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Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2022


Cidade

Turistas brasileiros invadem o Rio de Janeiro

Carolina Heringer - Do Portal

02/03/2009

Durante as festas de final de ano, os turistas estrangeiros lotam o Rio de Janeiro para aproveitar o verão carioca. Contudo, neste verão foi bem diferente dos anos anteriores. A crise norte-americana e o aumento do preço do dólar afastaram os estrangeiros. Em compensação, os turistas brasileiros, principalmente paulistas, mineiros e gaúchos, invadiram as praias da cidade.

De acordo com dados da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), houve uma redução de 2% no número de passageiros que desembarcaram em vôos internacionais no Aeroporto do Galeão, entre janeiro e dezembro de 2008, em relação ao mesmo período do ano passado. Já o número de passageiros em vôos domésticos, nesse período de 2008, aumentou cerca de 1% em relação a 2007.

Com essa mudança, a expectativa dos comerciantes era de que os gastos dos brasileiros pudessem compensar a diminuição dos lucros, causada pelo menor número de estrangeiros na cidade. Mas não foi bem isso que aconteceu. Segundo eles, os brasileiros também estão gastando menos. Nice Gonzaga, há 13 anos vendendo biquínis e cangas na praia, diz que está todo mundo sem dinheiro e consumindo pouco.

- Esperávamos que os paulistas, mineiros e gaúchos que estão no Rio estivessem dispostos a consumir. Os brasileiros costumam comprar tão bem quanto os estrangeiros, às vezes até mais. A questão é que esse ano está todo mundo sem dinheiro, ninguém compra. Meus lucros caíram muito em relação a outros anos - lamenta a comerciante.

Fernando Mota, dono do café Trem do Corcovado há nove anos, diz que com a crise já havia previsão de um grande aumento no número de turistas domésticos. Porém, sabia que dificilmente os gastos dos brasileiros se igualariam aos dos estrangeiros.

- Nesses anos trabalhando com turismo, pude perceber que os brasileiros normalmente são bem mais controlados, não gastam à vontade. Até porque, muitas vezes, acham os produtos caros. Os estrangeiros consomem muito mais, sem dúvida. Os lucros diminuíram, o que já era esperado - afirma Fernando.

A mineira Letícia Pamplona, de 20 anos, ajuda a comprovar a tese de Fernando. A estudante diz que sua família escolheu o Rio para passar as férias justamente pela necessidade de viajar sem gastar muito. Os pontos turísticos estão dentro do roteiro, mas sem gastar dinheiro com supérfluos.

- Nem pensamos em sair do País por causa da instabilidade do dólar. Ficar é a melhor coisa nesse momento. Mas não estamos deixando de economizar. Não dá para sair comprando besteira - afirma Leticia.

Diferente de Letícia, a americana Christine Vadmar, no Rio desde o réveillon, diz que é difícil economizar quando está viajando. Segundo ela, os estrangeiros que resolveram viajar não deixam de gastar.

- Eu decidi vir para o Rio, então, estou aqui e vou gastar o que for preciso. E é isso que vejo: os turistas acabam consumindo. É difícil ficar economizando quando já estamos aqui. Muita gente ficou em casa, desistiu de viajar, principalmente porque as passagens estão muito caras. Mas quem está aqui acaba não se controlando - revela a americana.

No carnaval, a expectativa é de que a vinda de brasileiros para o Rio – principalmente paulistas e mineiros – continue substituindo a presença de turistas estrangeiros. Segundo a Associação Brasileira de Indústria de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (ABIH – RJ), espera-se que o Rio receba 20% menos estrangeiros do que no ano passado. Os comerciantes dizem já estarem preparados para encarar um movimento fraco.

- Já sabemos que o carnaval vai ser igual ao ano novo. Muito brasileiro, pouco gringo e pouco dinheiro também. O movimento vai ser fraco - afirma a comerciante Nice Gonzaga.

Fernando Mota aposta que em pouco tempo os turistas internacionais vão voltar a escolher o Rio como destino. Com o dólar voltando a subir frente ao real, logo eles “descobrirão” que viajar para o Brasil está barato.

- Eles ficaram muito assustados com a desvalorização do dólar e tiveram medo de viajar. Mas, agora que a moeda voltou a se valorizar, acredito que em pouco tempo teremos aquele grande número de estrangeiros aqui na cidade. Infelizmente, isso só deve acontecer depois do carnaval – prevê Fernando.