Projeto Comunicar
PUC-Rio

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Rio de Janeiro, 8 de agosto de 2022


Cultura

Há duas décadas, a família Simpson diverte o público

Luísa Sandes - Do Portal

28/01/2010

Divulgação

Há 20 anos, Os Simpsons tornou-se um programa regular. Um mês após sua estreia como um especial de Natal de meia hora de duração, o desenho passou a ter 21 minutos semanais. A série de animação com maior duração da história da televisão reúne grande número de fãs por possuir humor inteligente e subversivo. Dentro de um universo sarcástico, a família amarela residente de Springfield traz críticas à sociedade norte-americana. Filosofia, psicologia e relações sociais são sutilmente abordadas a partir dos personagens e dos conflitos que os envolvem.

Homer, por exemplo, trabalha em uma usina nuclear que despeja lixo radioativo em áreas de preservação ambiental ao redor da cidade. O personagem, o mais emblemático da série, é comicamente estereotipado e preguiçoso. Possui atitudes imaturas e engraçadas, vive acima do peso, gosta de beber cerveja, comer donuts, assistir TV e dormir. A repercussão dele é tanta, que, em 2001, seu bordão D’oh (grunhido de insatisfação) foi adicionado ao Oxford English Dictionary. O jeito Homer de ser é relatado no livro Os Simpsons e a Filosofia, de Aeon J. Skoble, Mark T. Conard e William Irwin, a partir de uma analogia entre ele e as teorias aristotélicas.

A personalidade de outros personagens também gera análises. Lisa, a mais inteligente da família, toca saxofone, é vegetariana, feminista e budista. Defende causas sociais e a preservação da natureza. Portanto, representa a antítese da cultura norte-americana. O filho mais velho, Bart, é um menino levado, esperto e mal-compreendido. Ele contraria as regras sociais em busca de emoções aparentemente perdidas. Os dois irmãos foram retratados nos capítulos Lisa e o antiintelectualismo americano e Assim falava Bart: Nietzsche e as virtudes de ser mau, respectivamente.

O professor do Departamento de Comunicação Affonso Araújo, fã da série desde 1992, comprou DVDs das nove primeiras temporadas, suas prediletas. Para ele, o pai da família Simpson é o personagem mais divertido.

– Ele é complexo dentro de sua imbecilidade. Se pensarmos melhor, faz de tudo para se dar bem de todas as formas, o que mostra que ele não é tão idiota assim – reflete.

De Homer, o professor diz ter o bom humor. Já de Lisa, a capacidade intelectual, de Bart o espírito sagaz e de Marge a vontade de fazer acontecer. O episódio favorito de Araújo é Homie, o palhaço (Homie the Clown), o décimo quinto da sexta temporada.

Em 2007, depois de quatro anos de produção, foi lançado Os Simpsons – O filme, que arrecadou US$ 526 milhões. No longa-metragem, Homer polui o lago de Springfield, fato que gera conflitos na cidade e na vida dele. No desenrolar da história, personalidades como o ator Tom Hanks e a banda musical Green Day aparecem como personagens animados. Essa estratégia cômica é utilizada não só no filme, como também nos episódios da série. Entre muitas das aparições estão Ronaldo Fenômeno, Rolling Stones, Ringo Starr, Woody Allen, Michael Jackson, Britney Spears, Amy Winehouse e J. K. Rowling.

 O espírito satírico do programa envolveu o Brasil em 2002, no episódio 15 da 13ª temporada, O feitiço de Lisa (Blame it on Lisa), que fazia parte de uma série de episódios nos quais a família viajava para diferentes lugares ao redor do mundo. O especial causou polêmica, pois apresentou um Rio de Janeiro caricaturado: Homer é seqüestrado, pivetes atacam Bart, programas infantis têm apresentadoras provocantes e macacos e ratos andam nas ruas. Diante disso, a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) ameaçou processar os produtores da série.

– Não dá pra exigir do episódio uma lógica, pois é formado por exageros e deformações. Ele tem 20 minutos de clichês e mitos, por isso algumas pessoas acham que o episódio pode denegrir a imagem do Rio de Janeiro. Mas isso é uma bobagem, ele traz apenas uma caricatura da cidade – expressa Sérgio Mota, professor de Comunicação da PUC-Rio, que há três anos exibe O feitiço de Lisa aos seus alunos.

Dois anos antes de seu surgimento, a mais famosa família da televisão, criada pelo cartunista Matt Groening, aparecia em curtas de 30 segundos na série The Tracey Ullman Show. Transmitido em cerca de 66 países, o seriado já tem 20 temporadas, mais de 400 episódios, 24 prêmios Emmy e estrela na calçada da fama em Hollywood, além de ser motivo de inspiração para livros e jogos.

No Brasil, o primeiro episódio de Os Simpsons foi ao ar em abril de 1991. O programa é reprisado pela FOX, de segunda a quinta, das 18h às 19h e das 20h às 21h (nas quartas são exibidos até as 22h), além das estreias de novos episódios aos domingos, das 20h às 21h.