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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024


Cultura

Vinte anos da morte do homem de 10 mil anos

Lucas Landau - Do Portal

21/08/2009

 Lucas Landau

Às sete da manhã do dia 21 de agosto de 1989, Raul Seixas foi encontrado morto em sua residência em São Paulo. Passaram exatos 20 anos e Raulzito conta com fãs pelo Brasil todo, mesmo na era de NX Zero. Uma nova geração de admiradores está disposta a manter atual a obra do cantor. Na faixa dos 20 anos de idade, muitos deles não conheceram Raul nos palcos, só em fotos, textos e, principalmente, em suas músicas.

 

Livia Saraiva, 21 anos, estudante do 7º período de Comunicação Social da PUC-Rio, é fã declarada de Raul. Começou a ouvir quando era pequena, no carro dos pais. A primeira música foi Medo da Chuva, que não considera a mais importante, e sim cafona.

 

Depois ela ouviu Gita e Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás. O passo seguinte foi comprar uma coletânea de Raul, chamada Caminhos. Hoje Livia tem a discografia.

 

- Raul tinha uma maneira boa de dizer boas verdades de uma forma simples. Quando comecei a ouvi-lo eu sabia que curtia um cara que nem todo mundo gostava - lembra

 

Livia assume que era uma mistura de admiração com rebeldia, mas hoje, já sem rebeldia, a estudante fez de Raul uma figura especial para sua vida.

 

- Quando era pequena achava que eu e Raul éramos a mesma pessoa, que ele fazia parte de mim. Era besteira de criança, dizia que era uma conexão inexplicável – brinca Livia.

 

Detalhe: Raul morreu um ano depois de Livia nascer. A estudante reconhece que o cantor é uma figura importante, capaz de unir gerações. Ela tem vontade de fazer um filme sobre o ídolo, quer "mostrar quem é e como pensa o Maluco Beleza e não exaltar a imagem dele."

 

Com 19 anos, Taynã Frota (foto) também é um seguidor de Raul. O estudante do 2º período de Comunicação Social começou a tocar graças a Raulzito. Taynã ouvia Raul por conta do irmão mais velho que é “viciado nele”. A primeira música que ouviu foi Sapato 36, apresentada não pelo irmão, mas pelo pai, justamente por tratar da relação pai e filho. 

 

Raul foi decisivo para Taynã formar sua banda, Parênteses, com mais dois integrantes, na ativa desde 2004. As músicas de que mais gosta são Gita, Ouro de Tolo e, sua primeira experiência de Raul, Sapato 36.

 

- Raul me influenciou bastante, é um dos meus ídolos. Foi uma das pessoas de mais atitude do Brasil.

 

Se no início o estudante considerava as músicas engraçadas, hoje entende – e adora – o “espírito revolucionário de Raul”. Quando perguntado sobre a semelhança entre ele e o Maluco Beleza, Taynã é categórico: “quem me dera ser Raul!”

 

Raul viveu intensamente. Muitos acreditam que criou um personagem, um jeito peculiar de ser, não raramente considerado controverso. Com o parceiro Paulo Coelho, produziu uma obra original e amealhou gerações de fãs. Seu espírito revolucionário mantém-se vivo no gosto musical, na atitude, no estilo e na forma de pensar de inúmeros jovens.