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Rio de Janeiro, 8 de agosto de 2022


Cultura

Exposição de Chagall em cartaz até 6 de dezembro

Luísa Sandes - Do Portal

16/11/2009

O universo lírico e fantasioso que envolve a obra do bielorrusso Marc Chagall (1887-1985) é incontestavelmente original. Seu olhar figurativo sobre o mundo, moldado pelas vanguardas modernistas europeias, rompeu paradigmas estéticos. Ele se inspirava no inconsciente para desenvolver uma arte onírica e tão particular que torna imediato sua identificação por parte do público. Em uma retrospectiva da obra do pintor, o Museu Nacional de Belas Artes exibe a exposição O Mundo Mágico de Marc Chagall - O Sonho e a Vida até 6 de dezembro.

– A pintura de Chagall está vinculada a uma certa realidade psíquica que torce a representação espacial à memória e à fantasia. Por isso, muitas vezes ele é filiado aos surrealistas – avalia Mauro Trindade, doutorando em História e Crítica da Arte pela UFRJ.

A incorporação de novas tendências e o questionamento da racionalidade geométrica se intensificaram com a ida de Chagall a Paris em 1910. O pintor se naturalizou francês em 1937. Com o início da II Guerra Mundial, contudo, o processo foi revogado. Devido a essa relação, a exposição faz parte das comemorações do Ano da França do Brasil.

A mostra, que chegou ao Rio de Janeiro em outubro, após uma temporada de dois meses em Belo Horizonte, é a maior já realizada no país sobre o artista. Compõem a exibição 309 obras, sendo 284 de Chagall, entre pinturas, guaches e gravuras. A curadoria levou dois anos para organizar a exposição, com um orçamento de R$ 4,5 milhões (US$ 2,6 milhões).

– Enquanto seu conterrâneo Malevitch seguia um caminho de formalidade e os cubistas fragmentavam o espaço com rigor geométrico, Chagall caminhava em direção a um mundo lírico que se tornou tão particular quanto são suas lembranças. Sua obra não é resultado de uma operação racional que reduz o mundo visível a cubos e prismas ou do registro da percepção da luz e de seus efeitos na atmosfera, como no impressionismo de Monet – declara Trindade.

Chagall conseguiu transformar a fantasia em figuras naturais. Isso tornou as características de seu trabalho tão peculiares que dificultam uma influência direta sobre gerações artísticas seguintes.

– Menos do que sonho ou delírio, Chagall é fábula, memória e revelação. Daí a sua aproximação a temas como a aldeia, a bíblia, as fábulas de La Fontaine e a lenda de Dafne e Clöe. Isso tudo diz respeito à vida de um artista e está ligado à sua existência. Por isso, seria tão difícil Chagall ter seguidores. Sua obra é um manifesto de um homem só – reflete Trindade.

Informações

Terça a sexta-feira: 10h às 18h. Sábado, domingo e feriado: 12h às 17h.
Mediadores oferecem visitação guiada para grupos gratuitamente de terça a sexta-feira às 13h e sábado e domingo às 13:30h, 14:30h e 15:30h.
Entrada gratuita aos domingos.