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Rio de Janeiro, 17 de junho de 2024


Mundo

Adeus ao Rei do Pop

Suzane Lima e Tatiana Carvalho - Do Portal

26/06/2009

Reprodução

“Depois de Thriller, Michael Jackson se tornou uma cópia esmaecida de si mesmo”. Assim o professor da PUC-Rio e jornalista de O Globo Arthur Dapieve descreveu a fase que o cantor atravessava até falecer, nesta quinta-feira, 25, de parada cardíaca. Apesar de a vida do astro ser marcada por fatos lamentáveis, como os processos de pedofilia, a imagem que fica é a de Rei do Pop.

- Ele é um personagem tão complexo que as pessoas não vão ficar falando bem dele. Não dá. Isso não é possível, nem artisticamente, nem em relação à vida pessoal. Os últimos anos dele foram lamentáveis. Ele pouco produzia e, quando fazia, não era legal. A vida pessoal também era muito complicada.

Para Dapieve, Michael foi um grande artista por ter revolucionado a linguagem dos clipes e pelo vigor com que lutou pela sua carreira, mesmo após ela ter começado a declinar. O jornalista crê que os percalços enfrentados pelo astro não tenham sido suficientes para modificar a relação com seu público.

- Eu acho que a pedofilia é o sinal da decadência dele, mesmo que as relações sexuais não tenham acontecido. A decadência começou pela pedofilia em si e os processos acirraram isso. Mas acho que quem é fã dele não deixou de ser.

Em relação aos shows que o cantor faria em Londres, Dapieve afirma que a expectativa não era grande.

- Eram só para lembrar que ele era um artista, estava vivo, não tinha deixado de ser um artista para se tornar só um personagem. Mas, do ponto de vista financeiro, tenho certeza que ele esperava muito. Afinal, depois de todos os processos de pedofilia, estava enfrentando dificuldades financeiras.

Para Dapieve, a preocupação anormal que o cantor tinha com a saúde acabou por matá-lo.

- O Michael que morreu é um ser bizarro, parecia um extraterrestre.

O aluno de jornalismo da PUC-Rio João Mauro Senise não acha possível que algum artista consiga chegar ao patamar do Rei do Pop. Ele acordou às 4h da manhã para comprar ingresso para o show do dia 12 de julho, em Londres, que abriria a turnê This is it. O estudante não conseguiu porque as entradas se esgotaram rapidamente. 

- Sou fã dele desde pequeno e esperava muito ver o show pela TV. Eu só acreditei quando saiu a confirmação do hospital. A minha certeza é que ele vai ficar para sempre.

“Já era um mito, vivo ou morto”. Assim a estudante de jornalismo Renata Lobo descreveu o cantor.

- Ele é tão bizarro que a morte dele só incrementa a minha imaginação.

A lembrança do artista é mesmo positiva para a maioria dos estudantes da Universidade. A aluna de Direito Giovana Afonso fez questão de ressaltar os melhores momentos da carreira do Rei do Pop.

- Para os fãs, ele vai ficar para sempre. Era uma pessoa perturbada, mas muito talentosa.


A morte

Michael Jackson faleceu nesta quinta-feira, 25, após sofrer uma parada cardíaca. O cantor passou mal em sua casa e seu médico particular tentou reanimá-lo em vão. Os paramédicos foram chamados e, em seis minutos, a ambulância chegou ao local. Michael foi levado para o hospital da Universidade da Califórnia (UCLA), onde deu entrada em coma profundo. Duas horas depois, às 18h26 no horário de Brasília, ele foi declarado morto. O resultado do exame toxicológico pode levar de 6 a 8 semanas, segundo um porta voz do Instituto Médico Legal de Los Angeles. O relatório da perícia deve ser divulgado hoje.

Nascido em 29 de agosto de 1958, Michael era o sétimo filho de Joseph e Katherine Jackson. Ele teve uma infância pobre, mas, ao mudar-se para a Califórnia, seu pai formou o grupo Jackson 5 e tudo mudou. Aos 13 anos, Michael já estava no topo das paradas com sucessos como ABC. Mas a juventude do Rei do Pop não foi fácil. Seu pai assistia aos ensaios do grupo com um cinto na mão para bater nele.

Paralelamente ao Jackson 5, Michael começou sua carreira solo. Em 79, ele ganhou seu primeiro Grammy com a música Don’t stop until you get enough, do álbum Off the wall. Neste mesmo ano, o cantor sofreu uma queda durante um ensaio e precisou fazer cirurgia plástica. A operação foi mal sucedida e ele ficou com dificuldade para respirar, o que originou uma sequência de intervenções cirúrgicas pelas quais o cantor passou.

O auge de sua carreira foi o álbum Thriller, de 82, o mais vendido da história, superando a marca de 100 milhões de cópias. Durante 37 semanas, ocupou topo da lista dos discos mais vendidos nos Estados Unidos.

Os escândalos também marcaram a carreira de Michael. Em 1993, foi acusado pela primeira vez de abusar sexualmente de um menino de 13 anos. No episódio mais grave, foi inocentado de dez acusações. O julgamento, que durou sete dias, o absolveu.

Faltava menos de um mês para o artista iniciar a turnê This is it, com mais de 50 shows pela Europa. O primeiro seria na Arena O2, em Londres, e todos os cerca de 750 mil ingressos estavam esgotados.

O cantor teve três passagens pelo Brasil. A primeira foi em 74, aos 16 anos, ainda com o grupo Jackson 5. Dezenove anos depois, ele fez dois shows no Morumbi, em São Paulo. A última visita do Rei do Pop ao país foi em fevereiro de 96, para gravar o clipe They don’t care about us, na comunidade Santa Marta, em Botafogo.

Confira a matéria em homenagem aos 25 anos do disco Thriller feita pelo Portal PUC-Rio digital em 2008.