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Rio de Janeiro, 1 de outubro de 2022


Cultura

Ibsen inspira vozes contra discriminação às mulheres

Paula Giolito - Do Portal

02/12/2008

 Paula Giolito

Em homenagem aos cem anos da morte do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, a PUC-Rio promoveu, no dia 26 de novembro, o seminário internacional “Irmãs de Nora”. Em parceria com a embaixada da Noruega em Brasília e o consulado da Noruega no Rio de Janeiro, o encontro debateu o tema “Desigualdade: gênero, raça e sociedade”. A performance teatral de Zezé Motta e Maria Ceiça e a palestra da escritora Asne Seierstad ("O Livreiro de Cabul"), por exemplo, levaram o público a refletir sobre as transformações da figura feminina ao longo dos anos.

Com a obra marcada pelo estudo psicológico dos personagens – especialmente os femininos –pela crítica à burguesia e pelo encontro do indivíduo com a sociedade, Ibsen revelou-se um inovador. Dedicado à dramaturgia, escreveu e dirigiu peças que lhe renderam o epíteto de “pai do teatro moderno”. Suas criações são constantemente representadas ao redor do mundo.

A peça "Casa de Bonecas", encenada no auditório Anchieta, foi escrita em 1879, e tem como personagem principal uma mulher que abandona a família. Em cerca de uma hora, as atrizes Zezé Motta e Maria Ceiça revezaram-se no papel de Nora e mostraram seus conflitos pessoais, retratando a figura de uma mulher escrava do casamento. Ao sair de casa, Nora traz à tona um tabu para a época: o divórcio, a independência feminina. “Ibsen não só colocou o tema em discussão, como colocou de um jeito que ainda hoje é discutido”, avaliou Karl Schollhammer, professor de literatura e organizador do seminário.

 Questões referentes ao papel da mulher e ao modo como é vista pela sociedade foram levantadas na palestra da escritora Asne Seierstad. Autora do best-seller “O Livreiro de Cabul”, a jornalista contou a experiência de morar com uma família local no Afeganistão, um lugar conhecido pela discriminação ao sexo feminino. Filha de uma norueguesa engajada no movimento feminista, Asne viveu sua infância e adolescência sem muitas restrições. “Eu, uma menina que cresceu podendo fazer tudo, em Cabul me vi em uma família na qual se tinha de pedir permissão para qualquer coisa”, disse a escritora.

Apesar de dizer que não se sentiu discriminada enquanto as outras habitantes da casa tinham restrições quanto ao uso de burcas e comportamento diante de estranhos, Asne acredita em uma mudança no comportamento das mulheres afegãs. “Se você ensinar sua filha a acreditar nela mesma, ela vai ter forças para lutar pelo que quer. E esta luta pode acontecer em qualquer país, não necessariamente no Ocidente”, observou.