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Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2022


Cultura

Por que o centenário All Star é queridinho dos jovens

Bruna Santamarina e Tatiana Carvalho - Do Portal

17/11/2009

 Daniela Rodrigues

Em uma das cenas do filme Maria Antonieta (2006), dirigido por Sofia Coppola, a rainha troca de sapato várias vezes e, entre modelos de salto alto, aparece um Converse All Star azul claro de cano médio. Criado quase 130 anos após a morte da francesa, o tênis é conhecido como Chuck Taylor e representa o universo divertido da adolescência. Simboliza também o mundo do rock e do basquete. Aos 101 anos, a marca aposta na diversificação para manter o frescor comercial e consolidar-se como ícone do consumo jovem – como indicam, por exemplo, os pilotis da PUC-Rio. Para a professora Aline Monçores, do Departamento de Artes e Design, o segredo é a flexibilidade: o tênis não se prende a ocasiões específicas.

– O All Star conquista tanta gente, independentemente da faixa etária, pois pode ser tanto esportivo, quanto casual. As pessoas usam para sair, para ir a uma festa, a uma balada, à universidade, ou até para procurar alguma coisa no Centro, por exemplo. É flexível. Fora o fato de que a Converse investiu em parcerias com designers e artistas, que trabalham com modelos, estampas, materiais e padrões diversos, mudando até a cor do cadarço e do biqueiro. Hoje em dia, o All Star é quase um objeto de colecionador, pois tornou-se, ao mesmo tempo, único e diverso –  explica a especialista.

Juliana Oliveto comprova a teoria. Dos 18 calçados no armário da aluna de Comunicação da PUC-Rio, 13 são All Star. Já teve 20. Seu primeiro tênis foi um modelo de cano baixo, azul-marinho, que a estudante adquiriu em 2001. Os favoritos: um modelo dourado e um gelo com pedras e bordados azuis.

– Diziam que era um exagero. Mas, levando em conta que eu passo 90% do tempo de All Star, acho bem razoável. Tem gente que tem um sapato para cada roupa, então não vejo problema em ter vários da mesma marca. O importante é conseguir passá-lo adiante, para alguém que precise.

A Converse lançou modelos em homenagem ao cantor Kurt Cobain e às bandas The Doors, The Who, Pink Floyd, Black Sabbath e Greateful Dead. Para Juliana, nenhum deles supera o modelo verde de cano médio autografado pelo cantor Moska.

– Ele escreveu "Juliana, vou com você, Moska" – conta. – Posso dizer que o All Star se incorporou ao meu estilo de vida. Anos atrás, as pessoas diziam que era coisa grunge, mas hoje qualquer um usa.

Para afastar preconceitos e renovar o fôlego no mercado, a mudança de imagem mostrou-se estratégica. A professora Aline observa que a marca All Star era muito associada à prática de esportes, à rebeldia, icorporou os significados de prazer e despojamento. Segundo ela, pessoas entre 30 e 40 anos que usavam o tênis por acreditar no seu caráter de contestação se mantêm fiéis ao simbolismo:

– Já os mais jovens valorizam mais o lado prático, o conforto e a diversidade de bandeiras ideológicas.

Os modelos preto, branco e vermelho são os mais vendidos no Brasil. Para comemorar seu centenário, a Converse lançou dois modelos (cano baixo e médio) acompanhados de canetas laranjas e rosas. Estão disponíveis também na versão para crianças.

Para Daniela Rodrigues, aluna de Design Gráfico e Design de Produto da PUC-Rio, o tênis branco virou uma tela de arte e uma forma de ganhar dinheiro. Há cinco meses, Daniela customiza All Star para complementar sua renda como designer em uma gráfica. Ela vende cerca de cinco pares por mês, que custam entre R$ 130 e R$ 250.

– Atendo crianças, adultos e idosos. São pessoas que pagam para ter um produto exclusivo – observa.

Em seu negócio, a estudante une duas paixões: o tênis e a ilustração. O primeiro modelo modificado por Daniela foi para ela mesma. Em seguida, presenteou familiares. Surpresa com a boa recepção, decidiu levar a ideia para a internet.

– Uso Orkut, MSN e Flickr para divulgar meu trabalho. Mas nada substitui a propaganda boca a boca. 

A técnica é simples. A arte é esboçada num papel e transferida para o tênis. O desenho é pintado com  canetas e tintas para tecido. Os pedidos mais frequentes remetem a bandas e desenhos animados.

– Duas fãs da cantora Claudia Leite me pediram um modelo com o filho dela, Davi, desenhado. Ver a reação dela recebendo o presente foi sensacional – lembra Damiela.

Para Aline, a diferenciação do tênis (veja  aqui dicas para customizar um par de All Star branco) indica a busca por identidade própria: 

– As pessoas, diariamente bombardeadas de informações, têm uma necessidade de criar seu próprio mundo e de se cercar de coisas que são suas.


Cem anos fazendo os pés

1908 – Marquis Converse funda a Converse Rubber Shoe Company, em Maldens, EUA.

1917 – A nova companhia se une a um novo esporte: o basquete. É lançado o primeiro Converse All Star, com cano médio, especial para esta prática.

1918 – O produto ganha fama nos pés do jogador de basquete Chuck Taylor, que se juntou à marca quatro anos depois.

1935 – O jogador de badminton Jack Purcell projeta um modelo junto a Converse.

1949 – Todos os jogadores da recém-formada da Associação Nacional de Basquete (NBA) americana passam a usar o Chuck Taylor All Star.

1962 – Lança a versão cano baixo, conhecida como Oxford, e modelos em novas cores. Até então, só existiam as opções em preto e em branco.

1964 – A Converse investe em tênis em tamanhos menores, para aumentar o número de consumidores.

1967 – A marca é responsável por 90% do mercado de tênis de basquete.

1988 – Produz modelos casuais, de corrida, basquete e de tênis.

2008 – A Converse completa 100 anos.