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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Mundo

Seminário internacional discute situação no Haiti

Luísa Sandes - Do Portal

10/03/2010

Camila Monteiro

O desafio de reconstruir o Haiti após o terremoto que assolou o país e o papel do Brasil na ajuda humanitária aos haitianos foram assuntos da mesa-redonda O Haiti depois do Terremoto, promovida ontem (09/03), pelo Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio. A catástrofe, ocorrida em janeiro desse ano, resultou em pelo menos 200 mil mortes, 300 mil feridos, um milhão de desabrigados e 28% dos prédios haitianos danificados.

Para participar do debate estavam presentes a diretora-executiva da organização Médico Sem Fronteiras, Simone Rocha, o diretor-executivo da ONG Viva Rio, Rubem César Fernandes, o diretor de pesquisa da Small Arms Survey, Robert Muggah, o diretor do Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil, Giancarlo Summa, o capitão da Marinha do Brasil, Carlos Chagas Vianna Braga e o tenente-coronel Mário Gustavo Caldas.

Mesmo antes da tragédia, o Brasil está presente no Haiti em missão de paz desde 2004. Com o terremoto, a intervenção foi reorganizada no esforço dos contingentes militares garantirem mais segurança no país. Segundo o capitão Braga, o apoio externo ao Haiti é essencial.

– Cerca de 450 grupos de resgate das Forças Armadas brasileiras ajudaram o Haiti imediatamente após o terremoto. Estamos vendo agora uma integração jamais vista em relação à atuação brasileira no local. Nosso país faz o que pode em todos os níveis com rapidez e eficiência – afirmou.

Para Robert Muggah, essa é uma oportunidade de o Brasil promover ajuda humanitária da mesma forma que países desenvolvidos como os Estados Unidos e o Canadá.

– A maneira como o Brasil investe no Haiti é fascinante – declarou otimista o diretor de pesquisa.

Em situação de emergência, foram arrecadados US$ 500 milhões para o país. No final de março, os países doadores vão se reunir em Nova York para tentar juntar mais US$ 1 bilhão, o que corresponde a US$ 480 por haitiano, mais do que sua renda per capita anual. Nesse encontro, será discutida a possibilidade de criar uma agência gestora do dinheiro arrecadado. De acordo com Rubem César Fernandes, existe a possiblidade de o primeiro-ministro haitiano Jean-Max Bellerive e o ex-presidente norte-americano Bill Clinton administrarem a organização.

– É importante existir uma gestão partilhada entre o âmbito nacional e internacional – afirmou.

O diretor do Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil, Giancarlo Summa, comparou o recente terremoto no Chile com o no Haiti.

– O terremoto do Chile foi mais forte que o do Haiti, mas o número de vítimas foi bem menor. O Haiti é um dos países mais pobres do mundo e tinha um Estado fraco mesmo antes do terremoto. Essa catástrofe ambiental intensificou a desigualdade no local – avaliou.

A ajuda humanitária da organização Médicos Sem Fronteiras ao Haiti foi apresentada por Simone durante a palestra. O organismo, que atua em mais de 60 países e conta com 28 mil profissionais, está no Haiti desde 1991 devido à instabilidade política da região. Antes do terremoto, o país possuía quatro hospitais e 17 postos de saúde dos Médicos Sem Fronteiras. Nos seis primeiros dias após a catástrofe, 3 mil pessoas já haviam sido atendidas. Hoje, no total, 41 mil pacientes foram tratados.

Rubem César Fernandes contou que, durante o período em que esteve no país, pôde observar um ambiente de perspectivas positivas e uma consciência cívica entre os haitianos. O diretor da ONG Viva Rio disse que, entre os desafios do Haiti está a descentralização da capital Porto Príncipe.

– As cidades pequenas também precisam de atenção – alertou.