenvolvimento rural. E o terceiro é o de que não há necessidade de uma reforma agrária. 
– Não há como falar de reforma agrária sem falar em como as políticas agrárias reverberam na sociedade. Cada momento histórico tem uma geografia. Esse é um grande mito da sociedade. O país precisa de uma reforma agrária. Porém, o que se tem são apenas regularizações de posses e assentamentos – disse Rua.
Segundo ele, o problema da má divisão de terras vem do passado, desde 1850, mas não dá mais para continuar colocando a culpa nas capitanias hereditárias. Já na opinião do professor de Filosofia da UFRGS, Dennis Rosenfield, o maior problema é a desorganização pública, já que, para ele, não existem terras improdutivas no país. Rosenfield critica a inspiração do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra nas idéias socialistas e afirma que a luta passou a ser travada entre capitalismo e socialismo. 
– As terras invadidas são as produtivas. Agora a invasão é contra a empresa latifundiária. É contra o capitalismo, e a favor do socialismo. O MST diz que quer banho de sangue – afirmou.
Rosenfield considera o grupo MST como uma ameaça para a democracia do país, já que tem idéias fundamentadas nas de Fidel Castro, e afirma que o objetivo do grupo não é melhorar as condições de vida, e sim a própria consolidação. 
– Não se fala mais em luta contra o latifúndio improdutivo. O MST é financiado por organizações internacionais. Invadir custa caro. O grupo faz invasões e o governo ainda manda cesta básica. Isso não faz sentido – disse Rosenfield.
Ele criticou ainda o que chamou de “idéia de mundo bipolar”. 
– Há no Brasil a impressão de que o socialismo é um bem e o capitalismo é um mal. O capitalismo tem a vantagem de ter várias estratégias sociais. A propriedade privada, a democracia e uma sociedade livre são elementos indissociáveis.
Para o representante-adjunto da FAO no país, Gustavo Chianca, a reforma agrária está ligada a outras questões que não devem ser esquecidas, como a fome e a agricultura. Ele explica que a FAO se preocupa com a questão da má distribuição de renda e de terras, e por isso monitora programas como o Bolsa-Família e o Fome Zero, além de ter mais de vinte programas e projetos em andamento. 
– Para a FAO, não existe um modo único de fazer a reforma agrária. O fundamental é pensar que ela não deve levar à perda de recursos, como terra e água – explicou Chianca. – O desenvolvimento agrário e uma reforma na distribuição de renda devem se relacionar com a questão do biodiesel, de pesca, de meio ambiente, de concessões florestais e de cooperação internacional.