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Rio de Janeiro, 15 de junho de 2024


Economia

Brasil anuncia retaliação contra produtos americanos

Luísa Sandes - Do Portal

08/03/2010

Nesta segunda-feira, o governo brasileiro divulgou a lista dos produtos norte-americanos nos quais será aplicado um imposto maior de importação como medida de retaliação aos subsídios que os Estados Unidos concedem ao algodão. O aumento nas taxas tem o aval da Organização Mundial do Comércio (OMC) e se refere à comercialização de 102 produtos como cremes, xampus, perfumes, carros, frutas, trigo e óculos escuros. O consumo desses bens ficará mais caro com o aumento do imposto no Brasil durante um ano.

– Politicamente esta é uma decisão muito importante, pois mostra que ainda existem organismos multilaterais como a OMC punindo os Estados Unidos por burlarem leis de comércio internacional. Porém, não sei se na prática o efeito vai ser grande para o país. Dos produtos que os Estados Unidos mais vendem ao Brasil, apenas o trigo está na lista anunciada pelo governo – declarou a professora do Departamento de Comunicação da PUC-Rio, especializada em economia, Luciana Brafman.

A decisão começa a entrar em vigor dentro de um mês e poderá alcançar um custo a mais nos produtos americanos de US$ 591 milhões. Além dessa quantia, outros US$ 238 milhões incidirão nos setores de serviços e de propriedade intelectual (relativos a obras literárias, artísticas e científicas). Taxas de importação que variam entre 12% a 100% serão impostas sobre o valor dos produtos.

– O Brasil e os consumidores brasileiros não vão sair prejudicados, pois na lista não há produtos que afetem nossa inflação – disse Luciana.

Há oito anos os dois países negociam sobre os subsídios. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, a secretária-executiva da Camex (Câmara de Comércio Exterior), Lytha Spindola, declarou que o governo continua aberto a negociações, mas até agora os Estados Unidos não apresentaram nenhuma proposta concreta. A retaliação tem o intuito de fazer com que as empresas americanas prejudicadas pressionem o congresso e o governo do país a mudar a política de subsídio ao algodão.

– A negociação é sempre o melhor caminho, desde que o Brasil não saia prejudicado – concluiu a professora.