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Rio de Janeiro, 17 de junho de 2024


Mundo

"Houve uma grave pane", acredita especialista da PUC

Suzane Lima e Luigi Ferrarese - Do Portal

01/06/2009

 Reprodução

A Marinha confirmou, na tarde desta terça-feira, 2, a chegada de três navios mercantes ao local onde, durante a madrugada, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) R-99 havia detectado possíveis destroços do Airbus 330-200 da Air France que desapareceu na noite de domingo, 31, no Oceano Atlântico. As embarcações particulares desviaram-se de suas rotas para auxiliar as operações de busca. A área é próxima ao arquipélago de São Pedro e São Paulo, a cerca de 650km a nordeste de Fernando de Noronha. Não foi confirmado que os achados pertençam ao avião. A equipe também identificou vestígios de óleo e querosene. As equipes de resgate procuram sobreviventes a cerca de 20km das quatro coordenadas onde foram encontrados os objetos.

Especialistas ainda buscam explicações para o desaparecimento do Airbus 330-200. Com 216 passageiros e 12 tripulantes, o voo AF 447 saiu do Rio de Janeiro às 19h de domingo com destino a Paris e deveria ter pousado às 6h (horário de Brasília). Por volta das 23h15, comunicou pane elétrica, ao atravessar uma tempestade, e deixou de ser registrado pelos radares. A Força Aérea Brasileira procura sinais da provável queda nas proximidades de Fernando de Noronha. Está descartada a possibilidade de o avião ainda estar voando, pois o combustível não seria suficiente. Este desastre já é considerado o maior envolvendo o Brasil.

Segundo Fraçois Brousse, diretor de comunicação da Air France, a hipótese mais provável é que o avião tenha sido atingido por um raio. O engenheiro aeronáutico Luiz Fernando Silva, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da PUC-Rio, acredita que a aeronave sofreu uma grave pane e caiu:

- Esse avião tem dois motores a jato. Pode voar por até 180 minutos com um motor. Se houver uma pane, pode voltar para a terra em segurança. Assim, creio que tenha havido uma pane gravíssima.

O especialista acha improvável que o transponder (um rádio receptor-transmissor que envia e recebe sinais, incluindo o tipo de avião e sua altitude, para outros aviões e as torres de controle) tenha falhado, pois o equipamento é feito para suportar as piores circunstâncias.

- Esse acidente é muito grave, ainda mais por ser uma empresa respeitada como a Air France - acrescenta.

A Air France divulgou uma lista oficial, apenas com as nacionalidades dos passageiros. Entre eles, estariam 58 brasileiros, 61 franceses e 26 alemães. Haveria ainda passageiros de outros 29 países. Os nomes só serão divulgados após todas as famílias terem sido contatadas. Um levantamento da Polícia Federal, apresentado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apresenta número divergente. Seriam 57 brasileiros no avião, incluindo um tripulante.

Entre os passageiros estava o professor da PUC-Rio José Roberto Gomes da Silva, do IAG. Também embarcaram o presidente da Michelin para a América do Sul, Luís Roberto Anastácio, de 50 anos, o diretor do setor de informática, Antônio Gueiros, de 46 anos, e uma a fucionária francesa da empresa. A Casa Imperial do Brasil confirmou o embarque de Pedro Luis de Orleans e Bragança, o quarto na linha sucessória de D. Pedro II. O chefe de gabinete do prefeito Eduardo Paes, Marcelo Parente, também estava no voo.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi pessoalmente e enviou os ministros do Desenvolvimento, Jean-Louis Borloo, e dos Transportes, Dominique Bussereau, ao aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, para acompanhar de lá a busca e supervisionar a assistência aos familiares de passegeiros e tripulantes. Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava em El Salvador para a posse do presidente Maurício Funes. Lula pediu para que o vice, José Alencar, fosse ao Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim para mostrar o apoio do governo. Na tarde desta terça-feira, 2, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, deve visitar os parentes das vítimas na Barra da Tijuca e trazer mais informações do CINDACTA III (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo).

Foi aberto um centro de monitoramento de crise para receber as famílias. Uma linha telefônica foi aberta para informações no Brasil, pelo telefone 0800 881 2020. Amigos e familiares podem recorrer a centros de atendimento no aeroporto do Galeão e no hotel Windsor, na Barra da Tijuca.

Os esforços para encontrar o avião estão partindo das duas costas do Atlântico. Além do Brasil e da França, a Espanha, os Estados Unidos e o Senegal também ajudam nas operações de busca. Uma base de apoio para as operações de busca foi montada no aeroporto de Fernando de Noronha, que agora funciona 24h por dia.