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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Cultura

Agosto marca centenário da morte de um autor memorável

Rafaella Mangione - Do Portal

11/08/2009

Divulgação

Há 100 anos, a literatura brasileira sofre com o vazio deixado por Euclides da Cunha. O próximo dia 15 marca o centenário da morte do escritor que conquistou reconhecimento mundial com o seu livro Os Sertões: Campanha de Canudos. Com um relato ao mesmo tempo literário e jornalístico, ele conseguiu reunir características geológicas, botânicas, zoológicas e hidrográficas do nordeste do país. Ao longo da história, Euclides narra os fatos ocorridos nas quatro expedições enviadas ao arraial liderado por Antônio Conselheiro.

Durante sua vida, foi engenheiro militar e civil, membro da Academia Brasileira de Letras e do Instituto Histórico e Catedrático em Lógica pelo Colégio Dom Pedro II. Quando ocupou o cargo de correspondente do Estado de S. Paulo, testemunhou a Guerra dos Canudos, e mais tarde escreveu Os Sertões.

Segundo a professora do departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, Maria Cristina Ribas, o escritor foi uma figura interessante do século XIX.

- Ele foi a favor dos movimentos republicanos e questionava todos os tipos de projeções sociais. O texto de Os Sertões é uma confluência entre jornalismo, pensamento científico e literatura.

Para ela, o diário de campanha escrito por Euclides faz um contraste com Os Sertões.

-Ele passou três meses em Canudos e escrevia tudo o que via e supunha. Com este testemunho, ele se aproximou do jornalismo. Essa foi uma parte negra da nossa história. Os jagunços eram vistos como uma sub-raça.

Nos dois artigos A nossa Vendéia, publicados em 1897, o escritor considerava que o movimento de Antônio Conselheiro tinha a intenção de restaurar a monarquia. Já em Os Sertões, ele rompe com o pensamento de que a revolta dos Canudos era comandada pelos monarquistas.

Maria Cristina ressalta que muitas observações de Euclides mostram que ele não conseguiu fugir do positivismo de Herbert Spencer e do evolucionismo de Darwin, porém, este fato não constuma ser muito abordado.

Em 1998, a Rede Globo prestou homenagens ao autor com o filme Guerra de Canudos, de Sérgio Rezende. Ele foi apresentado como uma minissérie de três capítulos. Com José Wilker como Antônio Conselheiro, a história foi uma adaptação do livro Os Sertões.

 

Todos os anos, nas cidades paulistas de São Carlos e de São José do Rio Pardo, ocorre a Semana Euclidiana. Nela, são realizados lançamentos de publicações, palestras e exibições de documentários.

A edição deste ano da FLIP, Feira Literária Internacional de Paraty, também homenageou os 100 anos da morte do escritor com uma peça itinerante. Desta vez, o livro Quatro Cantos de Euclides, do poeta Thiago Cascabulho foi adaptado.

O Projeto 100 Anos Sem Euclides é uma parceria da UFRJ, da UERJ, do ILTC e das Cátedras da UNESCO. O objetivo é promover um seminário internacional em Cantagalo-RJ. Nele, acontecerão oficinas, mesas-redondas, eventos culturais, saraus, e outros.