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Rio de Janeiro, 19 de maio de 2024


Cultura

Um dia de princesa na Bienal

Bruna Santamarina - Do Portal

17/09/2009

 Divulgação

“A melhor parte do Rio de Janeiro neste momento é que cada pessoa que eu vi estava segurando... um livro! É fantástico!” A frase é da autora Meg Cabot, famosa principalmente pela série O Diário da Princesa. Ela visitou a cidade para participar da XIV Bienal Internacional do Livro e deu sua opinião sobre os cariocas e seus costumes em seu blog.

Contudo, o que mais impressionou não foi a quantidade de pessoas carregando livros, mas sim as cerca de 400 meninas que usavam coroas de princesa e desfilavam com bottons que diziam “Eu amo Meg Cabot!”. As mais eufóricas usavam o figurino completo, com direito a vestido longo e sapatos altos.

– Meu Deus, é tão fantástico como escritores são famosos no Brasil. Aqui, os autores são como estrelas do rock! Nos Estados Unidos, as pessoas são mais blasé – comenta a autora.

Longa espera por Meg

Sete horas da manhã de domingo, 13 de setembro, e as portas da Bienal do Livro ainda estavam fechadas. Do lado de fora, uma fila se formava e todos aguardavam ansiosamente para ganhar um bilhete colorido. O papel daria acesso à sala da autora Meg Cabot. Nas mãos trêmulas, livros usados, esperando por um autógrafo, e presentes, como cartas e até mesmo um bolo feito pelas próprias fãs. Trinta e um diferentes títulos publicados em português davam margem para conversas entre meninos e meninas, enquanto a distribuição não começava.

– Eu costumava ser uma adolescente e me lembro bem como era. Ainda guardo, inclusive, meus diários. As lembranças simplesmente voltam para mim. Eu me recordo de como odiava minha mãe, de todas as histórias com meus ex-namorados e de como as garotas eram más comigo. Também tinha problemas, assim como todos os adolescentes têm hoje em dia, apesar de não ter tido celulares ou trocado e-mails – conta Meg.

 Apenas ao meio-dia, 400 pequenos pedaços de papel, decorados com uma coroa em um coração, estavam nas mãos dos fãs, os sortudos que logo em breve estariam com a autora. Outros ainda reclamavam por não terem conseguido o passe para a sala de autógrafos. Até as 23h, Meg Cabot sorria para fotos e assinava seu nome nos livros dos adolescentes.

Dois dias antes

Na sexta-feira, a autora também esteve na Bienal. O tumulto era menor do que no domingo, mas já era possível ver meninas com coroas de princesa aguardando para estar mais perto da escritora preferida. No entanto, foram apenas seis garotas que puderam conversar melhor com Meg. Elas ganharam uma promoção do Grupo Record, que rendeu mais do que autógrafos: um contato com a autora. Para participar, enviaram vídeos de quinze segundos dizendo o quanto amam Meg Cabot. Ela, por sua vez, também aproveitou a oportunidade para conhecer melhor as brasileiras:

– Foi tão fantástico. Nós conversamos sobre os mais diferentes assuntos, como a escola e como é ser um adolescente no Brasil. Percebi que ser uma garota por aqui é muito diferente dos Estados Unidos. As jovens daqui têm mais liberdade. Pensei até que seria interessante escrever um livro sobre as adolescentes brasileiras.

Juliana Oliveto, aluna de Comunicação Social da PUC-Rio, foi uma das sortudas e seu vídeo, um dos vencedores. Quando saiu o resultado da promoção, no dia 9 de setembro, ela estava em um dos computadores da universidade, atualizando o blog que divulgaria inúmeras vezes, incansavelmente, durante vinte minutos.

– Acabei decidindo fazer placas com dados básicos, como nome, idade, há quanto tempo lia os livros, para poder poupar tempo e tentar falar um pouco mais. Quando é a realização de um sonho que está em jogo, o nervosismo é grande e parece que nada dá certo. Estava bastante insegura e achava que não ganharia jamais. Quando li meu nome, não acreditei. Achei que era algum erro. Eu tremia. Não sabia se pulava, se gritava. Foi uma sensação muito boa – conta Juliana.

Ao meio-dia da sexta-feira, o grande dia, Juliana chegou ao estande da Galera Record ansiosa, assim como as outras cinco vencedoras. Quando já estavam no Pavilhão Azul, as meninas receberam seus primeiros prêmios: uma caixa decorada com um laço roxo e rosa. Dentro dela, um exemplar do novo livro de Meg, Avalon High - A Coroação, A profecia de Merlin – continuação em mangá de Avalon High –; uma coroa para usarem na hora do encontro; o mesmo botton que todas as outras meninas usavam, do lado de fora do estande; um colar com uma coroa na ponta; um diário promocional do diário da princesa; e, é claro, a senha que garantiria o encontro com Meg.

A espera pela chegada da autora, aos olhos de Juliana, foi interminável. Ela e as outras vencedoras estavam no mezanino do estande. De cima, observavam como a fila para ver Meg crescia:

– Certa hora, houve um corre-corre e uma gritaria. Era tudo por causa da Xuxa. Nós, lá de cima, quase tivemos um treco, achando que a Meg tinha chegado. Era só um alarme falso.

A autora chegou cinco minutos depois, em um vestido dourado. Ela tinha acabado de assistir aos vídeos promocionais. Ao subir as escadas, foi apresentada às meninas, que tiraram uma foto juntas. A partir desse ponto, cada uma teve seu momento a sós com ela, que, sentada de frente a uma mesa, bateu-papo com as garotas.

– O mais importante para mim era agradecer a ela por todos os livros que escreveu, pelas oportunidades que eles me deram para sonhar e viajar. Mas, principalmente, por eles terem me salvado de maneiras diferentes, em diferentes fases da minha vida – esclarece a vencedora.

Ela autografou o primeiro exemplar da coleção de Juliana, O Diário da Princesa, e o último, Princesa Para Sempre. Para a estudante, conhecer Meg Cabot foi um sonho. “Ela é uma diva!”.

Mais uma surpresa

A mãe de Juliana, no sábado, 12, encontrou a autora preferida de sua filha no Shopping Rio Sul e a jovem ganhou mais um autógrafo de Meg, que dizia ao lado do desenho de uma flor: "Hi, Juliana. Obrigada! Meg Cabot".

– Fiquei toda boba, feliz da vida, e decidi que os encontros tinham sido mais do que suficientes. O que foi bom, porque o domingo foi tumultuado e corria o risco de estragar minha alegria – completa.

Surpresa também para Meg

Por outro lado, a autora nunca imaginou até que ponto seu sucesso chegaria. Meg contou que, no início, O Diário da Princesa foi recusado por várias editoras. Segundo ela, os responsáveis argumentavam que não havia mercado para livros de entretenimento para adolescentes, dizendo que os títulos deveriam ser sérios:

– Eu fiquei muito surpresa com o sucesso que o livro teve. Sempre achei que as garotas queriam alguma coisa divertida para ler. Sentia falta disso em minha adolescência – explicou.

Um pouco sobre Meg

A autora, que já escreveu 54 títulos, vive atualmente em Nova Iorque com o marido e vários gatos, em especial a gata de um olho só, Henriquetta. Meg vendeu 15 milhões de exemplares em todo o mundo. Só nos Estados Unidos, a série O Diário da Princesa, com dez volumes, rendeu cinco milhões de livros vendidos. A personagem Mia ganhou vida em dois filmes da Disney.

Neste mês, ela lançou Avalon High - A coroação, A profecia de Merlin, em mangá. No mês que vem, a novidade é a sequência Tamanho 44 também não é gorda. Ainda este ano, Meg estreia o segundo volume da série de Allie Finkle: As leis de Allie Finkle para meninas: A garota nova. No ano que vem, Cabeça de vento e Ela foi até o fim serão os lançamentos.

Meg partiu do Rio de Janeiro para Curitiba em 13 de setembro, último dia em que esteve na Bienal. Na mesma data, estava previsto que a autora daria uma palestra, às 15h, para os primeiros que chegassem ao auditório Euclides da Cunha, no Pavilhão Azul. O sucesso foi tanto e a quantidade de pessoas que aguardava era tão grande, que Meg precisou dar duas palestras. Depois de visitar Curitiba, viajou para São Paulo, ontem, 16, e passará, em Salvador, o fim de semana.

– Eu definitivamente voltarei ao Brasil. Estou planejando uma viagem com meu marido para conhecermos melhor o Rio. A cidade é tão bonita!