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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


País

Uso de drogas, um problema para as famílias

Gabriela Ferreira - Do Portal

12/12/2007

Interpretado pelo ator André Ramiro no filme “Tropa de Elite”, o ex- capitão do BOPE André Batista, 34 anos, foi, assim como seu personagem, André Matias, aluno do curso de Direito na PUC-Rio, cenário do longa-metragem dirigido por José Padilha. Batista voltou ao campus da universidade para participar do segundo debate que discutiu os aspectos mais polêmicos da obra, como a responsabilidade dos usuários de drogas em relação ao tráfico. Ele garante que não houve o objetivo de satirizar a universidade nas cenas que mostravam uma “boca de fumo” na vila dos diretórios, ponto de encontro dos estudantes.

- Os Pilotis são um lugar simbólico. Quem vê os Pilotis já sabe que o filme se passa em uma universidade conhecida – diz Batista. Eu gostei muito de ver a minha instituição no longa. É a segunda vez que venho para debates e não houve nenhum tipo de agressividade por parte dos alunos.

 Hoje Secretário Adjunto de Valorização da Vida de Nova Iguaçu, Batista afirma que a caricatura feita dos alunos de universidades no filme, principalmente na cena em que o personagem Matias (André Ramiro) fala sobre o comportamento dos jovens, não se descola do real.“Universitários não valorizam as instituições e não têm interesse pela política”, disse ele. Na sua opinião, a despolitização dos alunos é um fato:

- A grande capacidade dos universitários de se indignar e de reivindicar virou um grande deboche. Eu sinto falta de as pessoas estarem atuantes na política. Não há conscientização política, nem envolvimento dos estudantes para a construção de uma sociedade mais justa. Eles pararam de se arriscar, de se envolver, de pagar o preço. As organizações estudantis estão interessadas apenas em um alinhamento com o governo para talvez conseguir verba – explicou.

Em relação á abordagem do filme sobre uso de drogas, Batista esclarece que “Tropa de Elite” trata da visão dos policiais, cuja estrutura organizacional envolve posições públicas. Para ele, tanto nas favelas como nas universidades, o problema das drogas deve ser enfrentado pelas famílias, que precisam oferecer mais suporte emocional aos seus filhos. Contrário à legalização das drogas, ele diz que o jovem de hoje não tem capacidade de provar e recusar, ou de saber os males que as drogas podem trazer. Mas o que leva os meninos de comunidades carentes para as drogas é a busca de reconhecimento.

- O que acontece no nosso país é o consumo financiando de tráfico de drogas. Não é por falta de comida que o cara entra para o tráfico, não. É o status de portar uma arma, de matar um policial, de ser visto, de ser respeitado. Eles não têm estrutura familiar para dizer não – comentou o ex-capitão.

Batista aponta como uma possível solução um investimento eficiente nas instituições fundamentais da sociedade, tais como educação, saúde e segurança.

- Não dá para fechar os olhos para a questão da polícia. Não há como mantê-la assim como se vê no filme. Se há alguém que pensa que é ficção, eu estou dizendo, é verdade. As coisas são realizadas com muito pouco dinheiro. Se ainda funcionam, é porque há pessoas que tem muita vontade de que aquilo funcione, porque tudo já devia ter parado por falência operacional. O dia que a gente começar a valorizar as instituições tudo vai melhorar – concluiu.