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 Cultura
Debate esquentou na exibição de filme sobre 70 anos da UNE
Letícia Simões - Do Portal
28/11/2007 A+ a- Imprimir Adicione aos Favoritos RSS Envie para um amigo

Companheiros, uni-vos! Tirem suas bandeiras vermelhas do armário e cantem o Hino do Subdesenvolvido! Palavras de ordem como essas voltam a dar o tom. Afinal são 70 anos da União Nacional dos Estudantes, a UNE, comemorados em 2007 com o filme “Memória do movimento estudantil”. Junção de dois médias-metragens, o documentário foi exibido na PUC-Rio em novembro, no Auditório do RDC. Em seguida houve debate reunindo o diretor, Sílvio Tendler; o vice-presidente da UNE de 1980 a 1981, Luiz Mariano; o diretor de cultura da União Estadual dos Estudantes, Felipe Redor; Teóphilo Rodrigues, diretor do DCE da PUC e também diretor de cultura da UEE-RJ; e, além deles, uma figura histórica – Irum Sant’Anna, 91 anos, um dos fundadores da UNE, em 1937. Mediando a mesa estava o diretor do Departamento de Comunicação Social da PUC, professor Cesar Romero.


“Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”, nome do primeiro média, conta a história da UNE, da sua fundação até hoje. Tendler disse que não queria julgar ninguém – e por isso não cortou a fala de nenhum dos antigos líderes, mesmo que hoje estejam participando de lutas bem diferentes. Aparecem na tela, por exemplo, José Serra, José Dirceu, José Genoíno e Franklin Martins. O segundo média-metragem, “O afeto que se encerra em nosso peito juvenil”, trata da cena cultural criada na UNE. Por lá passaram nomes como o cantor Ivan Lins e os atores Werner Schünemann, Sérgio Britto e Nathália Timberg – os dois últimos começaram suas carreiras nos palcos do movimento estudantil. O filme vai até o congresso que contou com a participação do presidente cubano Fidel Castro, em 1999.


Tendler iniciou o debate lançando uma espécie de desafio aos estudantes: “Vocês têm que ver ‘Personal Che’”, provocou. Trata-se de um documentário, recém-lançado, dirigido por Douglas Duarte e Adriana Mariño. Os dois rodaram meio mundo ouvindo os mais diversos – e às vezes bizarros – depoimentos sobre Che Guevara. Para Silvio Tendler o longa faz parte de uma caminhada do cinema político, na qual cada filme tem uma responsabilidade com o mundo que se quer construir. Irum aproveitou a fala do cineasta para criticar “a apatia dos estudantes de hoje, que acreditam não ter responsabilidade alguma com o mundo em que vivem”. Luiz Mariano concordou: “Falta aos estudantes vontade de participar”.


No exato momento em que lhe foi passado o microfone, Felipe Redor foi logo avisando que iria falar muito – “como todo bom líder estudantil”. Cumpriu a promessa, e o fez em alto e bom som: primeiro rebateu as críticas anteriores, sobre “apatia”. Segundo ele, durante o governo FHC a UNE sofreu ataques e cortes de verba, o que diminuiu as adesões, mas hoje em dia, com a implantação do sistema de cotas e o ProUni, “novas pessoas estão se interessando e o movimento está sendo rearticulado”. E, já que Tendler havia falado de “Personal Che”, Felipe voltou ao assunto para desfilar críticas à edição da revista “Veja” sobre Che Guevara (capa de 3 de outubro, chamada “A farsa do herói”). Teóphilo, que ao lado de Felipe coordena o Centro Universitário de Cultura e Arte, disse acreditar na cultura como uma arma de transformação social. Por isso o CUCA seria tão fundamental para a militância estudantil: é o espaço onde os estudantes podem produzir e debater a sua arte.


Houve discussões acaloradas – sobre o papel da “Veja” na imprensa brasileira e, assunto recorrente, a alienação dos estudantes de hoje em dia – e bastante participação do público. Uma das últimas falas foi de Teóphilo, dizendo aos estudantes de Comunicação da PUC que deveriam pedir ao CACOS, o Centro Acadêmico de Comunicação, “uma maior representação política e menos festas no Circo Voador”. Quando o aluno de Jornalismo Felipe Carneiro perguntou ao presidente da mesa, César Romero, se os antigos líderes estudantis tomaram o poder ou foram tomados por ele (referindo-se a políticos como José Dirceu e José Genoíno, que, a partir do escândalo do mensalão, acabaram perdendo seus mandatos), houve um princípio de silêncio, quase constrangedor, no auditório. Com jogo de cintura, Cesar respondeu que “quando se é jovem não se tem controle sobre o rumo que a vida dará depois”. E que isso, claro, não diminui a importância da participação nos movimentos estudantis. Já foram 70, que venham mais. Longa vida para a UNE.



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