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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


Cidade

Debate aponta prevenções contra enchentes

Evandro Lima Rodrigues - Do Portal

10/05/2010

Diante dos transtornos ocasionados pelo temporal de abril - o maior em 44 anos - especialistas reunidos na PUC-Rio apontaram prevenções contra enchente e erosão. Algumas soluções são simples, como a construção de reservatórios domésticos de água da chuva e a plantação de árvores com raízes resistentes, respectivamente. Outras exigem um investimento maior, como as bacias de retenção usada pelos americanos para reduzir o risco de alagamentos. Para viabilizá-las, são necessários avanços tecnológicos e políticos, lembraram os participantes do seminário Rio em risco: o papel do meio físico no planejamento e gestão das cidades.

O professor da Escola Politécnica da UFRJ Jorge Prodanoff explicou uma série de sistemas adotados em outros países para evitar inundações. Ele testa, em laboratório, adaptações para o cenário brasileiro. Segundo o professor, é necessária uma compreensão essencial: “Deixar a água no lugar que caiu”.

O mesmo princípio é aplicado nas bacias de retenção dos Estados Unidos. De acordo com Prodanoff, os recipientes  "amortecem as cheias" e seguram a água o maior tempo possível. Assim o escoamento ocorre aos poucos. O professor sugeriu que o modelo, já usado no Parque Urbano Pinto Teles, em Jacarepaguá, se estendesse a mais regiões da cidade e do país. 

Outro modelo importado identificado por Prodanoff fica também no Rio. Construído numa parceria entre a prefeitura e o Walmart, o "reservatório de armazenamento local" fica no subsolo da Avenida das Américas, na Barra, e tem a função de conter a água que escoa naquela área.

Já Porto Alegre importou o modelo europeu do “telhado verde”: coberturas de casas e empresas funcionam como jardins:

– Durante as chuvas, o telhado retém grande volume de água – disse o professor.

Soluções caseiras também podem ajudar a afastar o perigo de inundação. Reservatórios domésticos recolhem a água da chuva, que pode ser utilizada, por exemplo, na lavagem de calçadas. Prodanoff recomendou que os sistemas sejam coordenados:

– O isolamento dificulta a eficiência. O ideal é combinar os modelos no mesmo espaço urbano. 

O professor Pedricto Rocha, coordenador dos cursos de extensão em Geografia da PUC-Rio, ressalvou: as soluções para as enchentes esbarram num ponto "determinante", o investimento. Para Rocha, não é só a chuva que põe o “Rio em risco”, mas "a deficiência em vários aspectos".

– Resolver o problema imediato da chuva é impossível dentro dos padrões de desenvolvimento. O risco também está em aspectos como o trânsito.

Já para Aluisio Granato, engenheiro da Pesagro/EMBRAPA, só com investimento em medidas preventivas poder-se-á evitar novos estragos com a chuva. Ele aponta cinco passos para garantir a redução desses efeitos climáticos: leitura ambiental, planejamento ambiental, implantação de sistemas preventivos, monitoramento e manutenção.

– Se comparados com o processo de recuperação, os custos da prevenção são significativamente menores – compara. 

Granato desenvolve pesquisas em regiões nas quais o solo sofre a ação erosiva da chuva. Segundo ele, isso ocorre porque o solo encontra-se desprotegido. Para evitar o problema e recuperar áreas comprometidas, o pesquisador propôs, por exemplo, a utilização da planta indiana capim vetiver. Com raízes que podem atingir mais de dois metros, "resistentes como o aço", a planta ajuda a conter os efeitos erosivos.

O professor do departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio Felipe Guanaes, coornedador do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA), aposta em novas tecnologias para a prevenção de deslizamentos. Ele destacou o Programa Integrado de Monitoria Remota de Fragmentos Florestais e de Crescimento Urbano no Rio de Janeiro (PIMAR). Desenvolvido pelo NIMA, a iniciativa é uma parceria da PUC-Rio com a Secretaria Estadual do Ambiente (SEA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O sistema monitora e identifica, via satélite, os processos de expansão urbana horizontal e vertical sobre a Mata Atlântica. Com base neste diagnóstico dinâmico, são empreendidas ações preventivas com a participação dos cidadãos.

– É preciso ter transparência em dados espaciais para que a população participe efetivamente das decisões – ressaltou o professor. Ele apontou a "tríade para o alcance dos resutados": universidade, população e investimento público.