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PUC-Rio

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Rio de Janeiro, 24 de junho de 2024


Campus

'PUC por um dia' recebe 5 mil estudantes do ensino médio

Bianca Baptista, Bruno Alfano, Clarissa Pains, Evandro Lima Rodrigues, Juliana Oliveto, Lais Botelho, Lucas Soares, Luísa Sandes e Yasmim Rosa - Do Portal

16/04/2010

Mauro Pimentel

A PUC-Rio abriu as portas na sexya-feira para receber cinco mil alunos do ensino médio. O PUC por um dia é a oportunidade que os estudantes têm para conhecer o campus e os cursos oferecidos pela universidade. Eles foram recebidos pelos professores e universitários, que serviram de guias, compartilharam suas experiências e ajudaram na organização. Ao longo do dia, os visitantes puderam participar de palestras, oficinas e workshops, além de conhecer os laboratórios e as unidades de ensino e pesquisa. Com uma programação variada, o objetivo do evento foi ajudar o estudante a fazer a escolha da carreira universitária por meio do contato com pesquisadores.

Os cerca de cinco mil visitantes conheceram, além de salas, laboratórios e programas acadêmicos, o patrimônio ecológico da universidade. Com 70.568 m², a PUC também é reconhecida pelo seu campus, que reúne 110 espécies catalogadas da Mata Atlântica. Em passeios guiados, organizadas pelos departamentos, os estudantes apreciaram curiosidades da fauna e da flora local.

Guiado por Vitor Lima, por exemplo, aluno do nono período de Geografia, o primeiro grupo de visitantes conheceu o rio Rainha, que corta a universidade; o jardim bíblico, onde os alunos puderam perceber as diferentes texturas das folhas, como a mirra, provar a folha de canela; apreciar o maior pau-brasil da universidade, com cerca de 5 metros de altura, e o jardim das árvores exóticas, antigo viveiro das araras.

– A PUC é um parque ecológico. Nesta caminhada, explico também sobre os compromissos sociais e culturais da universidade – afirmou o estudante.

Acostumado ao verde, Felipe Seljam, aluno do Centro Educacional de Itaipava, na região serrana, reconheceu a importância de se estudar num ambiente ecológico. Ele estava ansioso para participar das palestras.

 Mauro Pimentel– Acordei às seis e meia e viemos em uma van alugada pelo colégio. Valeu a pena. Quero muito conhecer o campus e ver as palestras.

A chuva que devastou algumas áreas do estado na última semana também foi um tema abordado. Além de explicar a função de um engenheiro ambiental, o professor José Arauna falou sobre a falta de planejamento nas áreas ocupadas da cidade. A tragédia do Morro do Bumba, em Niterói, poderia não acontecer se um projeto bem feito tivesse sido efetuado por um engenheiro ambiental. Além de lembrar a tragédia ocorrida no dia 7, o professor apontou a poluição da Lagoa de Marapendi, na Barra da Tijuca, como exemplo da falta de gestão pública.

– Um local com uma camada de lixo tão espessa como base não pode receber moradias. Faltou planejamento como na ocupação em volta da Lagoa de Marapendi que, como não obteve tratamento de esgoto, foi poluída – ressalvou Arauna, que citou esses exemplos para demonstrar as funções de um profissional da área.

O professor ainda discutiu a atuação do engenheiro ambiental na questão da preservação do meio ambiente.

– Os jovens idealistas que querem salvar o mundo devem ir para o curso de ciências ambientais. Nós não embargamos obras, tentamos recuperar o que não foi planejado. A nossa função também é diagnosticar e recuperar os danos causados pelas empresas em obras ou acidentes ambientais.

 Mauro PimentelO Departamento de História da universidade apresentou o curso informando aos visitantes a função do historiador. Já no início da palestra, a coordenadora da graduação do Departamento de História, Eunícia Fernandes, informou aos cerca de 50 estudantes que lotavam a sala 502 da Ala Frings que “a história aprendida na escola é bem diferente da que se trabalha na universidade”. O “aviso”, logo no início da palestra, introduziu a apresentação de um ensino focado na pesquisa.

A professora destacou os diferenciais do curso na PUC-Rio. Dentre eles, o sistema de tutorias, em que alguns alunos formam grupos de estudos com um professor tutor. No PET-História (Programa de Educação Tutorial em História), os estudantes da graduação propõem seminários, fazem debates, investigam documentos históricos. Passam também cerca de um ano estudando um tema específico para dar algumas aulas em escolas de ensino médio.

 – O PET é a oportunidade de, já na graduação, o aluno experimentar o ofício de historiador e aprender fazendo – disse a coordenadora.

Além do currículo formal, há também atividades como o História às sextas: toda sexta-feira, de 11h às 13h, o departamento realiza, por exemplo, palestras com historiados convidados, minicursos de fotografia etc.

Após assistir à palestra, o estudante do colégio Cetic Rafael Cardoso, de 16 anos, se considera bem mais informado sobre o que poderá encontrar no curso e na universidade de maneira geral.

 Camila Grinsztejn– Ainda não tenho certeza sobre que carreira seguir, mas história é uma das minhas primeiras opções – contou.

As palestras sobre o curso de Comunicação Social lotaram os corredores do primeiro andar do edifício Kennedy. Os alunos visitantes puderam assistir durante todo o dia às apresentações das áreas de cinema, jornalismo e publicidade. Os professores do departamento tiraram dúvidas e debateram os temas levantados pelos alunos.

O futuro do jornalismo impresso, a ética da profissão e o mercado de trabalho foram assuntos discutidos durante a apresentação do curso de jornalismo aos cerca de 60 alunos visitantes. A palestra, conduzida pelos professores Adriana Braga e Lula Branco Martins, apresentou aos vestibulandos uma visão geral do curso, passando pelas disciplinas e oportunidades de criação nos laboratórios da universidade.

 Camila GrinsztejnPromovendo uma atividade sobre o futuro da mídia impressa, os professores mostraram as possibilidades do jornalista no mercado de trabalho e tentaram esclarecer as dúvidas dos alunos. Felipe França, de 16 anos, que veio do colégio Nossa Senhora da Assunção, em Niterói, disse estar dividido entre publicidade e jornalismo.

– A conversa foi ótima, os professores mostraram que têm uma base boa e isso é muito importante. Gostaria de estudar na PUC, quando cheguei hoje tive vontade de conseguir um lugar pra me esconder e não ter que ir embora – contou.

Outro ponto que mobilizou a platéia durante a apresentação, foi a questão da obrigatoriedade do diploma. A professora Adriana contou que não é algo que afeta a profissão com gravidade, já que grandes empresas de comunicação já declararam que só contratam profissionais formados.

– Na universidade não se busca apenas o título, mas também desenvolver a competência – esclareceu.

A apresentação do curso de Publicidade e Propaganda foi marcada pela descontração dos anúncios exibidos. Os professores Ligia Rizzo e Daniel Vargens explicaram inicialmente as matérias do curso e a existência do ciclo básico como forma de situar o estudante na fase inicial da universidade. Após o esclarecimento do currículo, os professores falaram da estrutura de uma empresa de propaganda: atendimento, planejamento, criação e mídia. Através do programa Avesso, eles ainda mostraram como é o trabalhoso o processo publicitário, “cheio de detalhes” e como seria a vida desses estudantes depois de formados.

– No anúncio televisivo, mede-se a distância entre a câmera e o ator, as cores do figurino, falas etc. Além disso, ainda tem a relação com pessoas de produtoras, fotógrafo, trilha sonora – lembrou o professor de Direção de Arte, Daniel Vargens.

Ele ainda destacou que apesar da existência das categorias é necessário um trabalho em conjunto para dar certo.

– Na própria agência há diversos departamentos e apesar de parecer separado é necessário que as informações sejam bem passadas entre eles. Principalmente do cliente para a parte artística. Assim vamos saber melhor qual é a proposta e o visual adequado para o anúncio – explicou.

Os dois palestrantes ainda abordaram a questão da simplicidade em algumas propagandas. Anúncios simples podem fazer a diferença e até mesmo despertar a curiosidade e o riso das pessoas.

 Camila Grinsztejn– A propaganda está diariamente em nossa vida, por isso são ideias simples que chamam a atenção do público. Os flashmobs e adesivos de elevador não gastam tanto dinheiro, mas incluem as pessoas e as fazem vivenciar aquilo – afirmou a publicitária Lidia Rizzo.

Os professores Andréa França e Ney Costa apresentaram aos alunos visitantes o curso de Cinema da PUC-Rio. Iniciada em 2005, a habilitação atendeu a uma demanda crescente pela área audiovisual. Andréa destacou o compromisso do curso com a "permanente renovação". O programa poderá incluir em breve disciplinas referentes à produção de jogos e animação, disse aos 60 estudantes reunidos na sala 102-K do prédio Kennedy. O alinhamento a tendências do mercado é uma das características do curso.

– A proposta é oferecer um mercado amplo de possibilidades na área da comunicação audiovisual. Aqui o aluno tem a possibilidade de se tornar produtor de conteúdo – observou a professora.

Uma outra discussão em torno do cinema ocorreu na palestra organizada pelo Departamento de Informática. O professor de Engenharia da Computação Bruno Feijó apresentou aos visitantes como o desenvolvimento da tecnologia permitiu uma aproximação entre o real e o virtual. Segundo Feijó, essa paridade está diminuindo a fronteira entre os jogos eletrônicos e o cinema. A interatividade cria um jogador-expectador que é seduzido pela competição e pelo enredo da história.

 – Os games viraram filmes de animação, pois desenvolveram a aproximação dos movimentos virtuais aos reais, baseado nas possibilidades da física. Eu prefiro assistir meu filho jogando videogame, repetidas vezes, a assistir um filme duas vezes, pois no primeiro, sempre haverá um caminho diferente para a história – afirmou o professor.

Feijó constatou que o Brasil tem uma produção ínfima desse tipo de entretenimento, mas tem um enorme potencial.

– O Brasil ainda está na infância nesse aspecto, mas temos muito potencial para desenvolver. A universidade ao aproximar os alunos de ensino médio ao que nós estamos desenvolvendo cumpre um papel essencial na formação de novos pesquisadores.

Para os futuros universitários que têm interesse em fazer um intercâmbio acadêmico, o PUC por um dia também reservou palestras para explicar os convênios que a universidade mantém com instituições de todo o mundo. Kerollyne Costa, coordenadora da Coordenação Central de Cooperação Internacional, reforçou aos estudantes a importância dos programas de intercâmbio, uma vez que eles abrem as portas para trabalhos no exterior. Intercâmbios acadêmicos, de dupla diplomação e de curta duração são oferecidos a cada semestre pela universidade.

A coordenadora também destacou as novas parcerias, com as universidade de Kansai Gadai, no Japão, e de Tel Aviv, em Israel. Segundo ela, neste ano há mais de 350 alunos da PUC em intercâmbios no exterior. Além disso, Kerollyne ressaltou as oportunidades associadas a bolsas internacionais. Os melhores alunos de cada curso podem concorrer a bolsas, por exemplo, na Universidade da Califórnia, na Universidade Brown e na Universidade Estadual de Nova York. Os interessados devem cultivar boas notas e "proficiência no idioma do país de destino".

A viagem de intercâmbio deve ser planejada com antecedência, orientou a especialista. Um ano, segundo ela, é o tempo necessário para a preparação do aluno.

O estudante da Escola Britânica Caio Gardia pretende cursar economia na PUC e fazer intercâmbio. Para ele, a oportunidade de estudar no exterior é muito importante para a carreira.

– Melhora o currículo e a experiência de vida. Tenho muito interesse em fazer um curso nos Estados Unidos.

Natália Pontes, aluna do terceiro ano do ensino médio, pretende cursar relações internacionais. Diz que, no caso dela, a possibilidade de intercâmbio é essencial:

– Pela área que escolhi, estudar no exterior já faz parte do curso. Quando chegar a minha vez, quero ir para um país de língua inglesa.