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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Cultura

Bienal para todos os gostos

Bruna Santamarina - Do Portal

14/09/2009

 Bruna Santamarina

Livros de quase cinco metros de altura, a maior palavra cruzada do mundo, espaços para ler, contar e ouvir histórias, comprar ou trocar títulos, além da oportunidade de conhecer grandes nomes da literatura ou, até mesmo, de se tornar um. Isso é apenas um pouco do que os 55 mil metros quadrados reservados ao mundo da imaginação têm a oferecer na XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que vai até o dia 20 de setembro.

Novidade este ano, o espaço Floresta de Livros encanta com árvores falantes, livros digitais, áreas para a leitura e oito sessões diárias do espetáculo teatral infantil Palavra Mágica. As crianças podem sentar e ouvir histórias que saem de caixas de som instaladas nas raízes das árvores falantes, que são compostas de letras ao invés de folhas. No livro digital, meninos e meninas se surpreendem ao passar os dedos por uma tela e perceber que as páginas simultaneamente viram.

Isabel Scrivaro, professora e mãe de Maria Clara Scrivaro, de apenas cinco anos, observava a filha, que corria para todos os lados, encantada com cada atração da Floresta. Segundo ela, Maria Clara passou o dia eufórica pelas ruas da Bienal e ficou impressionada com o livro digital.

– Quando trazemos nossos filhos para cá, percebemos como eles se interessam e gostam de estar em contato com a leitura. Minha filha sempre fica bastante fascinada – afirma Isabel.

 Bruna Santamarina Duas salas secretas, nos cantos direito e esquerdo do espaço, escondem uma estante em que as crianças podem escolher um livro e ler para os pais e colegas em um palco com microfone. Maria Eduarda Nunes, de seis anos, escolheu Passarinho me contou, de Ana Maria Machado, e não queria largar o microfone.

– Fiquei com um pouco de vergonha, no início, mas gostei de ler para todo mundo. Prefiro ler a ouvir histórias – conta.

A Floresta termina em uma clareira, palco de apresentações do grupo Sapoti Projetos Culturais. São oito performances diárias de quinze minutos cada, que acontecem de hora em hora, entre 10h e 17h.

Outro espaço que agradou não só às crianças, como também aos adultos e adolescentes, foi o estande da Estante Virtual, um site que reúne sebos de todo o país. Procurando fugir da mesmice institucional, André Garcia criou a oportunidade das pessoas não só comprarem livros, como trocá-los. Uma fila que dava voltas nos quarteirões da Bienal confirmava a previsão de André de cerca de mil trocas por dia.

– Quando estava fazendo mestrado, fiquei com preguiça de procurar certos livros pelos sebos do país. Foi a partir daí que decidi criar o site. Quis transcender o virtual, por isso, pela primeira vez estamos participando da Bienal. No Programa de Trocas da Estante Virtual, resolvi estimular a troca de obras, que já é feita nos sebos.

A idéia funciona de maneira prática. As pessoas trazem seus livros usados de casa, os produtores avaliam se eles estão em bom estado e, em seguida, elas podem trocá-los por outros, também usados, organizados em uma estante. Inicialmente, foram doados dois mil exemplares de 40 sebos cadastrados no site da empresa. No final da Bienal, os que restarem serão doados a uma instituição, que ainda não foi escolhida.

Luis Guilherme Pacheco trouxe dois livros para trocar: Gol de Placa e Que sexta-feira mais pirada. A mãe dele, Luciana Pacheco, contou que o filho assistiu a uma matéria sobre o assunto e quis, na mesma hora, trazer inúmeros títulos.

– Desde que chegou à Bienal, ele está procurando o local de troca dos livros. Acho ótimo o interesse pela leitura, que deve começar na infância – explica ela.

Com a maior palavra cruzada e o maior caça-palavras do mundo, o estande da Coquetel lotou. A procura é tão grande que durante Bienal, todos os dias, Adriana Paula Silva, coordenadora de marketing, apaga o quadro branco onde as pessoas podem escrever e completar os passatempos. Segundo ela, o público é variado e o estande faz sucesso entre crianças, jovens e adultos. Thaís Cristina Silva, estudante do quarto ano do Colégio Carmela Dutra, afirmou que a palavra cruzada gigante foi o que mais chamou sua atenção, em todo o evento:

– Já fiz duas palavras e não tem como parar. Fico imaginando quem escreveu as outras e procurando espaços vazios para completar mais um pouco. Pena que a feira só acontece de dois em dois anos.

Nesta edição, a Bienal homenageia os Estados Unidos e traz autores norte-americanos. Arthur Phillips, Eli Gottlieb, Dash Shaw, David Wroblewski, Meg Cabot, David Grann, Larry Rohter, Steven Jay Schneider, Chris Bohjalian, Robert & Kim Kiyosaki, Thrity Umrigar estarão presentes no evento. Outros seis internacionais e mais de 100 autores brasileiros também participarão de debates, mesas-redondas e encontros da programação cultural.

Para aqueles que não ficam satisfeitos em apenas conhecer grandes nomes da literatura e querem se tornar um, a Hama Editora prepara uma novidade na sua estréia nesta edição da Bienal. A empresa editará, publicará e lançará um livro em sete dias. No último fim de semana, as pessoas puderam inscrever seus textos e participar da promoção. Em seguida, a editora escolherá os 20 melhores para lançar, no dia 19 de setembro, o livro Contos de Todos Nós.